Reflexão para o domingo, 26 de outubro

Referente à perícope da Carta de Paulo aos Efésios 6, 10-19

Paulo descreve a armadura de Deus que nos possibilita ficar de pé na luta contra os seres do mal. Ela nos protege contra os ataques do mal.
Para vestir essa armadura, precisamos desenvolver várias qualidades. Olhando para essas qualidades, percebemos que elas não só nos protegem contra o que vem de fora – como a armadura de ferro de um cavaleiro – mas também contra o mal dentro de nós. Para vestir a armadura de Deus, precisamos lutar contra o mal dentro de nós.
A verdade como cinturão, a justiça como couraça, os pés calçados com a paz e o capacete da salvação – essas qualidades nos protegem para dentro e para fora. Elas nos dão a possibilidade de empunhar o escudo da fé e usar a espada da palavra de Deus.
Vestindo essa armadura de luz, pouco a pouco vencemos o mal dentro de nós. Protegidos por ela podemos lutar junto com Micael e seus exércitos contra o dragão e seus exércitos.

Julian Rögge

Reflexão para o domingo, 5 de outubro

Referente à perícope do Evangelho de Mateus 22, 1-14

O Reino de Deus está aberto a todos: bons e maus. E, se somos sinceros, reconhecemos que em cada um de nós convivem o bem e o mal. Por isso, a entrada nessa realidade não depende de uma distinção exterior, mas da decisão interior de cada coração. A parábola das bodas nos fala dessa grande festa: o restabelecimento da união com Deus. A todos chega o convite. Mas então surge uma imagem desconcertante: um convidado é expulso porque não trazia as vestes apropriadas, é lançado às trevas, onde há choro e ranger de dentes. Parece duro demais, não corresponde à nossa imagem de um Deus de misericórdia. Como compreender isso?
Aqui é preciso recordar: Deus nos fez livres. Ele não nos força nem a entrar na festa, nem a permanecer nela. Podemos comparecer a muitas festas com o traje que quisermos; mas aqui não se trata de convenções externas. A veste das bodas não é pano, mas condição da alma. É a pureza interior, o fruto do trabalho consciente de transformação. Cada um de nós carrega em si sentimentos de raiva, inveja, rancor, incredulidade. Esses são os farrapos que trazemos na alma. O convite de Deus não exclui ninguém por causa disso. Ao contrário, Ele nos dá todo o tempo necessário para que, em liberdade, decidamos purificar-nos, trabalhar nossos sentimentos, abrir-nos à fé e ao amor.
A exclusão da festa, portanto, não é um ato arbitrário de Deus, mas a consequência natural de ainda não estarmos prontos para viver em comunhão com Ele. Somos nós mesmos que nos afastamos da luz quando ainda não suportamos vesti-la.
Assim se entende a frase: “Muitos são chamados, mas poucos escolhidos.” O chamado ressoa em todos, mas os escolhidos são aqueles que, em liberdade, respondem, cultivando o trabalho interior, buscando a Deus não apenas com palavras, mas com vida transformada.
O Apocalipse de João descreve os que perseveraram na fé, que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro. Essa é a veste nupcial: a alma purificada e fortalecida por Cristo, que redime nossas feridas e nos guia no caminho.
Portanto, não temamos a imagem da exclusão, como se fosse um castigo imposto. Antes, compreendamos que ela nos revela a seriedade de nossa liberdade. O convite está sempre diante de nós. Cabe a cada um decidir, passo a passo, se deseja preparar sua veste e entrar na festa da união com Deus.

Carlos Maranhão

Reflexão para o domingo, 28 de setembro de 2025

 Referente à perícope do Evangelho de Lucas 7, 11-17

Na natureza observamos algumas árvores que estão totalmente sem folhas. Elas parecem mortas. Mas com a chegada da primavera, com os toques do sol e do calor, as folhas começam a brotar novamente. A vida dessas árvores começa a brotar novamente.

O jovem de Naim morreu e é levado para ser enterrado. Somente o toque e a fala do Cristo conseguem trazê-lo de volta para a vida.

