Reflexão para o domingo, 17 de abril

Domingo de Pascoa

Referente ao perícope de Marcos 16, 1-8

As forças femininas da alma humana buscam, na aurora do domingo, o Sol do Novo Mundo.
Ele acaba de nascer e precisa fortalecer seu envoltório.
Elas vem carregando o óleo aromático para seu fortalecimento sem o saber.
Mas, ele não está lá.
Um tremor atravessa a alma.
Ela percebe que a unção não se dará mais em um corpo morto.
O óleo aromático será agora os pensamentos e ações humanos que encontram o Sol do Novo Mundo no próprio coração.
Lá o ressurreto recebe seu envoltório fortificante.
O coração em júbilo pode pronunciar: “Cristo em nós!”

Viviane Trunkle

Reflexão para o domingo, 10 de abril

Domingo de Ramos

Referente ao perícope de Mateus 21, 1-11

Observamos na natureza um fogo na palha. Ele acende rápido, as chamas crescem e o calor aumenta. Logo em seguida o fogo apaga. Só restam algumas cinzas.
Na multidão se acende um grande entusiasmo com a entrada do Cristo em Jerusalém. A alma do povo reconhece a grandeza daquele que está chegando. Porém, a multidão não tem força para sustentar esse entusiasmo. Ela não consegue sustentá-lo, porque ele não é carregado pela força da individualidade. Assim como o fogo na palha, o entusiasmo apaga rápido. No grito da multidão “Crucifica-o, crucifica-o” torna-se visível que só restam as cinzas do entusiasmo.
Como é nosso entusiasmo em relação ao mundo espiritual, ao Cristo? Como o fogo na palha? Ele tem a força de se sustentar também em momentos difíceis?
Aumentamos essa força ao fortalecermos nossa ligação com o mundo espiritual: em momentos de silêncio e oração, na prática da vida religiosa em uma comunidade e na busca individual.
Pouco a pouco, a brasa que sustenta o fogo do entusiasmo pelo mundo espiritual e pelo Cristo arderá em nossos corações.

Julian Rögge

Reflexão para o domingo, 3 de abril

Época da Paixão

Referente ao perícope de João 8, 1-12

Quando naquele dia o sol se levantou em Jerusalém, o espírito do sol em Jesus Cristo se dirigiu novamente para o templo, o lugar em que o ser humano desde épocas muito remotas podia vivenciar a presença de Deus. Assim, o povo se reuniu ao seu redor disposto a ouvir suas palavras e a se colocar sob a sua luz divina, sob o seu calor. O seu ser se espalhou no âmbito do templo alcançando vários corações, mas também revelando todas as imperfeições humanas. A luz messiânica divina ainda não conseguia ser percebida como um novo elemento espiritual na Terra. Apenas um flamejar momentâneo tocava as almas e logo aparecia nelas a dúvida, a desconfiança, o medo. Ainda hoje as almas humanas ficam muito apegadas às convenções vazias, às tradições antigas e às ideias enrijecidas. O verbo vivo, a luz viva do Eu Sou, que se mostrava por breves momentos, ainda não conseguia despertar a confiança de todos; pelo contrário, em muitos espalhava medo, incerteza, até mesmo ódio. O que então se sucedeu, revelou uma imagem espelhada dessa condição humana. A mulher adúltera foi trazida pelos escribas para o meio do círculo. Assim, tornou-se evidente que a alma humana há muito já tinha rompido a sua ligação existencial com o espírito. Os escribas instigavam a atitude crítica do povo, para que a adúltera pudesse ser castigada com a pena de morte, enquanto Jesus tranquilamente escrevia na terra com o seu dedo. A destrutiva e exaltada atitude dos escribas contrastava com a atividade devota e concentrada de Jesus. Esta última deixava pressentir um futuro em que o ser humano dotado do Eu Sou de Cristo deveria conquistar a faculdade de se transformar, de se superar. Para tal, seria necessário que o ser humano viesse a conhecer-se a si mesmo, trilhasse o caminho do autoconhecimento, que conduz ao encontro com o Cristo. Foi então que os escribas, tendo percebido que eles mesmos poderiam ser tomados em questão, se retiram e a adúltera fica no centro, sozinha com Jesus. Uma imagem tão esperançosa de que um dia a alma humana poderá reatar sua ligação com o espírito, com o Cristo. Esta ligação tornará a alma forte, a protegerá de novos desvios. Dotada da graça e benevolência divina, a alma humana é encorajada a seguir para novas etapas de desenvolvimento, pois grandes coisas estavam acontecendo, assim como acontecem até hoje. Suas palavras ainda podem ser ouvidas hoje, como no passado naquela ocasião: “Eu Sou a luz do mundo, quem me segue não caminhará nas trevas, mas terá a luz da vida.” Podemos hoje, passados dois mil anos, pressentir, imaginar o que isto significa? Somos nós aqueles que se juntam ao Seu redor e que poderão realizar a Sua e a vontade do Pai? Somos aqueles que, a cada novo dia, percebem que agora o espírito do sol entra no templo do próprio coração para transformar e rejuvenescer o mundo?

