“Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará.”
Efésios 5,14
No Evangelho de hoje, Cristo chama o jovem de Naim de volta à vida. Ele o prepara para uma nova tarefa na Terra. Hoje em dia as palavras de Paulo acima podem nos orientar. Elas são muito atuais. Diferente do jovem falecido que recebe a atuação direta de Cristo, nós precisamos dar os primeiros passos nessa atuação. Nosso desenvolvimento está em nossas próprias mãos. Precisamos despertar para o mundo espiritual e reconhecer seu atuar na Terra. Levantar e despertar nosso verdadeiro ser. Nosso ser eterno que não está submetido à morte. Desta forma nos preparamos para ouvir o chamado do Cristo a fim de nos erguermos como seres espirituais atuantes na Terra em sua luz: “Levanta-te”.
Fra Angelico – Na Roda dos anjos vão entrando os seres humanos.
„Como as altas estrelas giram
Eternamente em harmonia,
Assim o curso das nossas vidas
Deve ser claro como elas.
No pequeno e no grande
Quer Deus se manifestar!“
Assim começa (traduzida livremente aqui) uma canção alemã… De fato, quão harmonioso se nos revelam os ritmos cósmicos do dia e da noite, das semanas e dos meses, das estações do ano! Como podemos sentir que a nossa vida é carregada por estes ritmos cósmicos, expressão da atuação grandiosa de seres divinos!
No entanto, cada criatura na natureza precisa de um corpo e assim precisa de dispor de algo deste imenso manancial do universo. Quanto mais complexo um ser vivo, mais ele precisa extrair algo do seu meio ambiente.
Uma criança quando nasce é ainda bem desprovida, nua não possui ainda nada, mas para crescer e se desenvolver precisa de recursos, de experiências e aprendizados. Ela precisa se enriquecer para vir a ser um ser humano, que poderá mais tarde agir com autonomia no mundo. Hoje se levanta com grande urgência a questão: Como a humanidade pode dispor dos recursos naturais sem destruir o equilíbrio de vida na Terra?
Na verdade, o que cada ser humano utiliza como se fosse sua propriedade é apenas um empréstimo que ele toma do universo, dos deuses, incluindo o seu próprio corpo. Temos uma grande dívida para com os Deuses, como expressamos no Pai Nosso.
De uma forma ideal, Eu empresto em reverência substância divina para a minha existência na Terra. Eu disponho dela para poder me elevar ao plano divino, para dotar a minha alma de sentidos superiores, para abarcar a sabedoria divina, para deixar fluir a minha gratidão para Deus, para dedicar todas as minhas ações para o prosseguimento da obra divina, para um futuro glorioso.
No entanto, diante do estado de calamidade em vários lugares da Terra e na humanidade realmente se deveria questionar: “São os recursos da natureza propriedade do ser humano? Pode ele os utilizar a seu bel prazer para acumular riquezas, produzir sempre vez mais, a procura somente de lucros? Qual o sentido de todo o esforço da humanidade na técnica e na ciência se não para trazer frutos para a continuação da obra divina de luz e vida?
Cultivemos, portanto, com empenho nossa relação com o mundo divino – a nossa pátria primordial – pois deveríamos tentar solucionar o grande enigma da nossa existência: Por que o mundo divino investiu tanto no ser humano, o tornou tão rico, lhe concedendo a consciência, a fala, a escrita, as artes, as ciências? O que ele como ser espiritual pode gerar de novo, retribuindo o que recebeu e acrescentando o seu elemento especificamente humano à obra divina?
Quando deixamos as nossa tarefas cotidianas e nos dirigimos ao Ato de Consagração do Homem, realizamos um ensaio do que pode ser a realização da meta espiritual da Humanidade. Ouvimos a palavra do evangelho, em veneração à revelação de Cristo. Um dia esta palavra será acolhida com bastante calor em nosso coração, ela queimará como uma brasa que nos levará a querer oferecer a nossa própria substância individual para a vida do mundo. Assim nos uniremos ao feito do Cristo, assim poderemos nos erguer no momento da comunhão e dirigir o nosso corpo ao âmbito do altar para participar, comungar com as forças divinas, que levam à evolução universal. Cada um que se aproxima do altar acrescenta o fruto do seu desenvolvimento individual à obra divina. E o círculo da vida, a roda da vida crescerá e se expandirá!
