Referente à perícope da Carta de Paulo aos Efésios 6, 10-14
A armadura de Deus
O medo, seja medo de guerra, de crimes, de doença ou de qualquer outra natureza, parece ser um sentimento constante na existência do ser humano. Somente a criança pequena, nos seus primeiros anos de vida, sente-se dentro de um universo de paz e de segurança.
O apóstolo Paulo enfrentou em suas viagens todo tipo de perigos e de privações, como ele relata na segunda epístola aos coríntios (11, 24-27). Ele conseguiu, em lugar de qualquer segurança exterior, vestir se de uma proteção espiritual que ele, pensando na figura do soldado romano, chama de:
A armadura de Deus.
Qual seria para nós, hoje em dia, uma possibilidade de nos fortalecermos com uma armadura dessas, com uma força espiritual?
No Ato de Consagração do Homem, as diferentes etapas sempre são iniciadas pelas três cruzes que os participantes realizam com a mão direita:
Uma cruz diante da nossa fronte acompanhada pelas palavras pronunciadas
pelo sacerdote:
O Deus Pai seja em nós.
Uma segunda cruz à frente do nosso queixo, enquanto se ouve as palavras:
O Deus Filho crie em nós.
E uma terceira cruz diante do nosso peito:
O Deus Espiríto ilumine a nós.
Essas três cruzes, feitas com a mão ou somente em pensamento, podem ser uma ajuda em qualquer momento da vida quando precisamos do apoio da Divina Trindade. Com a primeira cruz, pedimos que Deus permeie todo o nosso ser, “da cabeça aos pés”, corpo, alma e espírito. Com a segunda, unimos o nosso agir “do coração às mãos” à atuação do Cristo, na medida em que fazemos tudo o que pudermos com dedicação e amor. Com a terceira, sentimos a luz espiritual em todo o nosso ato de reconhecer algo ou alguém. Desejamos que os nossos pensamentos entrem na claridade do espírito.
Dessa maneira, colocamo-nos juntos e ao lado do arcanjo Micael, em sua luta contra o dragão. Este, o adversário do ser humano, tenta sempre impedir o acesso nosso ao espírito. Principalmente quando queremos elevar a nossa alma ao divino, o diabo procura interferir.
Sempre na passagem de um estado para outro, por exemplo, ao acordar e ao adormecer, ao começar e ao terminar a meditação ou a oração, ou em momentos decisivos, é quando precisamos da máxima atenção e da maior coragem. É quando, em um instante de concentração, fazemos o sinal das três cruzes, que servirá como a armadura do arcanjo Micael.
Friedhelm Zimpel