Helena Otterspeer

Reflexão para o domingo, 27 de março

Época da Paixão

Referente ao perícope de João 6, 1-15

“Nem só de pão viverá o homem, mas da palavra que procede da boca de Deus”, diz o Cristo conforme Mateus 4, 4. A multiplicação dos pães no capítulo 6 do Evangelho de João, corresponde ao quarto sinal, dentre os sete, em que Jesus revela sua missão messiânica. O significado específico deste milagre se torna contundente neste quarto sinal, pois não só atende a sede do povo que é atraída pelo milagreiro, mas envia a mensagem para a humanidade futura, quando esta estiver em condições de compreender de que a nossa maior necessidade não é meramente de alimento físico, mas sobretudo de alimento espiritual. Muitas vezes, quando estamos enfrentando dificuldades, caímos na armadilha de olhar as coisas apenas do ponto de vista terreno. Existe um milagre maior que se possa imaginar do que as pessoas olharem nos olhos de outras pessoas e assim reconhecerem como filhos de Deus?
A multiplicação dos pães alude ao alimento espiritual que é nossa necessidade primordial como seres espirituais que somos. No mesmo capítulo 6, ele dirá “Eu sou o pão da vida”, antecipando a mensagem da Santa Ceia que ele vivenciará com os discípulos na Quinta-feira Santa. Eis o mistério da eucaristia, onde o vinho cresce em terreno pedregoso, onde a areia se torna manteiga e pão. E quando comemos do pão e do vinho transubstanciados em corpo e sangue de Cristo, compartilhamos do milagre da vida e bebemos e comemos a palavra sagrada de Deus. Quando Cristo diz a seus discípulos para recolher o resto que sobrou para que nada seja desperdiçado, ele alude ao princípio fundamental da abundância: não desperdiçar o que recebemos como dádiva diária de vida. Recebemos bênçãos abundantes, e Deus nos chama para sermos sábios em nosso uso de suas bênçãos.

Carlos Maranhão

Reflexão para o domingo, 20 de março

Época da Paixão

Referente ao perícope de Lucas 11, 29-36

De Cristo é exigido um “sinal dos céus”.
Uma nova tentação: Abusar das forças divinas para induzir a humanidade em uma direção errada. Também essa tentação é rejeitada. E com isso ressoa a palavra do “sinal  de Jonas”(Jonas 1 a 4). Este é, porém, o sinal dos três dias de repouso do Cristo na terra, assim como Jonas esteve por três dias no interior do “grande peixe” – uma imagem para a iniciação nos mistérios da Terra.
Temos aqui a indicação para a Paixão que conduzirá às profundezas da terra, e que através disso prepara a ressurreição. Com isso a Época da Paixão é iniciada de forma significativa. Cristo se depara com uma humanidade induzida em erro. Ele, porém, não se afasta dela, ele se aproxima, liga-se a ela.
Com a imagem do sacrifício no sinal de Jonas temos a possibilidade de vivenciar como a luz poderá brilhar na consciência turva da humanidade. Assim temos também a palavra iluminada ao final deste perícope: “Ninguém acende uma candeia e a põe em lugar oculto…”, e: “…então todo o teu corpo estará iluminado” – uma indicação significativa da corporeidade entretecida de luz que deve derivar da Paixão.