Os sentimentos do samaritano curado nos indicam o que é uma resposta legítima à benção recebida. Esses sentimentos nos mostram o que é uma experiência real da vivência do encontro com o Cristo. Ela começa com a consciência de sua cura. Ele volta e agradece efusivamente pelo benefício recebido, com gesto de adoração. Em Jesus notamos uma reação surpreendente, ao constatar que só um estranho retornou para agradecer. Sua fé funcionou como uma certificação da benção recebida. Para nós, humanos, a vida significa que somos desafiados de várias maneiras todos os dias a encontrar nosso caminho na vida cotidiana do mundo. Como cristãos, sabemos que nosso objetivo é a realização de nossa humanidade. Se seguirmos os sinais da cura e da fé em nossas vidas, não perderemos o caminho para essa realização. Esses sinais existem porque Cristo está vivo e nos acompanha ate o fim dos tempos. A presença de seu reino pode ser experimentada por nós, humanos, quando abrimos nosso coração e isso foi o que o samaritano fez. Sua fé o ajudou. E quanto aos outros nove curados, por que não retornaram para agradecer? Eles nos dizem algo sobre as oportunidades perdidas em nossas próprias vidas, sobre as curas que tomamos como garantidas, sem nos darmos conta dos milagres que cotidianamente ocorrem em nossas vidas. Eles nos dizem algo sobre a falta do cultivo da gratidão em nosso mundo. Eles nos dizem algo sobre dar e receber. Quantas vezes por dia a alegria e o agradecimento ocorrem no contexto de dar e receber? Quantas vezes abrimos nosso coração quando estamos lidando com outras pessoas? Sempre que encontramos cura em nossas vidas, podemos acreditar, que damos passos para o encontro com Cristo.
Ao observarmos arbustos e árvores percebemos dois gestos bem diferentes. Arbustos crescem com vários galhos e não criam um forte tronco central. Sua força se divide entre todos os galhos. Árvores tem um tronco mais visível e mais forte. Sua força é mais concentrada no tronco. Isso lhes dá força de se manterem nos ventos e tempestades.
Em Marta e Maria encontramos esses dois gestos da natureza. Marta faz muitas coisas ao mesmo tempo, dispersando suas forças em várias tarefas. Maria concentra suas forças e ouve as palavras do Cristo. As duas realizam gestos contrários.
Na nossa vida é importante não nos dispersarmos em nossas tarefas. Precisamos a força de nos concentrar para formar um ‘tronco’ forte. Isso é importante para qualquer tarefa.
Para a vida religiosa a concentração é indispensável. Precisamos dela para orar, para celebrar um sacramento em conjunto e para ouvir a palavra de Deus. Através da prática religiosa fortalecemos a nossa individualidade, o nosso ‘tronco’, que nos mantém eretos nas tempestades da vida.
No Evangelho de hoje há um gesto que não encontramos nem no reino mineral, nem no reino vegetal. Ele começa a se desenvolver no reino animal, mas só entre os seres humanos pode realmente mostrar seu valor. Isso é a livre ação em prol do outro, a ajuda para o outro. No Evangelho de hoje o pedido de ajuda possibilita o atuar do Cristo.
A ajuda para o outro ser humano é uma força que forma comunidades. No pedido de ajuda para o outro, como o encontramos no Evangelho, também atua essa força. A cultivamos nas pequenas e grandes ações do dia a dia. Quando ajudamos outra pessoa, quando percebemos uma necessidade em uma comunidade e a sanamos e quando pedimos em uma oração ajuda para alguém que a precisa.
Pouco a pouco formamos assim comunidades. Comunidades que formam um recipiente para as forças do Cristo. Através delas Ele pode atuar na Terra.
