Reflexão para o domingo, 12 de janeiro

Referente à perícope do Evangelho de Mateus 2, 1-12

Os reis são guiados pela estrela até o menino Jesus que se torna o Cristo. Eles têm a sabedoria de reconhecer esse sinal dos céus e de segui-lo. Depois de encontrar Jesus e a sua família, eles o adoraram e lhe ofereceram as suas dádivas.
Em cada um de nós também há uma estrela guia. Precisamos aprender a reconhecê-la e segui-la. Assim, ela nos guia para as metas e encontros da nossa vida.
A nossa estrela também indica o caminho para nosso encontro com o Cristo. Como chegaremos perante ele? Teríamos presentes para oferecer, como os reis? Durante a vida, temos a possibilidade de preparar essas dádivas. As qualidades do ouro, do incenso e da mirra nos indicam o caminho para a preparação dos presentes para o encontro com o Cristo.

Julian Rögge

Reflexão para o dia de Reis, 6 de janeiro

Em muitos presépios, os reis só aparecem a partir do dia 1º de janeiro. Eles se põem a caminho na busca da sagrada criança. Um sinal nas estrelas, uma constelação especial anunciou uma nova era na Terra para toda a humanidade. Uma nova força cósmico- divina se manifestou na Terra vinda das alturas, anunciada por acontecimentos cósmicos: um nascimento virginal, divino.
As luzes do Natal nos trazem à consciência que a alma humana está intimamente ligada a esse acontecimento cósmico e terreno.
O que queriam os magos do Oriente quando na manjedoura ofertaram as dádivas da sabedoria divina no ouro, da virtude no incenso e da imortalidade na mirra? Ao fazê-lo testemunharam concretamente que haviam entendido a mensagem das estrelas: as forças que anteriormente fluíam do Cosmos para a Terra não mais poderiam ser percebidas e acolhidas simplesmente olhando para o Cosmos, para as constelações das estrelas. Mostraram que no futuro seria necessário que cada ser humano comece agora a olhar sobretudo para o que está a acontecer no desenvolvimento histórico, social e moral da humanidade, na própria Terra.
Através do Cristianismo, os segredos do mundo e da história mundial se tornaram qualitativamente relacionados com curso do ano cristão, com as festas cristãs, sobretudo com o Natal e a Páscoa. O que, na virada dos tempos, aconteceu através do nascimento virginal à luz do Natal e se desenvolveu em 33 anos até a Páscoa, agora moldará a história da humanidade no futuro.
A antroposofia, a ciência espiritual nos incentiva a olhar os acontecimentos nos ciclos de 33 anos passados para compreender a atualidade. No futuro, a história poderia vir a ser compreendida analisando os acontecimentos passados nos ciclos de 33 anos. Isso também significa que o Cristo atua, acompanhando a humanidade nos impulsos espirituais que são iniciados na Terra. Por outro lado, pode-se também dizer que, se por indiferença, ignorância ou comodidade o ser humano não assume sua responsabilidade diante dos acontecimentos, ou até mesmo se deixa levar por interesses puramente terrenos e destrutivos, então também poderá esperar as graves consequências de sua atuação em 33 anos.
Nestes tempos desafiantes, cada um é chamado a gerar novos impulsos sob a luz do Natal e a desenvolver uma nova compreensão do que realmente está a acontecer no plano social e moral. Aquilo que for gerado por uma consciência espiritual sob a luz do Natal poderá celebrar a sua Páscoa em 33 anos. Assim, Jesus Cristo caminhará com a humanidade na direção da sua meta espiritual até o final do desenvolvimento da Terra.
A história se tornará cada vez mais o curso do caminho de desenvolvimento do ser humano para, com Cristo, se tornar um Espírito entre Espíritos.

(Ideias relacionadas com a palestra de Rudolf Steiner: Et incarnatus est… Os ciclos dos acontecimentos históricos, do dia 23/12/1917, na Basiléia.)

Helena Otterspeer

Reflexão para o domingo, 29 de dezembro

Referente à perícope do Evangelho de João 1, 1-18

Cada palavra
tem três capas.
Três capas envolvem
as palavras.

A primeira é azul
Ela envolve a palavra
num calmo tom anil,
quiçá também um pouco frio.
Essa capa nos ajuda
a compreender,
na mente,
a palavra
para que,
com o distanciamento necessário,
possamos refletir com calma
sobre o seu significado.
Isso é o que a capa azul faz com a palavra

Logo abaixo dessa,
a palavra tem uma segunda capa
Ela está tingida de vermelho ardente.
Quando conseguimos nos aprofundar
até seu calor flamejante,
então encontramos
as emoções,
os sentimentos,
que a palavra
também alberga em si.

Cada palavra humana
pronunciada,
não se dirige apenas à razão,
mas quer falar
também à alma.

A palavra com sua capa azul
fala bem para a cabeça.
A palavra envolta em sua capa vermelha
sussurra diretamente ao coração.

Mas há ainda uma terceira capa.
Ela se encontra posta bem justa à palavra.
Nem sempre é possível vislumbrá-la,
pois essa capa mais interior,
frequentemente
permanece oculta pelas duas outras.

