Referente à perícope do Evangelho de João 6, 26-35
Vejamos esta charada. O que é o que é?
ELE é enterrado vivo, renasce ereto, amadurece dourado, mas logo é cortado, batido cruelmente, moído, amassado, afogado na água, queimado no fogo e finalmente vendido.
Tudo isto não seria suficiente sofrimento? Muito pelo contrário:
Novamente é cortado, quebrado e mordido, misturado com água e finalmente engolido.
Neste domingo, comemoramos o segundo domingo da época da Paixão de Jesus Cristo. Qual foi a primeira sensação de Cristo, depois do batismo de Jesus no rio Jordão? O que sentiu o Espírito Divino, após se encarnar no corpo mortal de Jesus, depois de jejuar 40 dias e 40 noites? Foi o que qualquer pessoa sentiria nesse momento: fome. Esta necessidade acompanha o ser humano, já desde milênios até os dias de hoje. Mesmo em nosso mundo moderno, com todo o avanço da ciência e da técnica, em muitos países há milhões de pessoas sofrendo fome. Para um Ser Divino onipotente, deveria ser fácil vencer esse flagelo da humanidade por um simples ato mágico, a partir de seu poder divino. Foi isto que o tentador sugere nesse instante: “Se és o Filho de Deus, dize para que estas pedras se tornem pães” (Mateus 4, 3).
O Cristo consegue rejeitar esta tentação. Ele sabe que não é a sua missão afastar todo o sofrimento da humanidade. Sua missão é outra: Plantar nos corações das pessoas a semente de uma nova faculdade, a semente do amor abundante e incondicional. Com esta nova faculdade, ele alimenta muitos com pouco, como ocorre na alimentação das cinco mil pessoas. Com esse amor, ele cura as diferentes enfermidades. Com esse amor transbordante, ele se une intimamente aos seus discípulos na Última Ceia, e com esse mesmo amor radical entrega-se completamente, de corpo, alma e espírito, à morte na cruz, para a salvação da humanidade.
Contemplando a charada acima, podemos pensar em toda a série de transformações a que o grão de trigo costuma ser submetido no caminho da semente até chegar à pequena forma arredondada de pão chamada hóstia. No Ato de Consagração do Homem, que é celebrado como missa renovada na Comunidade de Cristãos, podemos sentir o amor infinito do Cristo. Recebendo a comunhão, na forma da pequena hóstia de pão e do gole de suco de uva, sentimos o seu imenso amor que acompanha o caminho da nossa vida como “o doador das alegrias e o consolador nas dores da existência.”
Friedhelm Zimpel