Heráclito, o antigo iniciado de Éfeso cunhou nas palavras: „tudo flui“ (Panta rei) uma profunda verdade. Tudo está em constante transformação, em constante devir. No fluxo da transitoriedade das coisas o ser humano pode sofrer muito nas crises do seu destino, sem poder ver o sentido dos acontecimentos, sem poder discernir a vontade divina, a meta espiritual no desenvolvimento da Terra. Ele então se encontra mendigando como o cego de Jericó à beira do caminho, que não percebe que está se manifestando diante de si uma força divina, eterna que já atua desde os primórdios dos tempos e está construindo o futuro. Ele se encontra deploravelmente à margem do caminho, à margem dos acontecimentos decisivos.
No entanto, o ser humano é questionador, ele quer romper as muralhas da transitoriedade para fundamentar sua existência no eterno, no espiritual. Assim o cego questiona sobre o movimento da multidão e fica sabendo que Jesus de Nazaré está passando! O cego eleva sua voz e chama por Jesus, filho de Davi. Nas suas palavras reside o sentido pela atuação do eterno no mundo sensível, transitório. Davi foi escolhido por Deus, desde sua infância, foi ungido por Samuel, se tornou o rei dos israelitas, apesar de muitas perseguições e perigos. Ele teve a visão do templo em Jerusalém, que então pode ser construído por seu filho Salomão. Enfim, apesar de todos os seus desvios e erros, ele conseguiu acolher em sua alma a força messiânica prometida para o povo israelita. Em seus salmos ouvimos palavras que mais tarde foram proferidas por Cristo, Ele mesmo!
Duas vezes se ouve o clamor alto do cego. Jesus Cristo para, resgatando aquele que se encontrava à beira do caminho e inserindo-o no fluxo dos acontecimentos. Jesus Cristo pergunta pela intenção do cego, sua pergunta é um estímulo para que este se torne consciente da sua natureza espiritual e aspire por fundamentar sua existência neste âmbito. O cego responde: “que Eu veja!“. No “Eu sou“ se manifesta o elemento espiritual eterno no fluxo da transitoriedade terrena. O cego, tendo ele mesmo despertado a força crística em si, faz a diagnose da sua “doença“ e prescreve a sua “cura“. Jesus Cristo apenas sela este processo com as palavras: “a tua fé te curou“. Com estas palavras os olhos do cego se abrem, como se caísse a muralha que o separa do espírito, como se ele tivesse encontrado a fonte de uma nova existência, a fé. Também a cidade de Jericó, considerada a mais antiga cidade do mundo, se formou como um oásis na região árida da Judeia, em torno de uma fonte. Outrora, quando o povo israelita, liberado do jugo egípcio, voltou à terra prometida e atravessou pela primeira vez o Jordão, Jericó foi a primeira cidade que “conquistou“. As poderosas muralhas caíram diante da força espiritual dos israelitas que, guiados por Joshua (outra forma do nome Jesus) e carregando a arca da Aliança com as tábuas da lei, circundaram por dias as muralhas da cidade de Jericó ao som das trombetas. Assim o povo israelita pôde conviver com os povos vizinhos exercendo sua missão espiritual.
O cego que se tornou vidente, vidente espiritual, segue o Cristo e manifesta a atuação divina em sua atuação. Agora ele mesmo será um portador do Espírito, um cristão e outros poderão conquistar a visão espiritual e louvar a Deus em pensamentos, sentimentos e ações.
Com o cego curado continuamos nosso caminho em várias etapas, até a festa de Micael. Queremos estar imbuídos pela força da fé. Queremos poder contribuir para o fluxo dos acontecimentos, que no momento muito nos abalam, no sentido de Cristo. O seu caminho o levou das profundezas de Jericó, situada a cerca de 300 m abaixo do nível do mar, às alturas do Gólgota em Jerusalém, quase 1000 metros mais elevada. Para os olhos exteriores se desenrolou o maior drama da Humanidade. Jesus Cristo sofreu a morte da Cruz! Para os olhos espirituais se iniciou a Ascensão da natureza terrena do ser humano para uma existência espiritual eterna!
