Referente à perícope do Evangelho de Mateus 11, 2-15

Tríptico de Hans Memling (1479) para a igreja anexa ao hospital Sint-Janhospitaal em Bruges, Bélgica. Tema: O casamento místico com o menino Jesus – segundo o sonho de Santa Catarina (à esquerda, ao pé de Maria na imagem central).
A morte de João Batista, decapitado na asa à esquerda e o desvendar do futuro no apocalipse a João Evangelista na ilha de Patmos, na asa à direita.
Atrás de Maria no centro: João Batista à esquerda e João Evangelista à direita. Ao pé de Maria à direita, Santa Bárbara que contra a vontade do pai se converteu ao cristianismo e foi batizada por João Batista em sonho.
No final de um dia ou mesmo próximo ao portal da morte, olha-se retrospectivamente para a trajetória percorrida e a pergunta aparece: o que posso colher como fruto desse percurso respectivamente? Pode parecer diante da paisagem dos imensos desafios do destino e das crises globais que pouco se conseguiu realizar. O que diria o mundo espiritual, o que diria o Cristo ao contemplar essa trajetória, o que diria a consciência elevada do próprio ser humano?
Cristo olha, sobretudo, para as conquistas da alma – quando permeada pelas forças da ressurreição – permitindo que o ser humano possa transformar a sua natureza terrena enquanto corpo, alma e espírito e irradiar forças sanadoras para a humanidade e para a Terra. Quiçá essas conquistas pareçam insignificantes diante das sérias crises no palco dos acontecimentos. No entanto, para o mundo divino, elas têm um grande significado para o futuro.
A substância de vida e luz de Cristo na alma é levada para o sono na noite ou para a vida pós-morte respectivamente e a consolidará e fortificará para que supere os desafios, que com necessidade férrea tem que ocorrer no futuro para a espiritualização do ser humano e da Terra.
Da prisão – pouco antes de sua morte – João Batista envia seus discípulos para saber de Jesus Cristo se ele é realmente o Messias esperado. Ele recebe a resposta de que o atendimento do seu clamor de transformação se cumpriu e que o reino dos céus em Cristo e nos seus enviados discípulos já está atuando na Terra. Essa boa notícia, certamente, não modificou a situação ameaçadora de João Batista na prisão, mas o fortaleceu na hora da sentença de sua morte. Mesmo depois da morte, João Batista ainda continua colaborando com o Cristo na medida em que – com seu espírito – mantém o círculo dos discípulos coeso à sua volta. O espírito de João Batista no âmbito pós-morte com certeza se une ao espírito de Lázaro durante o seu sono de morte antes de ser despertado por Jesus Cristo para a nova vida. Lázaro ressuscitado se torna então Lázaro João, o discípulo amado e testemunha da morte da Cruz e da atuação futura do Filho do Homem, do Jesus Cristo ressuscitado, na evolução da humanidade, segundo o Apocalipse.
Como João Batista, na sua elevada consciência espiritual, coloquemo-nos à disposição da obra de Cristo. Ele nos acompanha e nos consola no árduo caminho, mas prometedor do futuro e poderá nos transformar num novo discípulo e apóstolo, como no exemplo de João Evangelista.
Helena Otterspeer

