Época de Advento
Referente ao perícope de Mateus 25, 1-13
“Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo. Cinco delas eram insensatas, e cinco prudentes. Ora, as insensatas, tomando as lâmpadas, não levaram azeite consigo. As prudentes, porém, levaram azeite em suas vasilhas, juntamente com as lâmpadas.”
Mateus 25
Uma planta germina de uma semente, cresce, floresce e dá frutos. Assim se encerra um ciclo vegetativo. Se fosse somente assim, uma planta não teria um futuro. Ela existiria apenas uma vez. Mas a planta não forma apenas o fruto. No fruto ela forma uma nova semente, que garante para o futuro um novo ciclo de vida.
Aquilo que a natureza traz evidentemente em si, nós seres humanos temos que aprender: não olhar apenas para os frutos que podemos obter no presente, mas sentir a responsabilidade pelo futuro, criar hoje sementes que garantam a vida do amanhã.
Este é o conceito da sustentabilidade, que temos que aprender sempre mais; no âmbito da agricultura, da economia, do modo como lidamos com o meio ambiente, nos relacionamentos sociais. Precisamos desenvolver, o mais rápido possível, responsabilidade pelo futuro, antes que seja tarde demais.
Mas além desses âmbitos existe também uma sustentabilidade espiritual: a responsabilidade pelo nosso futuro espiritual, pelo futuro espiritual do ser humano e da Terra. Temos a tarefa de criar sementes que germinarão num futuro, às vezes um futuro muito longínquo.
As cinco virgens prudentes criaram uma sustentabilidade para as suas lâmpadas, providenciando, durante o dia, o azeite que precisariam para a escuridão da noite. É o azeite que necessitam para acender as suas lâmpadas e se unirem com o noivo.
Quando nós cultivamos uma vida religiosa, temos também que pensar numa forma de sustentabilidade espiritual. O que formamos agora pelo nosso empenho de nos ligarmos com o divino, não trará necessariamente frutos para o nosso presente, mas com certeza ajudará a formar sementes que germinarão no futuro, ajudando a formar algo como o azeite que necessitaremos para acender a luz interior quando estivermos na escuridão e, assim, podermos nos unir com o Cristo.
João F. Torunsky
Alguns artistas contemporâneos estão desenvolvendo técnicas de trabalhos com luz e sombra, que estão sendo denominadas Shadow Art (em tradução livre: arte com sombras). Tais artistas constroem com materiais simples ou mesmo com sucata ou lixo, esculturas, que quando observadas não mostram ao olhar comum muito mais que um monte disforme de sucata ou de metal retorcido. Contudo, no momento em que tais esculturas são iluminadas por uma fonte de luz que provem de um lugar bem definido, elas projetam sombras que “revelam” algo que até então nosso olhar comum não era capaz de reconhecer.