Em nós também há a qualidade da morte. Encontramos em nós várias coisas que estão morrendo e que precisam ser transformadas.

Como a árvore necessita do sol e o jovem do Cristo, também precisamos de ajuda.

Como encontramos o toque e a fala do Cristo? Nós os descobrimos nos encontros com outras pessoas, na fala de um amigo e em nosso destino.

De vez em quando, sentimos neles a presença do mundo espiritual, do Cristo.

Junto com o Cristo, temos a possibilidade de transformar em nós o que está morrendo.

Como a árvore na primavera, junto com ele nós nos abrimos novamente para o brotar da vida em nós.

Julian Rögge

Reflexão para domingo, 21 de setembro de 2025

Referente à perícope do Evangelho de Mateus 6, 16-34

Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem a tudo corroem, e onde os ladrões cavam e roubam. Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem corroem, e onde os ladrões não cavam, nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.

Houve uma vez um rei de ferro, que construiu um castelo de ferro e treinou seus soldados a usar armas de ferro. Ele fez tudo isso pois tinha enorme medo aos ladrões que poderiam roubar seus preciosos tesouros: suas capas e mantos bordados, sua magnífica coroa de ferro.

Ele reuniu seus barões e lhes obrigou a construir muitas fortalezas em torno de seu férreo castelo. Assim imaginou se sentir protegido, seguro, superior, apenas porque carregava na sua pequena cabeça aquela férrea coroa.

O medo do rei de ferro começou um dia a contaminar seus súditos, e no reino cresceu a desconfiança, a dúvida e a mentira. Cada vizinho poderia ser um ladrão, que cava e rouba!

Cada estrangeiro um inimigo, que deveria ser eliminado! Cada um que demonstrasse pensar diferente dos ditames escritos com mão de ferro pelo rei, deveria ser banido de seu reino.

Foram tempos difíceis, foram tempos sombrios aqueles! Mas alguns perceberam que há coisas que não se deixam corromper, nem podem ser roubadas: a gentileza, o sorriso sincero, a mão prestativa… E os que o perceberam, também notaram que o que se compartilha pertence a todos. E se é de todos, ninguém precisa roubá-lo. E se é precioso é porque é útil a todos.

Aqueles que perceberam tudo isto, reconheceram então que eles possuíam muitos tesouros, nas conversas alegres ao redor e uma mesa, nas reflexões profundas que trocavam entre si, na fé que os nutria e nos propósitos que confabulavam.

Mas seu maior tesouro era o elo invisível que os unia como seres humanos e que os liberava do medo dos ladrões, do horror aos inimigos e da aversão ao estrangeiro e ao diferente. E seus tesouros cresciam e se multiplicavam no reino invisível que a partir de seus corações iam construindo.

E quanto ao pequeno rei de ferro? Talvez ainda continue por lá, trancado em seu castelo de ferro, que o tempo se encarregou de enferrujar e cujas ricas vestem já devem estar bastante corroídas pelas traças da mentira e do medo.

Renato Gomes

Pastor da Comunidade de Cristãos de Campinas

Reflexão para o domingo, 14 de setembro de 2025

Referente à perícope do Evangelho de Lucas 17, 5-10

No Evangelho de Lucas, encontramos uma palavra breve e profunda: “Aumenta-nos a fé” — dizem os discípulos a Jesus. E a resposta de Cristo é surpreende: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda…”

À primeira vista, parece até uma recusa. Como se Jesus dissesse: não é algo que posso simplesmente derramar sobre vocês. A fé não é um presente pronto. Não é como receber uma moeda ou uma veste nova. A fé é como uma semente. E uma semente, sabemos bem, não cresce porque pedimos. Ela cresce porque a cultivamos. É o nosso trabalho preparar o solo, regar, cuidar do espaço ao redor. O crescimento vem de dentro dela, mas precisa do esforço do jardineiro.