Se tivermos sorte,
num piscar de olhos,
num instante fugaz
ela surge
brilhando,
dourada-reluzente,
através das fendas
entreabertas
das outras duas.

Três capas possui a palavra:
para a razão, a azul;
para o coração, a vermelha
e a outra,
a amarelo-ouro,
é a que se revela,
apenas ocasionalmente,
para o espírito livre.

Se faltar à palavra
uma destas capas,
então a palavra
não durará muito.
Mais cedo ou mais tarde
passará.

Mas se a palavra,
O Logos-Palavra,
Ele mesmo,
se manifestar
– tríplice –
em azul, vermelho e amarelo,
então pode o mundo
vir a passar;
mas a Sua Palavra,
que fala à mente,
ao coração
e ao espírito,
esta palavra
se preservará.

Renato Gomes

Reflexão para o domingo, 22 de dezembro

Referente à perícope do Evangelho de Lucas 1, 39-56.

A história de Maria revela um potencial oculto que irrompe no mundo. Seu “Magnificat”, uma canção de louvor, proclama a grande transformação. Começa com Maria visitando Isabel, onde ambas as mulheres carregam gestações milagrosas, sinais do poder transformador de Deus. Quando Maria cumprimenta Isabel, seu filho salta de alegria, e os propósitos do céu são revelados: o passado profético encontra o futuro divino, e a bênção de Isabel reverbera na canção de Maria. O “Magnificat” é uma declaração revolucionária de um mundo transformado pela graça de Deus. Maria se alegra na misericórdia de Deus, reconhecendo sua humildade como condição para a ação divina. Suas palavras revelam um Deus que eleva os humildes, satisfaz os famintos e transforma o mundo por meio do amor e da misericórdia. Como uma semente que brota, o reino de Deus começa no pequeno e oculto, mas cresce para renovar todas as coisas. A canção de Maria proclama a fidelidade de Deus e nos chama a confiar e agir. À medida que Deus eleva os humildes e sacia os famintos, somos chamados a magnificá-Lo não apenas em louvor, mas por meio de vidas de misericórdia e justiça, o que só se tornou possível com a vinda do filho que estava em seu ventre. Neste Natal, que a canção de Maria nos inspire a ser instrumentos do amor de Deus, trazendo vida e paz a um mundo em convulsão para transformá-lo.


Carlos Maranhão

Reflexão para o domingo, 29 de setembro de 2024

Referente à perícope do Evangelho de Mateus 22, 1-14

“O reino dos céus é como…” Essa grande parábola tem duas partes principais. Na primeira, os mensageiros do rei chamam os convidados para a festa, mas não são ouvidos.
Na segunda parte, o rei percebe que um dos convidados não está vestido com traje de festa. Ele é amarrado e lançado para fora da festa.
Surgem duas perguntas. Estamos abertos para ouvir os mensageiros dos céus? Conseguiremos vestir o traje de festa?
Para ouvir o chamado, precisamos estar abertos para ele. Isso será difícil enquanto estamos presos ao nosso dia a dia. Podemos desenvolver esse ouvir interno em momentos de silêncio, de oração e de reflexão.
Podemos ver o nosso corpo, a nossa alma e a nossa individualidade como a “roupa” do nosso ser eterno. Através dos desafios e crises da vida precisamos desenvolvê-los. Nesse caminho de desenvolvimentos, os nossos corpos se transformam pouco a pouco em um traje de festa para a grande festa de casamento nos céus.

Julian Rögge

Reflexão para o domingo, 15 de setembro de 2024

Referente à perícope do Evangelho de Mateus 6, 25-34

Não vos preocupeis com a vossa vida!

É possível não se preocupar com a própria vida?

Tal atitude não seria irresponsável?

No texto original grego, no lugar da palavra “preocupação”, há um termo cuja origem significa “dividir”, “separar uma parte da totalidade”.

Portanto poderíamos também dizer:

Não deixai que uma parte de vossa alma seja separada da totalidade do vosso ser. Permanecei inteiros, não deixeis que vossos pensamentos e vossas preocupações façam com que uma parte de vós se separe da totalidade da vida!

Nesta exortação, não se quer dizer que o ser humano não deva pensar em sua vida, ou que ele não busque ativamente fazer o que é necessário para suas necessidades.

Nesta exortação se trata de perceber que a inquietação, os medos ou os pensamentos que nos atormentam – que muitas vezes chamamos de preocupações – em geral não ajudam muito. Pelo contrário, em tais casos nossa consciência fica presa no problema e nas preocupações. Isso pode chegar a tal ponto que uma parte de nossa vida interior fica tão envolvida nos problemas e nas preocupações que tende a se separar do resto da vida. Tais preocupações e inquietações tendem a ganhar uma dinâmica própria. Elas sugam nossa atenção. Elas drenam nossas forças e nos fecham para a vida.

Cristo dirige o nosso olhar para a natureza!

Olhai os pássaros do céu!

Olhai os lírios do campo!

Não há ajuda quando nos deixarmos levar pelas preocupações.