Tradução livre do livro “O Evangelho no decorrer do ano” de Hans-Werner Schroeder

Viviane Trunkle

Reflexão para o domingo, 13 de março

Época de Trindade

Referente ao perícope de Mateus 17, 1-9

Em nossa vida encontramos momentos nos quais vivenciamos nosso próximo transfigurado. Onde seu verdadeiro ser eterno se torna visível e conseguimos ver sua estrela. Isso pode acontecer ao olharmos nos olhos de uma criança, ao vermos alguém se empenhando em seu impulso de vida e quando sentimos verdadeiro amor por alguém. São momentos efêmeros.
No Evangelho de hoje lemos sobre a transfiguração do Cristo. Os discípulos subiram a montanha e vivenciaram o ser Divino do Cristo. Essa vivência durou pouco tempo. Eles precisaram voltar à Terra.
No dia a dia perdemos facilmente a consciência do ser eterno do outro. Não podemos mantê-la por muito tempo. As dificuldades, conflitos e sombras se sobrepõem a essa imagem verdadeira. Precisamos de um trabalho árduo para subir sempre de novo a montanha, de modo a vermos esse verdadeiro ser. O trabalho de sempre reconhecer o verdadeiro ser do outro nos ajudará em todas as relações sociais.

Julian Rögge

Reflexão para o domingo, 6 de março

Época de Trindade

Referente ao perícope de Mateus 4, 1-11

A existência do ser humano e da Terra obedece a uma sábia ordem cósmica, que pode ser deturpada na vida terrena, no tempo e espaço.
O corpo do ser humano se integra harmoniosamente nos processos de vida da Terra, em todos os reinos da natureza.
Sua alma e seu espírito, ao contrário, vivem nos ritmos ligados às hierarquias angelicais celestes.
As leis de seu corpo são diferentes das leis de sua alma e espírito. Seu corpo, por exemplo, está submetido às forças da gravidade, assim como as simples pedras. As forças da vida, as forças espirituais são as que elevam a natureza terrena para as alturas, como as plantas que crescem, os animais que se movimentam, os homens que pensam e agem livremente.
Desde que o ser humano deixou o Paraíso para trabalhar a Terra, seres adversos, seres caídos, expulsos do mundo espiritual, querem usurpar a corporalidade do ser humano para poder continuar a ter experiências e se desenvolver. Eles criam obstáculos para o desenvolvimento da alma e do espírito do ser humano.
Sendo esses seres mais poderosos que o ser humano, este estaria fadado a abdicar da sua alma e espírito, até a morte definitiva da sua alma.
Sem o espírito a existência terrena vai minguando e definhando como num deserto. Para um tal deserto foi enviado do mundo espiritual o espírito divino criador para restaurar a ordem de vida divina primordial, para que o ser humano supere as forças da morte e se torne um Ser Espírito vivendo com outros espíritos.
O espírito de Cristo é independente, livre, não sujeito a nenhuma influência externa: obedece a si mesmo, se determina a si próprio. Em Jesus Ele trilha e abre o caminho na Terra para que o Eu espiritual do homem possa também vir a agir como espírito de maneira soberana.
O Cristo chega à Terra em Jesus e se depara com a respectiva condição humana da época. O Eu do ser humano estava a ponto de despertar numa condição muito apegada à matéria e à corporalidade. Em outras palavras, a tendência para o egoísmo, ou seja o apego à existência corpórea já se fazia bem forte. Neste momento Jesus se depara com a primeira tentação, sendo impelido a deixar a ordem da vida na Terra pela possível interferência poderosa de Cristo. No entanto, ele se submete humildemente à sua condição humana, consciente ao mesmo tempo da sua meta divina e da colaboração divina incondicional. Jesus Cristo dirá mais tarde: “Tomai com o pão o meu corpo“ Em vez de falar por si, fala por seus discípulos e seus lábios proferem a palavra de Deus, que restaura a comunhão da alma humana com o espírito, o verdadeiro pão da vida.
Também nas outras tentações Jesus não reivindicará seu espírito em prol de sua existência terrena, mas de sua existência espiritual, assim como a de toda a humanidade e da Terra. O caminho do Cristo é o caminho do Eu Sou, cujo único poder é o poder do amor, do sacrifício da própria vida pela vida eterna, pela humanidade, pela Terra.
Diante de todas as ameaças e tentações atuais, confiemos em Cristo, que se revelará na ordem do cosmos, no curso dos tempos, aqui e agora! Com os combatentes na guerra, com os que procuram consolo.

