Referente à perícope do Evangelho de João 4, 1-26
Jesus estava cansado,
fizera uma longa jornada
e se sentou junto ao poço.
O poço era profundo.
Lá embaixo havia água fresca.
O sol estava alto, era meio-dia.
Fazia muito calor.
Não havia ninguém naquele lugar ermo.
Um poço antigo,
escavado por mão ancestral
e ainda assim fornecia água em abundância
para quem caminhasse até ali.
Mas era preciso ir até aquele lugar ermo.
Encontrar a água que mata a sede
não era tarefa fácil.
Havia a distância, havia o calor!
Chegar à fonte de água viva
requer esforço
e pareceria que poucos se animam a fazê-lo.
Por que o cansaço, daquele que se sentou à beira do poço?
Apenas por causa das dificuldades do caminho?
Ou cansaço, pois não havia ninguém
que buscasse água…
Estava cansado pois, em geral, são poucos
os que se empenham em buscar
a água que mata a sede…
É mais fácil se contentar com as águas próximas,
obtidas sem muito esforço.
Águas que enganam a sede
e por isso exigem que sejam tomadas
de novo e de novo…
Mas uma pessoa se aproximou
e notou que ali havia alguém
que estava cansado de ter sede…
Cansado da sede de esperar
por quem possa fazer a pergunta certa.
Pergunta é como cajado,
que golpeia a rocha
e deixa fluir água viva.
Assim fizera outro patriarca,
Moisés,
noutro deserto, há muito tempo…
Pergunta, bem feita, bem dirigida,
rompe a crosta e abre os mananciais.
Mas só pergunta quem tem sede.
Sede de saber.
Sede de conhecer.
Sede de interagir com o outro,
mesmo que diferente,
mesmo que estranho-estrangeiro.
Pergunta traz resposta,
resposta gera conversa,
conversa se torna diálogo,
dia-Logos,
(o Logos, que é o Verbo)
que é também o nome daquele
que se sentou à beira do poço.
Havia um poço no meio do caminho,
mas o poço de nada serviria
se não lhe fizessem perguntas.
Ele permaneceria em seco silêncio.
Pergunta, pois, quando tenhas sede,
aos poços dos teus áridos caminhos.
Porque ali, cansado de esperar,
encontra-se o manancial escondido,
que quer começar a fluir
quando tocado pela palavra-pergunta
de quem busca o Espírito.
Renato Gomes

Quando o Cristo ressuscitado apareceu aos discípulos pelas primeiras vezes, algo aconteceu que fez de Tomé um representante da humanidade nos tempos a seguir. Um período do desenvolvimento humano estava chegando ao fim, e agora as pessoas deveriam se transformar e se comportar de maneira diferente. Elas deveriam estabelecer uma nova relação com o mundo divino e também com o seu destino na Terra.