Assim é também em nossa vida espiritual. Não podemos simplesmente pedir que Deus nos aumente a fé, como quem pede um favor imediato. O que podemos pedir é coragem, perseverança, vigilância para que a semente da fé encontre em nós o solo fértil.

Cultivar a fé é tarefa nossa: no silêncio da oração, na paciência diante das provações, no esforço diário de transformar nossas ideias em ideais. E é nesse trabalho fiel, pequeno e constante, que a fé cresce. E quando cresce, mesmo pequenina como um grão de mostarda, ela se torna força viva. Torna-se confiança que move montanhas de medo, que atravessa abismos de dúvida, que sustenta o coração na noite escura.

Não esperemos que a fé nos seja dada de fora, pronta. Façamos o trabalho humilde de cultivá-la dentro de nós, passo a passo, dia após dia.

Carlos Maranhão

Reflexão para o domingo, 07 de setembro de 2025

Referente à perícope do Evangelho de Lucas 10, 1-20 e 38-42


Jan Vermeer van Delft – Marta e Maria Magdalena com Cristo

No hemisfério Norte, estamos na época da colheita. No Brasil, a colheita se distribui em diferentes períodos do ano, conforme os frutos da Terra. Quando ela começa, tudo deve ser feito para que seja realizada a tempo e devidamente armazenada. Isso requer muito trabalho, dedicação coletiva e cuidado. Sol, vento e chuva – o clima em geral – fizeram a sua parte desde o começo do ciclo da vida vegetal. Agora, cabe às pessoas tornar a colheita disponível no resto do ano. A colheita se torna alimento, vida para os seres humanos.

Num sentido figurado, também nos encontramos hoje na época da colheita. Muito foi realizado pelo mundo espiritual nos milênios passados até que o ser humano fosse dotado de um Eu; assim, conscientemente, em comunidade com os seres divinos, pudesse tomar o desenvolvimento futuro nas suas próprias mãos.

Essa colheita da humanidade, a colheita do Eu, é empreendida pelo mundo divino. Para isso, Jesus Cristo veio à Terra, formou a comunidade dos 12 discípulos e os enviou como trabalhadores da colheita ao mundo. Eles trouxeram a palavra do Evangelho aos seres humanos e colheram o que ecoava nas suas almas, nos seus pensamentos, sentimentos e impulsos da vontade. Colheram isso como num cálice a ser oferecido e transformado por Cristo.

Caindo essa colheita da humanidade nas mãos de Deus, ela se transformará, com o tempo, em fé, em disposição para se empenhar, para se sacrificar, se necessário; enfim, se transformará em consciência espiritual na vivência da verdade. Afinal, o próprio Cristo começa a viver na alma humana.

Que maravilhosa imagem desse divino trabalho de colheita podemos ver quando Cristo é recebido na casa das irmãs Marta e Maria Magdalena. Marta, através de seu afinco trabalho, cria as condições para que Cristo possa falar e ser ouvido por Maria Magdalena, sentada aos seus pés. A palavra divina cai na alma humana e a fecunda com o espírito.

O trabalho da colheita divina continua na humanidade dentro do ritmo da “Vita Aktiva” e da “Vita Contemplativa”, como eram conhecidas na Idade Média, ou segundo as regras monásticas do “Ora et Labora”, ou seja, “ore e trabalhe”. A ordem cisterciense, por exemplo, cristianizou o solo da Europa, orando e trabalhando na agricultura e em muitos artesanatos nessa interação alternada com Cristo.

Nosso mundo, completamente mecanizado e acelerado, tornou-se uma ameaça para esse ritmo saudável. Muitos não conseguem se colocar ao pé de Cristo, em silêncio e introspecção, para acolher sua palavra. O ser humano vem se exaurindo nas tarefas mundanas, sua alma vem minguando, a ordem climática, social e mundial se caotizando.

Devemos nos tornar firmes e incorporar o ritmo saudável de vida com o mundo divino para oferecer em gratidão os frutos da nossa alma para a realização da obra divina, para a paz universal.

