Reflexão sobre o Evangelho de João, 20 de junho

“‘Se me amais, observareis os meus mandamentos. E eu pedirei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, que ficará para sempre convosco: o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê, nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e está em vós. Não vos deixarei órfãos: eu voltarei a vós. Ainda um pouco de tempo e o mundo não mais me verá; mas vós me vereis, porque eu vivo, e vós vivereis. Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai, e vós em mim, e eu em vós. Quem acolhe e observa os meus mandamentos, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele’. Judas (não o Iscariotes) perguntou-lhe: ‘Senhor, como se explica que tu te manifestarás a nós e não ao mundo?’ Jesus respondeu- lhe: ‘Se alguém me ama, guardará a minha palavra; meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. Quem não me ama, não guarda as minhas palavras. E a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que me enviou. Eu vos tenho dito estas coisas enquanto estou convosco. Mas o Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é à maneira do mundo que eu a dou. Não se perturbe, nem se atemorize o vosso coração. Ouvistes o que eu vos disse: ‘Eu vou, mas voltarei a vós’. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. Disse – vos isso agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiais. Já não falarei mais convosco, pois vem o chefe deste mundo. Ele não pode nada contra mim. Mas é preciso que o mundo saiba que eu amo o Pai e faço como o Pai mandou. Levantai-vos! Vamos nos daqui!’”

João 14, 15-31

Neste trecho “ouvimos” palavras que ao longo de nossa história, são foco da teologia e filosofia: Amor, Verdade e Paz.
Cristo nos entrega a oportunidade de nos aproximarmos da essência destas três realidades espirituais ao observarmos suas palavras. Fazermo-nos permeáveis à Palavra, é tarefa árdua e de algumas vidas. Acostumamos com o imediatismo de nossas ações e muitas vezes desesperamos ao não atingirmos o que nos propomos no caminho para o espírito. Des esperançados, somos presas fáceis para o “príncipe do mundo”. Aquele que deseja desviar e aniquilar a humanidade.
Cada pequeno passo em direção ao nosso desenvolvimento interior nos torna maleáveis à Palavra. Sempre exigirá esforço a vivência do Filho, a consciência do Pai e a percepção do Espírito Santo, mas, nem por isso devemos desistir dos pequenos passos humildes que possamos dar. Vivemos uma era onde a humanidade é constantemente atacada por seus opositores. Nossos corações são acometidos de medo e terror pela visão de um futuro sombrio. O exercício diário de pressentirmos a Palavra em tudo o que nos rodeia, gera a resiliência que nos permitirá enfim alcançarmos o Amor, a Verdade e a Paz…

Viviane Trunkle

Reflexão sobre o Evangelho de João, 19 de junho

“‘Não se perturbe o vosso coração! Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fosse assim, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós. E depois que eu tiver ido e preparado um lugar para vós, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais vós também. E para onde eu vou, conheceis o caminho’.
Tomé disse: ‘Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?’ Jesus respondeu: ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se me conhecestes, conhecereis também o meu Pai. Desde já o conheceis e o tendes visto’.
Filipe disse: ‘Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta’.
Jesus respondeu: ‘Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me conheces? Quem me viu, tem visto o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. Crede me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Crede, ao menos, por causa destas obras.
Em verdade, em verdade, vos digo: quem crê em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai. E o que pedirdes em meu nome, eu o farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes algo em meu nome, eu o farei.’”

João 14, 1-14

O que precisamos para realizar uma obra?
Necessitamos confiar em nossas habilidades e na viabilidade de realização. Nossa força será tanto maior quanto mais tivermos a certeza de que nossa obra faz sentido para o mundo e para nós.
No momento em que começamos uma atuação com essas percepções, nossas forças crescem e talvez superem o que acreditamos ser possível. Podemos sentir uma ajuda para a realização e podemos perceber nela a atuação do mundo espiritual. Essa ajuda pode se manifestar através de outras pessoas ou através do aumento das nossas forças.
Observamos esse fenômeno nas pequenas e grandes obras. Pouco a pouco pode crescer a confiança de que sempre teremos ajuda. Todas as hierarquias estão dispostas a nos ajudar. Mas, hoje em dia, o mundo espiritual respeita totalmente a nossa liberdade. Cabe a nós dar o primeiro passo.

