Referente à perícope da Carta de Paulo aos Filipenses 4, 1-9
Ao esperar a visita de uma pessoa querida e estimada, a dona da casa vai arrumar tudo. Tira o pó dos móveis, coloca na mesa uma nova toalha, pendura cortinas lavadas e enfeita a sala com flores.
Na carta aos Filipenses, Paulo fala sobre um único tema, a partir dos mais diversos aspectos: o Cristo ressuscitado, o Ente mais querido e mais respeitado, Senhor do Universo e irmão do ser humano.
Ele está para chegar!
Por isso, precisa-se “preparar a casa”.
Isto é: Na cidade Filipi, a Comunidade de Cristãos deve se tornar digna de recebê-lo. Paulo adverte as pessoas com uma série de conselhos. No último capítulo, ele dá um resumo das qualidades colocando “no resto” oito virtudes. Estas lembram os oito passos do Nobre Caminho Óctuplo
de Buda. Há, porém, uma diferença básica entre os dois: Buda visa com os oito exercícios à cessação do sofrimento; Paulo, em contrapartida, não evita o sofrimento, mas sim, pela proximidade do Cristo, mergulha na alegria da ressurreição e sente a presença da Paz de Deus “que está acima de toda compreensão”.
No Ato de Consagração do Ser Humano, preparamos a nossa alma para a Sua vinda. “Doente está a morada” em que Ele entra. Ele que não evitou o lugar mais humilde para o nascimento de Jesus, que ele nos dá a paz de Natal, tão necessário para o mundo de hoje.
Friedhelm Zimpel
Nessa bela obra de Fra Angélico representando a anunciação do nascimento de Jesus, o Anjo Gabriel, em toda a sua dinâmica direcionada à Maria, nos gestos das suas mãos, nas suas palavras representadas pela escrita em ouro, manifesta a decidida intenção do mundo espiritual de revelar o processo de concepção à consciência da futura mãe. Isso implica em um completo envolvimento e ligação com o novo ser anunciado. As metas espirituais anunciadas à consciência humana são sempre um grande desafio, porque ainda devem ser a todo custo realizadas. As asas do anjo Gabriel não cabem completamente na morada de Maria; ela ainda tem que aceitar sem condições a sua missão. Ela reconhece que o seu corpo e a sua existência terrena são um instrumento para a revelação do mundo espiritual. Depois do susto e temor, ela pôde aceitar incondicionalmente com as palavras: “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.”