Helena Otterspeer

Reflexão para o domingo, 31 de agosto de 2025

 Referente à perícope do Evangelho de Marcos 7, 31-37

Em diferentes momentos da vida podemos ter a vivência de não poder falar, de sermos incapazes de nos expressar. Da mesma forma acontece com o nosso ouvir, com a capacidade de entender o outro.

Essas vivências de incapacidade são multiplicados pelo mundo em que vivemos, que fica cada vez mais barulhento, confuso e corrido. Esse mundo nos puxa muito para fora, para longe do centro do nosso ser eterno.

Para curar o surdo-mudo, Cristo o tira da multidão. Ele o leva para si mesmo, para a solidão. Aí acontece o encontro íntimo com o Cristo e a cura.

Para podermos falar e ouvir bem, de vez em quando precisamos nos retirar do mundo. Precisamos estar sozinhos. Nessa solidão, há a possibilidade do encontro com o Cristo e a cura. Através desse encontro, se fortalece nosso ser eterno, nossa individualidade. 

Assim fortalecidos, podemos nos abrir novamente para o mundo e encontrar o outro. Com isso, recuperamos a força para entender e a possibilidade de sermos entendidos.

Julian Rögge

Reflexão para o domingo, 25 de maio

Referente à perícope de João 14


A lagarta é apenas um estágio preliminar da borboleta. A lagarta rasteja sobre a terra, se alimenta das folhas verdes, mas o Pai celeste a escolheu para uma forma de vida mais elevada. Quando a borboleta sai do casulo, ela abre suas asas, voa à luz do sol e se alimenta do pólen dourado das flores, as fecundando e assim colaborando para manter os laços de vida entre todas as criaturas.
Assim se dá a transformação da lagarta na borboleta: em um determinado momento a lagarta começa a se enrolar num fio que ela mesma secretou até desaparecer completamente em seu casulo. A lagarta se “enterra” em seu casulo, morre para o mundo. Por dentro, no entanto, sua substância orgânica, a substância solar continua a viver. Depois de um tempo, algo se mexe dentro do casulo, até que ele se rompe e a borboleta vai se desdobrando, se liberando…
A forma como o ser humano hoje vive e se relaciona com o meio ambiente é apenas um estado preliminar de uma existência espiritual mais elevada reservada para si pelo Pai celeste. Essa existência superior deve ser elaborada ativamente pelo próprio ser humano no seu caminho de vida. A transformação necessária é muito mais radical, mais abrangente do que no caso da borboleta, pois ela reverte na transformação não apenas de toda a humanidade, mas da Terra e de todo o mundo.
Foi assim que o espírito do Sol, o próprio Cristo entrou em Jesus, justamente no momento histórico em que a consciência individual da humanidade se desligava da condução espiritual cósmica e o ser humano, de certa forma, se encapsulava em si mesmo. O Espírito Sol entra no envoltório mortal, no “túmulo espiritual” da existência terrena. Isso acontece no batismo no Jordão quando a voz do Pai se torna audível: “Eis o meu Filho amado, nele vou me revelar”.
O Filho de Deus vai morrendo na natureza mortal de Jesus desde o batismo até a morte na cruz e o sepultamento no túmulo, para que, enfim, a transubstanciação, a ressurreição aconteça.
Na manhã de Páscoa, um terremoto vindo do interior da Terra abre o túmulo. O corpo da ressurreição se eleva sobre a terra, brilha à luz do mundo e vive conosco para sempre… Nos três anos da trajetória terrena de Jesus Cristo, do batismo à morte da cruz, o Espírito de Cristo se revela aos discípulos de várias maneiras. Ele permeia os seus corpos, suas almas e seus espíritos. Quando os discípulos são enviados por Jesus, o próprio Cristo age através deles para a salvação de todo o mundo. Os discípulos são os primeiros em que a palavra Paulo se cumpre: “Eu em Cristo, Cristo em mim”. Pela sua presença, Cristo age continuamente no círculo dos discípulos e dele para as pessoas ao redor.
No entanto, Jesus Cristo morre e ressuscita. Os 12 discípulos unidos em espírito, em comunidade, convivem 40 dias intensamente com o Redentor. Durante esse período acontece a transformação de modo que, na festa de Pentecostes, tendo despertado interiormente na vivência da verdade, os discípulos se tornam portadores do Espírito de Cristo, da sua luz, do seu amor.
Na celebração do Ato de Consagração do Homem ao longo das festas cristãs, podemos conviver com o Cristo, sentir sua presença, ouvir suas palavras, vivenciar seus atos de amor. Assim, nós nos tornamos seus discípulos. Queremos testemunhar sua atuação nos seres humanos, na natureza, no mundo. Seu espírito eterno deve também despertar em nós para a paz, para a salvação e vida do mundo.

