Reflexão para o domingo, 29 de março

Referente à perícope do Evangelho de Mateus 22, 1-11

O crescimento vegetal não acontece de forma linear; trata-se de uma sucessão de momentos de crescimento alternados com pausas de concentração. Nas gramíneas — e, em especial, nos bambus — isto aparece com nitidez: forma-se um nó, depois um seguimento do talo que se alonga, surge outro nó, novamente acompanhado de um alongamento linear. Nesse encadeamento surge visivelmente o crescimento do bambu ou de qualquer outro ramo vegetal.
Olhando com atenção a formação do nó, percebemos que, apesar de representar uma interrupção do crescimento linear, entre muitas outras funções cabe destacar duas:
– Os diversos nós que compõem um bambu, uma cana — ou mesmo um galho — conferem grande estabilidade à estrutura como um todo. Se houvesse apenas crescimento linear, depois de certo tamanho, o excessivo comprimento das fibras retilíneas comprometeria a capacidade de toda estrutura para se manter ereta! Os nós criam arquitetonicamente pontos de amarração, permitindo que o bambu ou o galho se mantenham firmes sem se curvar — apesar da enorme tensão que decorre da proporção entre comprimento longitudinal e diâmetro do galho ou do bambu!
– Outra característica importante é que os nós são o local onde as folhas ou os novos brotos eclodem. São pontos de germinação. No caso do bambu, somente folhas saem destes nós. Mas ali também se encontram brotos que, quando plantamos, dão origem a novas plantas. Noutras plantas, os nós representam os locais de ramificação. O crescimento, nesses casos, não segue uma única direção, mas se abre na conquista de novos espaços (e chegam a formar as amplas copas das árvores).
O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa. Nesta semana acontecem muitas coisas num curto período de tempo e num espaço físico bem delimitado, pois praticamente todos os acontecimentos estão relacionados à cidade de Jerusalém.
Aqui também poderíamos notar uma espécie de “nó”, quando os acontecimentos narrados se concentram e o fluir da narrativa dos Evangelhos parece se fixar naqueles poucos dias, em torno daquele único lugar.
Somente depois, na Páscoa, a narrativa se libera e flui novamente. Ela expande e alcança círculos cada vez mais amplos, à medida em que o Cristianismo se propaga pelas regiões circunvizinhas.
Assim, também se poderia, hoje, tomar a leitura e a meditação sobre os acontecimentos da Semana Santa como um momento de concentração para as forças da alma. Um momento para reunir as forças e focar em certos pontos, sem se preocupar que algo precisa fluir ou se expandir do “lado de fora “. O mais importante é a capacidade de concentração e de reflexão sobre as imagens da Paixão de Cristo, além da nossa própria conexão interna com essas imagens.
A seu tempo, aquilo que se formou a partir desse trabalho interior concentrado se expandirá naturalmente… Se ramificará na própria vida. Pois, como na planta, são os “nós” que desenvolvemos na alma que nos criam as bases para a sustentação e para o crescimento de nosso próprio ser espiritual!
Nesse sentido: “Bendito o que vem em nome do Senhor!” — aquele que quer entrar em nossa alma para nos ajudar a chegar a esse profundo grau de concentração!

Renato Gomes