Reflexão para o domingo, 18 de maio de 2025

Referente à perícope do Evangelho de João 16, 1-33

Cristo venceu o mundo e a morte. Ele os transformou e conseguiu permanecer ligado ao mundo e aos seres humanos. Ele nos chama para que tenhamos coragem.

Encontramos essas forças antes da morte, ainda em nossa vida terrena? Podemos vencer os poderes do mundo?

A cada manhã, nós nos levantamos e vencemos a força da gravidade. Ao superamos os nossos medos, também vencemos uma potência deste mundo. Quando trabalhamos em conjunto com os seres espirituais, vencemos o rei deste mundo.

Em cada pequena vitória — sobre as forças terrenas, sobre as forças da morte — encontramos o Cristo. Nela, está presente a força da ressurreição. Nessas vivências, podemos encontrar a coragem para enfrentarmos os desafios das nossas vidas.

Julian Rögge

Reflexão para o domingo, 11 de maio de 2025

Referente à perícope de João 15, 1-26

Jesus nos chama a permanecer unidos a Ele como ramos à videira. Mas, no coração dessa imagem, Ele revela algo ainda mais profundo: “Já não vos chamo servos, mas amigos”. A amizade verdadeira, segundo Cristo, nasce do amor que doa a vida. É essa amizade que nos transforma: ela nos purifica, como o agricultor poda a videira, para que demos mais frutos.

Amigos de verdade não nos bajulam, eles nos ajudam a crescer. Jesus nos chama seus amigos porque nos confia os segredos do Pai. Ser seu amigo é ser convidado à maturidade espiritual, a carregar responsabilidades no Reino.

Por fim, Ele nos lembra que essa amizade será provada pelo mundo. Mas não estaremos sozinhos: o Espírito Santo será o Amigo fiel que caminha conosco.

Assim, sejamos ramos vivos, amigos verdadeiros uns dos outros, ajudando-nos a florescer no amor de Cristo.

Carlos Maranhão

Reflexão para o domingo, 04 de maio de 2025

Referente à perícope de João 10, 1-16

Cristo diz:

– Eu sou a porta!

Uma porta representa o limiar entre um local e o outro. Entramos ou saímos de um determinado espaço por uma porta. Portas comunicam recintos, ambientes, lugares. Em geral, associamos portas à dimensão do espaço.

Ele prossegue:

– Eu estou à porta e chamo.

Pela porta ecoa a voz de quem chama. Se ela estiver aberta, ouviremos a voz, se estiver fechada, lacrada não conseguiremos ouvir.

E acrescenta:

– Elas,  as ovelhas, reconhecem minha voz e me seguem.

Aquele que chamou à porta, continua chamando. Ouvimos sua voz? Ela ecoa através da porta. Ecoa através do tempo. Portanto, uma porta não delimita apenas espaços. Ela comunica também dimensões do tempo. Seu chamado, sua voz, não se limita a um lugar ou a um momento específico. Seu chamado transcende o próprio tempo.

Existem, pois, portas-temporais. Por elas é possível ouvir o chamado dos tempos. A voz surgiu em algum momento passado, mas, por meio desta porta-temporal, ressoa em temos presentes.

– Eu sou a porta!

– Eu estou à porta e chamo!

– Chamo, através do portal dos tempos, os que reconhecem minha voz!

Estamos sincronizados no tempo com esta porta e dispostos a seguir o chamado?

Renato Gomes

Reflexão para o domingo, 27 de abril de 2025

Referente à perícope do Evangelho de João 20, 10-29

No dia da ressureição, o Redentor aparece de diferentes formas aos seus discípulos, incluindo às mulheres. Abre pouco a pouco os sentidos humanos para perceberem a realidade da ressureição, do Jesus Cristo Ressuscitado. As narrativas dos quatro  evangelistas são todas bem diferentes.

Alguns recebem a mensagem da ressureição, ao levantar do sol, quando estavam a caminho do túmulo e o encontram aberto e vazio. A grande pedra que fechava o túmulo havia sido removida, causando grande espanto.

Outros vão vê- lo no final da tarde, em comunidade, quando Ele aparece apesar das portas fechadas no aposento da Última Ceia, mostra suas feridas e confere o novo sopro de vida.