Qual o significado do pedido de Jesus aos apóstolos de dar de comer à multidão? O feito pertence à preparação dos discípulos em seu primeiro envio para ensinar o evangelho e curar. Nesse contexto a multiplicação dos pães não se trata meramente de saciar a fome física, mas sobretudo a fome espiritual das pessoas. O ensinamento de Jesus com relação aos discípulos, que se estende a nós em nossos dias é de nos outorgar seu poder de sanação do mundo. Os discípulos pensavam que não tinham nada ou quase nada. E a verdade é que tinham bastante como nós temos bastante. Temos bênçãos de todo tipo, bênçãos materiais, talentos, tempo, habilidades e bênçãos espirituais. Aqui vale o princípio da abundância, não da escassez. Podemos achar que não temos muito, mas temos. E Ele não pede o que não temos. Na história, pão e peixe são multiplicados. Jesus pode transformar qualquer coisa em qualquer coisa que ele queira, como Ele fez quando transformou água em vinho. Se exercitamos para fortalecer nossos músculos, teremos músculos mais fortes, se exercitamos para executar um instrumento com maestria, assim será. Se plantarmos trigo, teremos trigo. Se plantarmos milho, teremos milho. Jesus nos ensina a sermos multiplicadores. Consequentemente, o princípio da multiplicação divina de Deus pode ser considerado multidimensional. Se queremos ser abençoados, aprendamos a oferecer ações de bondade. Dar é dar-se de si mesmo. Começamos a operar em nossa vida hoje para sermos como Jesus amanhã. Quando Ele nos alimenta, Ele nos ensina também a nutrir. Ele nos pede para alimentar as multidões oferecendo os dons com os quais fomos dotados. À medida que distribuímos o alimento espiritual, ele aumenta e enche a nossa alma. Assim como a multidão recebeu o alimento físico dos pães e peixes em ação de graças, nós recebemos o alimento de pão e vinho em comunhão pelo alimento espiritual do corpo e sangue do Cristo quando nos aproximamos dele com fé.
Hoje lemos no Evangelho a imagem do filho mais novo que faz seu caminho, cai em si, se levanta e muda a direção da sua vida.
Há também a imagem do irmão mais velho. Ele fica com raiva e não consegue se alegrar com a volta do irmão. Porém, ele nos mostra também uma qualidade: a de servir ao pai com grande fidelidade, observando suas ordens. Para a nossa vida, as qualidades dos dois irmãos são muito importantes. Podemos aprender muito com eles.
Precisamos desenvolver a força de perceber quando estamos em um caminho errado, e a vontade de reconhecer nossos erros mudando o rumo da nossa vida. Precisamos também da força de servir com fidelidade ao que reconhecemos como verdadeiro.
Unindo as qualidades dos dois irmãos, nós nos tornaremos bons colaboradores. Bons colaboradores na grande obra do Deus-Pai.
Encontramos logo a trave no olho do outro, mas não a enxergamos em nosso próprio olho. É muito mais fácil observar as necessidades de desenvolvimento do outro do que nossas próprias.
Desenvolver uma consciência de nós mesmos e enxergar onde precisamos nos desenvolver é um caminho muito árduo. Não é fácil ver as próprias sombras, falhas e erros. Porém, é um passo necessário em nosso caminho de vida e em nosso desenvolvimento. Pouco a pouco esse caminho nos dará a possibilidade de trabalharmos nossas sombras e de fazermos aparecer nosso verdadeiro ser. Com o percorrer desse trabalho e a transformação de nossas falhas, teremos cada vez mais a possibilidade de ajudar o outro. Esse caminho de desenvolvimento nos dará as ferramentas para nos colocarmos a serviço do outro, da Terra e do mundo espiritual. Através desse caminho de autodesenvolvimento, nós nos tornaremos cada vez mais colaboradores dos céus.
Batismo: rio Jordão embaixo a esquerda, derramando águas para baixo.
