Reflexão para o domingo, 6 de setembro

Referente à perícope do Evangelho de Lucas 10, 1-20

“Eu vos mando como cordeiros para o meio dos lobos. Não levem dinheiro nem bolsa nem sandálias”.
Os apóstolos de Jesus, que iriam percorrer as aldeias por onde ele pensava viajar, não devem levar nem bolsa de dinheiro nem mochila nem sapatos. Hoje em dia, seria difícil viajar assim, desprovido de qualquer característica da atual civilização. Muitos séculos atrás, os adeptos de Francisco de Assis (1181–1226) tentaram seguir a rigor esses preceitos de Jesus. Como mendigos, passavam pelas aldeias, entregando-se completamente à benevolência dos moradores, servindo a Deus por meio dessa conduta de vida.
Muitas pessoas que atualmente seguem como peregrinos o chamado caminho de Santiago na Europa, sentem o conforto da independência relativa e transitória de uma vida sem compromissos e sem horas marcadas, mas, geralmente, levam além da bagagem pelo menos o cartão de crédito.
Por incrível que pareça, sempre houve e ainda há hoje centenas de milhares de mensageiros do mundo celestial que chegam diariamente à Terra sem meios, incondicionalmente entregues à boa vontade das pessoas, estando nus, dependendo existencialmente de desconhecidos. Partem do mundo da Verdade, do Belo e do Bom e chegam ao mundo do vento frio, da fome e do crime. São as crianças que diariamente se encarnam em nosso mundo.
Bem, geralmente não nascem “no meio de lobos”. São filhos desejados, esperados e acolhidos com todo o amor do coração por parte de pais e familiares, que dão todo o apoio necessário. Qual é a mensagem que eles trazem? Eles ainda não falam, mas o primeiro sorriso já é a prova de que eles vêm do mundo onde reinam a pureza, a alegria e o amor.
Dessa maneira, todos nós também entramos neste mundo. “Nu vim do colo da minha mãe, nu hei de partir um dia” (Jó 1,21). No último dia da vida na Terra, não poderemos levar nada para essa viagem, como ocorreu com os apóstolos. Seremos esperados, acolhidos e abrigados pela comunidade das hierarquias espirituais. Elas olham para o que cada alma traz como fruto da sua vida terrestre. E, assim como um garimpeiro procura os minúsculos grãos de ouro no meio da lama, os seres espirituais procuram pequenas faíscas de luz, naquilo que a alma traz consigo. Tudo o que está permeado pelo amor de Cristo, seja no pensar, nas palavras e nos atos, brilha mais que o ouro terrestre.
No mundo terrestre, as almas que se encarnam trazem o brilho celeste através do seu sorriso, sua ingenuidade, seus sonhos, suas novas iniciativas e novas metas. No mundo espiritual, as nossas almas levam como um tesouro valioso as alegrias e os sofrimentos, as derrotas e vitórias, desde que sejam permeadas pelo amor do Cristo.
Assim, podemos entender por que Jesus exige que os apóstolos nada levem quando percorrem os seus caminhos.

Friedhelm Zimpel