Podemos nos admirar como Ele se manifesta de diversas maneiras. Ele é anunciado na existência dos que já eram seus discípulos e se tornaram as primeiras testemunhas da ressureição, pelo sol nascente, pela pedra removida, pela mensagem dos anjos e, enfim, pela revelação do próprio corpo da ressureição. Esse testemunho é um ponto de mudança crucial nas suas vidas, mas também na vida da humanidade, que a partir de então acolhe o impulso do cristianismo na sua evolução. Podemos constatar nisso uma força crescente da ressureição, uma ligação cada vez mais íntima com a alma humana, com a humanidade e com a Terra. Se estendermos isso aos dias de hoje, poderíamos dizer que com a expansão do impulso do cristianismo, Jesus Cristo Ressuscitado – que nos acompanha até o final dos tempos – pode vir a aparecer a muitas pessoas, segundo a própria configuração de suas almas e vida, em cada caminho individual.

No capítulo 20 do Evangelho de João, lemos que Maria Madalena é a primeira a encontrar o túmulo vazio e, preocupada, comunica o fato a Pedro e João, que então correm até o local, cada um a seu modo. Constatam, então, que os panos de sua mortalha e o véu do seu rosto estão depostos em lugares diferentes. João, o Lázaro ressuscitado,  simplesmente ao ver as faixas da mortalha desenroladas no túmulo já sabe que Ele ressuscitou.

Maria Madalena permanece por um momento no local e ouve, sucessivamente, a mesma pergunta: “Mulher, por que choras?” Primeiro, dos dois anjos posicionados à cabeceira e aos pés do lugar onde Jesus Cristo havia sido deposto; depois, ao se voltar, daquele que inicialmente toma por um jardineiro. Este, além de repetir a pergunta, acrescenta: “A quem procuras?” Ao ouvir sua resposta, Ele a chama pelo nome: “Maria”. Então, ela responde: “Mestre” e o reconhece. Ela, que antes da morte na cruz havia ungido e preparado seu corpo para a ressurreição, e que também permaneceu como testemunha ao pé da cruz, é a primeira a vê-lo sozinha, quando Ele, no jardim do túmulo, pronuncia o seu nome. Ao ser chamada, Maria sente-se reconhecida pelo espírito do Cristo e, com os olhos da alma, é capaz de vê-lo ressuscitado.

Todos esses encontros podem viver nos nossos corações como arquétipos do encontro com Jesus Cristo ressuscitado. Cada alma humana já recebeu anúncios, mensagens desse acontecimento central na história da Terra e da humanidade. Cada alma humana está a caminho de se ligar mais intimamente com a realidade da ressurreição e colaborar na obra divina na Terra. Comunidades que em suas celebrações se reúnem para vivenciar a presença e atuação de Jesus Cristo podem e poderão receber o sopro de vida do Redentor.

As perguntas de Jesus Cristo Ressuscitado ressoam até hoje para cada alma humana: “Por que choras?” e: “A quem procuras?”. O sentido de todo sofrimento se abrirá, quando ouvirmos a voz de Jesus Cristo pronunciar o nosso próprio nome e o reconhecermos como o nosso guia, o nosso mestre em todos os caminhos da vida.

Helena Otterspeer

Reflexão para o domingo, 20 de abril de 2025

Referente à perícope do Evangelho de Marcos 16, 1-18

O túmulo está vazio

O coração está cheio

No domingo de Páscoa, as mulheres encontram o túmulo vazio. O corpo, que elas querem preparar para o sepultamento, não está mais lá. O túmulo está vazio.

Aos poucos elas reconhecem a nova realidade. Elas encontram o Cristo ressuscitado e percebem os seus corações plenos.

Durante a Paixão vivenciamos o vazio. O coração estava frio e abandonado. Ele se tornou um escuro túmulo vazio.

E hoje, no domingo de Páscoa? Percebemos, como as mulheres, a grande mudança, a nova realidade? Reconhecemos que o coração está preenchido por uma nova força? Ouvimos nele o júbilo da ressurreição:

Cristo verdadeiramente ressuscitou!

Julian Rögge

Reflexão para o domingo, 13 de abril de 2025

Referente à perícope do Evangelho de Mateus 21, 1-11

Se as árvores das florestas pudessem se expressar, gritariam: Socorro!

Se as baleias e todos os seres marinhos pudessem falar, clamariam: Socorro!

Se as geleiras polares pudessem manifestar sua dor frente ao derretimento incontrolável , gemeriam: Socorro!