Simão se prepara com seu irmão André para a jornada, partindo da frutífera região da Galileia ao norte para a árida região da Judeia ao sul, seguindo assim o curso do rio Jordão. Jordão significa em hebraico “aquele que corre para baixo, sempre descendo”. De fato, o rio Jordão nasce ao norte nas altas encostas do Monte Hermon, forma o mar da Galileia aos pés da montanha e deságua no Mar Morto no sul da região. Como seu nome indica desce das alturas da sua nascente até as profundezas do Mar Morto, região em que se encontra o ponto mais baixo da superfície da Terra.
Chegando à Judeia, Simão ouve o chamado de João Batista: “mudai os vossos sentidos” e, com seu irmão, é batizado nas águas do Jordão. Também nessa ocasião Jesus é batizado por João Batista nas águas do Jordão. Pouco depois, André e Simão se encontram com Jesus, que logo anuncia que Simão deverá se chamar Pedro.
Jesus e também Pedro e André retornam para a Galileia. Um dia, Jesus vendo Pedro e André pescarem no mar da Galileia reconhece-os como verdadeiros pescadores, ou seja, pescadores de almas humanas e os convoca para serem seus discípulos. Assim, na atmosfera paradisíaca do mar da Galileia com suas margens verdes, André e Pedro seguem Jesus e se tornam testemunhas da Sua nova atuação. Ele cura, libera possuídos dos espíritos impuros e anuncia o evangelho. As palavras de Jesus têm poder imediato; ao serem pronunciadas, logo revelam sua força divina na cura e na transformação do mal em bem. Na casa dos dois irmãos Jesus cura a sogra de Pedro e logo afluem multidões procurando consolo e cura. Pedro também segue seu mestre quando este se retira em lugar calmo para orar…
Chega então o momento em que Jesus concede seu poder aos doze discípulos, que agora são enviados para atuarem eles mesmos em nome do Cristo. Eles poderão agora curar, livrar os possuídos de seus espíritos impuros e anunciar o evangelho.
Jesus segue enfim com seus discípulos para Cesárea Filipi, próxima à nascente pura do Jordão. O que poderia ser uma vivência da força primordial divina nas nascentes puras do Jordão, havia sido pervertido pela presença romana acentuada pela dedicação do nome do lugar ao César. O César usurpava a natureza divina para si e exigia que fosse adorado e venerado como um Deus. Nesse campo antagônico das qualidades de veneração das forças divinas por um lado, e da exaltação dos poderes terrenos por outro lado, Jesus coloca a pergunta mais significativa aos seus discípulos: “O que as pessoas dizem que Eu sou?” E logo a seguir: “E vós, que dizeis sobre quem eu sou?”
Como num relâmpago na sua consciência, abrangendo todos os momentos em que já tinha vivido com Jesus, desde a Judeia com João, até a Galileia como testemunha de Jesus, e agora em Cesárea Filipi, Pedro logo responde: “Tu és o Cristo!” Esta é a verdadeira fonte das águas, da vida pura, o reconhecimento do Cristo em Jesus! Não existe momento mais significativo para um ser humano do que este. Trata-se de um momento de transformação radical, mas também de grande desafio, pois o Cristo na Terra terá que passar pelos vales das trevas, pela morte, para conquistar a nova vida. Este momento pode ser usurpado pelas forças adversas que, evitando o percurso pelas regiões áridas do destino, reivindicam para si o poder divino. Pedro tenta convencer Jesus a não ter que passar pelas provas das trevas e morte na Terra…
Neste sentido este trecho do evangelho inaugura um caminho para a alma humana na segunda metade do ano cristão: o caminho do Jordão. Primeiro das alturas das águas puras para as regiões férteis, ou seja, do despertar da consciência espiritual individual para uma nova atuação sanadora. Depois seguindo pelos áridos vales da Terra, ou seja, pelos escuros abismos do destino até a morte, não para se subjugar as forças da morte como no Mar Morto, mas para poder conquistar a nova vida. Este caminho é percorrido todo ano em dez etapas até a época de Micael. Este caminho dos evangelhos nesta época pode nos fortalecer interiormente ao saber que neste necessário desafio estamos sempre acompanhados pelo Cristo, continuando a levar o Seu espírito na tarefa de cura e de transformação da Terra.