Julian Rögge

Reflexão sobre o Evangelho de João, 18 de junho

“Tendo ele, pois, saído, disse Jesus: ‘Agora é glorificado o Filho do homem, e Deus é glorificado nele. Se Deus é glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e logo o há de glorificar. Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco. Vós me buscareis, mas, como tenho dito aos judeus: Para onde eu vou não podeis vós ir; eu vo-lo digo também agora.
Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.’
Disse-lhe Simão Pedro: ‘Senhor, para onde vais?’ Jesus lhe respondeu: ‘Para onde eu vou não podes agora seguir-me, mas depois me seguirás.’
Disse-lhe Pedro: ‘Por que não posso seguir-te agora? Por ti darei a minha vida.’
Respondeu-lhe Jesus: ‘Tu darás a tua vida por mim? Na verdade, na verdade te digo que não cantará o galo enquanto não me tiveres negado três vezes.’”

João 13,31-38

A vida de Jesus foi um único ato de amor. Esse amor que Jesus viveu também deve viver seus discípulos. Mas ninguém é capaz de imitar esse amor completamente, mesmo Pedro que lhe prometeu fidelidade o negou três vezes. Parece que sempre ficamos aquém daquilo que Jesus nos demanda. Se é assim, por que nos colocou esse mandamento fundamental? Porque ele acredita em nós humanos. Porque ele coloca sua esperança em nós. Ele conhece nossa impotência em nos mantermos fiéis ao seu mandamento, mas mesmo assim o reafirma. Pedro se dará conta de sua traição e Jesus Cristo, após a ressurreição, reafirmará sua confiança nele dizendo “tome conta de minhas ovelhas!” (João 21,15-16).
Somos céticos e não acreditamos nesse poder do amor, do contrário não trairíamos esse amor tantas vezes. Transmitimos palavras de amor para depois rejeitá-lo. Há uma fraqueza inerente à condição humana. Paulo deu testemunho disso ao dizer que tinha um espinho na carne e glorificou sua fraqueza dizendo: “quando sou fraco, aí é que sou forte” (2 Coríntios 12,10). Rudolf Steiner reenfatizou esse aspecto ao dizer que é na nossa impotência que encontramos o Cristo (O anjo em nosso corpo astral / Como eu encontro o Cristo? – R. Steiner, Editora Antroposófica). Seguir o amor de Jesus significa seguir a Jesus em nossa fraqueza, até o último lugar onde não há mais poder e violência, mas apenas amor.

Carlos Maranhão

Reflexão sobre o Evangelho de João, 16 de junho

“Depois de dizer isso, Jesus ficou interiormente perturbado e testemunhou: ‘Em verdade, em verdade, vos digo: um de vós me entregará’. Desconcertados, os discípulos olhavam uns para os outros, pois não sabiam de quem estava falando. Bem ao lado de Jesus, estava reclinado um dos seus discípulos, aquele que Jesus mais amava. Simão Pedro acenou para que perguntasse de quem ele estava falando. O discípulo, então, recostando-se sobre o peito de Jesus, perguntou: ‘Senhor, quem é?’ Jesus respondeu: ‘É aquele a quem eu der um bocado passado no molho’. Então, Jesus molhou um bocado e deu a Judas, filho de Simão Iscariotes. Depois do bocado, Satanás entrou em Judas. Jesus, então, lhe disse: ‘O que tens a fazer, faze logo’. Mas nenhum dos presentes entendeu por que ele falou isso. Como Judas guardava a bolsa, alguns pensavam que Jesus estava dizendo: ‘Compra o que precisamos para a festa’, ou que desse alguma coisa para os pobres. Então, depois de receber o bocado, Judas saiu imediatamente. Era noite.”