Todos os seres vivos, todos os ecosistemas, todo o mundo dos elementos e seres que nele vivem, sofrem com a contaminação e a devastação que o ser humano lhes causa.

Também entre nós mesmos, certos grupos se outorgam o direito de impor a outros sua vontade pela força bruta, pela opressão, pela ganância perversa.

Como se houvesse justificativa moral para fazer guerra, para explorar, para discriminar! Também aqui se ouve, em muitos lados, o pranto: Socorro!

A quem se dirige este clamor?

Há quem possa ouvi-lo?

No Domingo de Ramos, o povo reunido diante das muralhas de Jerusalém, cansado do jugo dos opressores e colonizadores da ocasião, também gritou: Socorro!

Gritou à sua maneira: Hosana!

Seu clamor se dirigia àquele que vem em nome do Senhor!

Hosana! Socorro! – que essa voz seja escutada e reverbere, também hoje, até o mais alto dos céus!

Sim, assim seja!

Renato Gomes

Reflexão para o domingo, 06 de abril de 2025

A nossa vida pode ser como um rio ou como uma cisterna. Muitas vezes vivemos como uma cisterna, sempre ansiosos para garantir que haja o suficiente para amanhã, sempre temerosos de que nos falte algo essencial.

Mas Cristo nos convida a viver como um rio, recebendo continuamente da fonte inesgotável de Deus. O mundo nos ensina que devemos sempre garantir o amanhã, acumular, nos proteger contra a incerteza. Essa é a raiz da ansiedade humana: o medo de não termos o suficiente. As pessoas que seguiam Jesus após a multiplicação dos pães queriam mais um milagre, mais um sustento para o dia seguinte. Mas Jesus os convida a olhar além da necessidade imediata. Isso significa que não é apenas o futuro que está sendo prometido. O pão da vida não é algo reservado para depois da morte, mas uma realidade que já podemos experimentar agora. Se vivemos em Cristo, se nos alimentamos dele, então não precisamos mais viver dominados pela fome, pelo medo da carência. Viver do Pão da Vida significa que nossa existência já está plena agora. Não precisamos nos alimentar de ansiedades, de inseguranças, de expectativas frustradas. Podemos viver confiando que, assim como o maná caía todos os dias, Deus nos dá tudo o que precisamos hoje. Se estabelecemos uma relação real com Cristo, então nos tornamos como o rio: não precisamos estocar, não precisamos viver de sobras ou migalhas, mas fluímos constantemente, recebendo e dando, porque a fonte que nos alimenta nunca seca.

Carlos Maranhão

Reflexão para o domingo, 30 de março de 2025

Cristo Ressuscitado, de Rembrandt (1606-1669)

Referente à perícope do Evangelho de João 8, 1-11

Uma das maiores forças da alma humana contemporânea é a sua intelectualidade, a capacidade de descrever, diferenciar, analisar e formar juízos e julgamentos. No povo israelita, essa capacidade foi exercitada pelo desafio de compreender e cumprir as leis divinas para o comportamento humano na sociedade.

Hoje, essa capacidade é indispensável para o desenvolvimento das ciências naturais, da técnica e suas aplicações na indústria e comércio. Podemos, por um lado, celebrar e intensificar essa qualidade na prática mas, por outro lado, podemos perceber que ela encerra em si grandes perigos: a análise fria, o calculismo para interesses de poder sobre outros e a falta de qualquer envolvimento emotivo e de promoção do desenvolvimento humano.

Enfim, a tendência de diferenciar, separar e analisar para obter um resultado, quando projetada no contexto social e nas relações entre os povos, pode gerar muitos conflitos, sem que essas forças e métodos possibilitem encontrar soluções pautadas na harmonia, na confiança e na compreensão entre diferentes partidos. Isso corresponde à paisagem das guerras atuais em diferentes locais do mundo e à falta de perspectivas para a paz.

A imagem dessa crise da alma humana é a da mulher adúltera no meio do círculo formado pelos fariseus e escribas para condená-la. Sim, a alma humana havia se separado da vida, do calor e da luz divinas, traíra sua ligação existencial com o espírito. Ela estava ameaçada pelas forças da morte. Nessa configuração, não haveria qualquer outra perspectiva além de sua condenação à morte. No entanto, antes mesmo de ela ser apresentada a Jesus Cristo, Ele, ao raiar do dia, havia se dirigido ao templo, onde as pessoas se reuniram ao seu redor para ouvir suas palavras. Suas palavras são vida, luz e espírito.