Helena Otterspeer

Reflexão para o domingo, 27 de fevereiro

Época da Trindade

Referente ao perícope de Lucas 18, 18-34

Anos atrás, durante a grande corrida do Alasca para encontrar ouro, alguns homens foram longe para o interior do Alasca e nunca mais voltaram. Depois de um grande período de tempo, alguns outros homens que também viajaram para o interior procurando também ouro encontraram a cabana desses dois homens. Ao entrarem, encontraram dois esqueletos sentados à uma mesa com grandes quantidades de ouro em cima da mesa e ao seu redor. Na mesa havia uma nota descrevendo sua bem-sucedida busca ao ouro, tanto que ignoraram os avisos iniciais do próximo inverno, quanto mais extraíam, mais ouro encontravam, esperariam um pouco mais.
Uma nevasca entrou e eles ficaram presos, logo morreram de frio e sem comida. Eles encontraram seu ouro – mas perderam a vida! Eles perderam o controle de suas prioridades! Eis um exemplo da condição do jovem rico. Não se trata apenas do fato de ter quantidades de dinheiro e poder, trata-se do que de fato valorizamos. Onde colocamos nossas prioridades. Neste sentido, mesmo uma pessoa sem posses pode ainda padecer da síndrome do jovem rico, pois pode ter sua alma cheia de qualquer outra coisa que não seja o propósito fundamental da vida. Portanto quando Jesus diz: “vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu”, não o tomemos literalmente, mas sim no sentido do desapego. Qual a medida entre o desinteresse e o aferrar-se a todo custo por algo? Esse querer obsessivo por algo que na verdade nunca nos completa. Toda situação da vida é uma oportunidade para avaliarmos os motivos pelos quais almejamos algo e uma ponderação mais profunda pode nos ajudar a nos alinhar com o sentido mais profundo de nosso ser e isso certamente não será o acúmulo de bens, sejam eles materiais ou não.

Carlos Maranhão

Reflexão para domingo, 20 de fevereiro

Época da Trindade

Referente ao perícope de Mateus 19, 30 e 20, 1-16

Deus abarca toda existência cósmica. Seu olhar compreende toda a evolução do universo e do ser humano. Sua visão conhece o propósito de nossa missão na Terra. Somos centelhas deste ser. Enquanto seres espirituais tomamos parte da consciência divina. Enquanto seres terrenos “esquecemos” nossa visão pré-natal, e nos apegamos cada vez mais à matéria e a nós mesmos.

Muitas vezes temos a ilusão de que nossas obras pertencem somente a nós. E que nos cabe julgar nosso atuar e o atuar do nosso próximo. O Altíssimo tem um propósito para todos nós, e ao esquecermos disso, nos afastamos da consciência do ciclo de nossas sucessivas encarnações terrenas, onde cada um de nós está em um estágio evolutivo. Somente Aquele que tem a visão, pode dizer o que (e quanto) temos a receber.

A nós, cabe perceber que a obra por nós realizada, quando assumida como sacro ofício, como dedicação à evolução do universo e dos seres humanos, nos eleva a trabalhadores da vinha celeste sob a visão bondosa do Senhor do reino dos céus.

Viviane Trunkle

Reflexão para o domingo, 13 de fevereiro

Época da Trindade

Referente ao perícope de Lucas 8, 4-15

Um agricultor prepara primeiro a terra. Em seguida ele semeia as sementes. Assim elas crescem em um lugar preparado para elas e dão muitos frutos.

O semeador do Evangelho de hoje atua de uma maneira diferente. Ele semeia em todos os lugares, independente se estão preparados para receber a semente ou não. As sementes caem em condições muito variadas. O semeador dá para todos os lugares a possibilidade de receber as sementes.

Como nós semeamos? Só em lugares aonde temos certeza de que as nossas sementes, as nossas palavras e ações, serão bem recebidas? Ou vamos além disso e as levamos para condições mais difíceis?

O mundo espiritual semeia a palavra de Deus no mundo inteiro. Sem fazer diferença entre aqueles que estão mais preparados para recebê-la ou não. Os céus confiam na potência da semente, da palavra.

Ao seguirmos esse exemplo e semearmos nossas boas sementes no mundo inteiro, também em condições difíceis, teremos certeza de que elas encontrarão boa terra e darão muitos frutos.

Julian Rögge