João 13, 21-30

“Era noite”
“E a luz brilha na escuridão, e a escuridão não dominou a luz” (Jo 1, 5)
Os seres da escuridão que nos primórdios da evolução cósmica, tentaram dominar a luz, atuam aqui através de um ser humano. Um discípulo. Judas.
Em seu coração, já a algum tempo, atuava o ímpeto da separação e do confronto. O ser que a tudo desmembra e desune. Agora passa a atuar o ser que o impulsiona a sonhos ilusórios. Cristo dirige-se diretamente a Satanás ao dizer: “O que tens a fazer, faze logo.” Seria a escuridão finalmente a dominar a luz?
Cristo recebeu do Pai, o poder sobre todas as criaturas, assim também sobre os demônios. Ao longo de toda sua atuação ele os dominou e expulsou. Porque então, permitiu que atuassem através de Judas?
Voltemos à cena do “Lava Pés”. Em humildade e agradecimento Cristo se inclina perante os discípulos e lava-lhes os pés. Também a Judas. Poderíamos dizer que neste momento, ele agradece também ao diabo que ali habita.
Quão fácil é para nós, olharmos e julgarmos Judas. Mas, e se voltássemos o olhar para nós mesmos? Traímos a luz sempre quando nos direcionamos para confrontos, para tudo que separa, tudo que é bélico. A traímos quando não temos tempo para o espírito. Sempre ocupados com o que consideramos tão importante: nossas posses (em todos os âmbitos). Ou quando nos entregamos a sonhos e pensamentos ilusórios de uma realidade que jamais será…
Nestes momentos, as sombras em nós tentam dominar a luz.
Será que, ao entrarmos nesta quarentena, tivemos a oportunidade de olharmos para o essencial em nossas vidas? Para a realidade de nosso país e do mundo? Para nossa atuação no social?
Todas as forças têm seu sentido de atuação quando equilibradas e permeadas pela Luz. O tempo urge. A luz necessita seres humanos livres, unidos e despertos.

Viviane Trunkle

“Porque eu só preciso de pés livres, de mãos dadas, e de olhos bem abertos.”
João Guimarães Rosa

Reflexão sobre o Evangelho de João, 15 de junho

“Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora, hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. Foi durante a ceia. O diabo já tinha seduzido Judas Iscariotes para entregar Jesus. Sabendo que o Pai tinha posto tudo em suas mãos e que de junto de Deus saíra e para Deus voltava, Jesus levantou-se da ceia, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a à cintura. Derramou água numa bacia, pôs-se a lavar os pés dos discípulos e enxugava-os com a toalha que trazia à cintura.
Chegou assim a Simão Pedro. Este disse: ‘Senhor, tu vais lavar-me os pés?’ Jesus respondeu: ‘Agora não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás’. Pedro disse: ‘Tu não me lavarás os pés nunca!’ Mas Jesus respondeu: ‘Se eu não te lavar, não terás parte comigo’. Simão Pedro disse: ‘Senhor, então lava-me não só os pés, mas também as mãos e a cabeça’. Jesus respondeu: ‘Quem tomou banho não precisa lavar senão os pés, pois está inteiramente limpo. Vós também estais limpos, mas não todos’. Ele já sabia quem o iria entregar. Por isso disse: ‘Não estais todos limpos’. Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e voltou ao seu lugar. Disse aos discípulos: ‘Entendeis o que eu vos fiz? Vós me chamais de Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque sou. Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais assim como eu fiz para vós. Em verdade, em verdade, vos digo: o servo não é maior do que seu senhor, e o enviado não é maior do que aquele que o enviou. Já que sabeis disso, sereis felizes se o puserdes em prática. Eu não falo de todos vós. Eu conheço aqueles que escolhi. Mas é preciso que se cumpra o que está na Escritura: ‘Aquele que come do meu pão levantou contra mim o calcanhar’. Desde já, antes que aconteça, eu vo-lo digo, para que, quando acontecer, acrediteis que eu sou. Em verdade, em verdade, vos digo: quem recebe aquele que eu enviar, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou’.”
João 13, 1-20
Cristo, o Filho Divino, ajoelha-se perante os discípulos e lava-lhes os pés. Ele realiza o ato normalmente feito por servos naquela época. O mais alto do céu se inclina para os seres humanos em um ato cheio de humildade. Ele lava-lhes os pés que caminham pela terra e assim prepara os discípulos para o céu.
Cristo indica aqui uma lei espiritual. Ao fazermos passos no desenvolvimento espiritual, devemos sempre nos lembrar dos que os possibilitaram. Caso contrário, corremos o risco de cairmos no egoismo e na soberba. Podemos nos lembrar das pedras, plantas e animais ao nosso redor. Eles fizeram um sacrifício para que nosso desenvolvimento aqui na Terra fosse possível. Podemos nos recordar também, dos seres humanos que nos ajudaram e talvez sacrificaram algo. Nossos pais, companheiros, amigas e amigos…
Em gratidão e amor podemos nos inclinar a eles e oferecer ajuda para seus caminhos. Juntos conseguiremos desenvolver a Terra e a humanidade.
Julian Rögge