Helena Otterspeer

Reflexão para Domingo 16 de março de 2025

 

Referente à perícope do Evangelho de Lucas 11, 29-36

Nunca é fácil reconhecer os sinais dos céus, seja o de Jonas em sua época, seja o de Cristo mais tarde. Tínhamos, e temos cada vez mais, a tarefa de desenvolver nossa liberdade e reconhecer, em liberdade, os sinais dos céus.

Não haverá um sinal glorioso ou muito visível. Encontraremos nos céus os sinais mais sutis: em uma vivência no Ato de Consagração do Homem, em uma oração ou no encontro com um ser humano, em uma providência do destino ou depois de passamos por uma crise. Alguns sinais só perceberemos na retrospectiva.

Depende de nós estarmos atentos e reconhecemos os sinais dos céus. O Cristo quer despertar essa atenção em nós. Assim, ele pode se revelar através desses sinais.

Julian Rögge

Reflexão para o domingo, 2 de março

Referente à perícope do Evangelho de Mateus 17, 1-9

No mundo terreno, a luz do sol, que tudo ilumina, permite-nos ver o que antes estava envolto em escuridão. Essa imagem é uma metáfora perfeita para o nosso processo de cognição: a luz do espírito ilumina nossa alma, permitindo-nos enxergar o que antes não víamos e compreender o que antes não compreendíamos.
No Evangelho de Mateus, no alto de uma montanha, Pedro, Tiago e João veem algo que até então lhes estava oculto: Cristo transfigurado, seu rosto brilhando como o sol, suas vestes resplandecendo como a luz. Eles já caminhavam com Jesus, já haviam ouvido suas palavras e testemunhado seus milagres, mas ainda não haviam enxergado plenamente quem Ele era. Quando veem Moisés e Elias ao seu lado, Pedro sugere erguer tendas para os três, como se fossem iguais em estatura espiritual. É então que a voz de Deus ressoa, assim como no batismo: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a Ele ouvi!” A visão desaparece, e resta apenas Jesus. Essa experiência não foi uma mera visão gloriosa, mas uma correção da percepção dos discípulos. Moisés e Elias foram servos de Deus, precursores de Jesus Cristo, mas este é a própria plenitude da revelação divina. O que os discípulos viram no monte não era um Jesus diferente, mas o mesmo que já conheciam, agora iluminado pela luz da verdade.
E aqui nos perguntamos: será que também precisamos dessa correção? Vivemos em um tempo onde a fé se dilui entre tantas vozes, onde Cristo é muitas vezes colocado ao lado de outros grandes mestres, como se fosse apenas mais um entre tantos. Pode ser que não o comparemos com Moisés ou Elias, mas talvez o tratemos como um sábio moralista, um líder inspirador, um símbolo entre outros. A transfiguração nos chama a perguntar: vemos Cristo como Ele é, ou apenas como gostaríamos que fosse? No alto da montanha, a luz revelou a verdade. No vale da vida cotidiana, essa revelação precisa transformar nossa visão. Não basta admirar Cristo ou reconhecê-lo como um grande mestre; é preciso ouvi-lo, segui-lo e deixar que sua luz nos ilumine. Pois, no fim, quando todas as outras vozes se dissipam, não vemos mais ninguém, senão Jesus.

Carlos Maranhão