Sim, não há somente uma enorme tendência do intelectualismo dominar a maneira de pensar e atuar da humanidade hoje! Também existe um enorme anseio da alma, do coração humano pelas forças constitutivas e formadoras da vida e da paz, que no momento crucial e crítico da humanidade foram trazidas à Terra por Jesus Cristo.

Nenhuma das graves consequências do comportamento humano são apagadas da memória divina. Jesus escreve na Terra os efeitos negativos do comportamento humano. Mas, ao mesmo tempo, Ele acredita na humanidade, se confessa a ela e a estimula a traçar o seu caminho para o futuro, rumo a uma nova ligação com o mundo divino e a uma nova maneira de pensar, capaz de superar as crises e transformá-las em grandes oportunidades de desenvolvimento.

A vida religiosa, a oração, a celebração dos sacramentos é um mergulhar nesse novo âmbito do pensar vivo, da vida e da luz de Cristo, que vão nos conduzir ao raiar de um novo dia! O dia em que do centro da alma humana não mais vai predominar a tendência de crítica e julgamento de outros, mas vai irradiar a devota força crística do amor e da fraternidade, criando novos mundos!

Helena Otterspeer

Reflexão para o domingo, 23 de março de 2025

Referente à perícope do Evangelho de João 6, 1-15

 

A multiplicação dos pães não é apenas uma demonstração do poder divino, mas uma revelação profunda sobre a verdadeira natureza da abundância e sobre como Deus deseja que vivamos nossa relação com os bens deste mundo e com as outras pessoas. A economia tradicional é fundada sobre o princípio da escassez. Desde os primórdios, aprendemos que há recursos limitados e que, para sobreviver, precisamos administrar, competir e acumular. Quem tem o poder de distribuir muitas vezes preserva a abundância para si e deixa apenas as migalhas aos outros. Quem vive na escassez, por sua vez, teme perder o pouco que tem e almeja sempre aquilo que lhe é negado. Essa lógica domina o mundo, mas não o Reino de Deus. No deserto, onde cinco mil homens, além de mulheres e crianças, se reuniram para ouvir Jesus, havia fome e pouca provisão. Mas ali, o Senhor quis nos ensinar um princípio superior. Diante da multidão faminta, Jesus não se deixou dominar pelo medo da escassez. Tomou os poucos pães e peixes que lhe foram oferecidos, deu graças e começou a distribuí-los. E à medida que partia e repartia, a comida se multiplicava. O milagre não aconteceu antes da partilha, mas durante a partilha. Cristo não multiplicou os pães para que cada um acumulasse para si, mas para que todos recebessem o necessário.

Se confiarmos apenas no que vemos e tocamos, viveremos reféns da lógica da falta. Mas se nos abrirmos à realidade espiritual, compreenderemos que Cristo é o verdadeiro administrador da abundância. Ele não apenas reparte o pão material, mas nos dá o Pão da vida. Isso significa que, ligados a Ele, não precisamos temer o futuro, nem cobiçar o que o outro tem. Pois a riqueza que vem de Deus não se mede por bens acumulados, mas pela paz do coração, pela generosidade de espírito e pela confiança de que nunca nos faltará o necessário, quando do coração emana o espírito da verdadeira fraternidade.

 

Carlos Maranhão

Reflexão para Domingo 16 de março de 2025

 

Referente à perícope do Evangelho de Lucas 11, 29-36

Nunca é fácil reconhecer os sinais dos céus, seja o de Jonas em sua época, seja o de Cristo mais tarde. Tínhamos, e temos cada vez mais, a tarefa de desenvolver nossa liberdade e reconhecer, em liberdade, os sinais dos céus.

Não haverá um sinal glorioso ou muito visível. Encontraremos nos céus os sinais mais sutis: em uma vivência no Ato de Consagração do Homem, em uma oração ou no encontro com um ser humano, em uma providência do destino ou depois de passamos por uma crise. Alguns sinais só perceberemos na retrospectiva.

Depende de nós estarmos atentos e reconhecemos os sinais dos céus. O Cristo quer despertar essa atenção em nós. Assim, ele pode se revelar através desses sinais.

Julian Rögge