Referente à perícope do Evangelho de João 8, 1-11
Vivemos num mundo de violência extremada. As potências se armam e impõem suas decisões na forma de bombardeios. Enquanto isso, no dia a dia, muitos lançam pedras na forma de palavras ofensivas e injuriosas. Clamamos por paz, mas vivemos num mundo que, a cada momento, anula a sua possibilidade, pois a paz só pode nascer de corações pacificados.
Na passagem do Evangelho de João sobre a mulher adúltera, encontramos uma imagem profunda da alma humana. De um lado, os acusadores, rápidos em condenar, mas inconscientes de si mesmos. De outro, a mulher, exposta, culpada, amedrontada. Jesus silenciosamente escreve na terra um novo caminho de consciência e perdão. Os acusadores se retiram, chamados pela própria consciência de culpa. A mulher permanece no centro, liberada para seguir, a partir do despertar da consciência, em direção a um novo começo. Ela representa a alma ferida, contraditória, mas capaz de ser tocada pela luz do Cristo.
No momento crucial em que vivemos, cresce a possibilidade de um despertar da consciência, justamente no momento em que se intensificam as sombras ao nosso redor. O Cristo nos aponta em uma direção de compaixão, perdão e renascimento. Com ele, começa a nascer silenciosamente nos corações humanos a verdadeira possibilidade de paz.
Carlos Maranhão