
Referente à perícope do Apocalipse de João 3, 1-6
O céu e a Terra foram criados pelos sete Espíritos Criadores, pelos Elohim que, na Gênesis, tudo criaram por meio da Palavra divina. O céu e a Terra foram criados como uma unidade — a unidade da vida; a unidade da vida que compreende a comunhão de todos os nove seres divinos hierárquicos no céu com os seres humanos na Terra. Essa unidade sustenta a existência de cada ser vivo, tanto no céu quanto na Terra. É no entretecer dessa vida que o ser humano foi formado. No seio da Divindade, o ser humano pôde ouvir a sinfonia da vida e acolhê-la em seu próprio corpo como um sopro vital. Contudo, o ser humano afastou-se cada vez mais dessa unidade, a fim de se tornar um ser livre.
Hoje, a sinfonia da vida já não pode ser ouvida. Em vez disso, o ser humano ouve o ruído da civilização e a destruição de muitos dos fundamentos da vida. Diante disso, sente-se impotente e ameaçado, tanto no corpo quanto na alma.
A unidade original suprema — do Logos, da Trindade, da Vida, do céu e da Terra, da comunhão entre os seres angélicos e a humanidade — será plenamente reconquistada ao final da evolução terrestre: na Nova Jerusalém. Essa unidade já vive, de modo profético — como uma célula da nova Terra —, no Filho do Homem. Ela também atua, em estado potencial, em cada uma das sete comunidades — as comunidades cristãs. Em cada uma delas, manifesta-se uma qualidade divina do Filho do Homem, mas também persiste o desafio — ainda não totalmente superado — da transformação dos sentidos e da superação de todas as forças da morte.
A origem das forças da morte deve ser buscada no ser humano cujas ações contrariam a vontade de Deus; no ser humano que ainda não contribui para a viva obra divina.
O ser humano, aprisionado em si mesmo, precisa despertar para a grandiosa e elevada meta divina. Esse despertar ocorre por meio do chamado do seu próprio destino — um chamado que, a princípio, é sentido como a invasão de um ladrão. Trata-se, contudo, do anúncio da vinda do Filho do Homem como força de vida no interior do ser humano, no seu “Eu”. O “Eu” humano divino, uma vez desperto, reconhece a sua hora e, juntamente com os seus companheiros celestiais, tece o corpo espiritual — a veste branca do Homem Espírito. Assim, o ser humano é acolhido na viva comunidade espiritual, e o seu nome é inscrito no Livro da Vida. Lá ele brilha pelas forças do amor ao divino e da escolha livre para o bem universal.
Helena Otterspeer