É muito mais importante ampliar nossa visão, abril o olhar interessado para o mundo à nossa volta. O primeiro passo é liberar-nos da prisão das preocupações. Em seguida buscamos retornar à vida, à totalidade de nossas vidas, fazendo com que nossa consciência e nossos pensamentos não girem mais o tempo todo em torno de tais preocupações. Um olhar alegre e sereno para natureza pode ser de grande ajuda. Lá, na natureza, há algo que se ocupa de cada detalhe.

O Deus-Pai se ocupa de suas criaturas. Ele se preocupa por todas elas.

Também nós, seres humanos, podemos participar dessa força provedora e cuidadora. Mas isto só é possível se estivermos totalmente imersos na vida, se não permitirmos que nosso ser interior se divida por causa de medos e preocupações.

Todo ser vivo é uma totalidade em si mesmo e forma um organismo inteiro.

Somente assim – inteiro, sem se deixar dividir – ele faz parte da vida e as forças divinas lhe sustentam e lhe outorgam o que precisa para viver.

Renato Gomes – Berlim

Reflexão para o domingo, 8 de setembro de 2024

Referente à perícope do Evangelho de Lucas 10, 1-20

O envio dos 72 no Evangelho de Lucas nos faz pensar a princípio no significado desse número. Sendo 72 múltiplo de 12, isso nos remete a ideia de que depois do envio dos primeiros discípulos, esses se multiplicam. Se pensarmos na continuidade dessa multiplicação, podemos dizer que hoje todos nós somos enviados. Mas a que circunstâncias somos enviados? Não necessariamente como andarilhos em cidades desconhecidas, mas justamente às próprias circunstâncias de nossas vidas.

Assim como árvore, ao nascermos, somos plantados no solo de nossas famílias, inseridos em nossas circunstâncias, pertencentes a um meio social que nos nutre, molda nossa existência, mas do qual, mais cedo ou mais tarde necessitamos nos libertar e, paradoxalmente, continuar a pertencer. Cada um de nós, como árvore, tem uma missão: crescer e florescer, levando vida ao nosso redor, e recebendo vida do nosso redor e do céu. Ao transpor a imagem do envio dos 72 no Evangelho de Lucas para nossas vidas, percebemos que, ao nos enraizarmos em nossa família e comunidade, estamos sendo enviados por Cristo a sermos sinais vivos de sua presença. Nossas raízes devem se aprofundar no amor, nossa sombra deve oferecer acolhimento, e nossos frutos devem nutrir aqueles que nos cercam.

O paradoxo se dá pelo fato de que embora essa seja a missão de cada um de nós, ela deve, ao mesmo tempo, ser livre. É em liberdade que escolhemos servir aos nossos irmãos. Ninguém pode nos obrigar a amar. Amor por obediência não é amor. Daí a metáfora da árvore já não mais nos serve. No entanto, jamais cumpriremos a missão de nos tornarmos verdadeiramente seres humanos se não realizarmos essa missão. Por mais que nos afastemos da missão do envio, mais cedo ou mais tarde, como filhos pródigos teremos que voltar. Mas nessa circunstância já teremos conquistado nossa liberdade.

Que possamos então nos ver como árvores plantadas por Cristo, crescendo e florescendo onde fomos colocados. Vamos estender nossos ramos, oferecendo abrigo, paz e frutos a todos que encontrarmos em nosso caminho, e assim, cumprir com alegria o chamado de sermos enviados por Ele ao mundo, mas o façamos livremente.

Carlos Maranhão

Reflexão para o domingo, 25 de agosto

Referente à perícope do Evangelho de Marcos 7, 31-36

Uma semente de maçã, ao germinar, torna-se uma macieira. A ordem da vida estaria abalada se essa semente não germinasse e do germe não se desenvolvesse uma macieira.
A ordem do mundo também estaria abalada se o Verbo Divino, tendo se feito carne e habitado em Jesus, não pudesse ser revelado num outro ser humano.
O surdo de nascença, sem as técnicas de aprendizado modernas e sem a linguagem gestual, nunca poderia ser o portador da palavra, nunca poderia se tornar um verdadeiro homem. Quando Jesus Cristo se aproxima da região de Tiro, a própria comunidade de vida do surdo-mudo o leva ao Verbo encarnado. A sua condição de vida abala toda a comunidade, que busca uma solução, uma cura. Não consiste a condição humana no desenvolvimento de qualidades para se tornar o portador do Verbo Divino no seu cerne interior, no seu Eu? Para isso, o ser humano tem que desenvolver o sentido para poder perceber a atuação da palavra divina no mundo, para ouvi-la e então poder anuncia-la.
Já no Paraíso, Adão e Eva ouviam as palavras divinas. Ao comerem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, algo próprio se misturou às suas percepções puras, ou seja, seus pensamentos e representações mentais pessoais. Com o advento do materialismo o “ruído“ mental causado pelos pensamentos materialistas na alma impossibilitam a percepção da atuação divina no mundo, da atuação do Verbo Divino. O ser humano moderno se tornou “surdo“ para perceber a palavra divina.
Só o encontro com o próprio Verbo Divino poderá reverter essa condição trágica.
Jesus Cristo conduz o surdo-mudo para um lugar à parte. Para as pessoas da época isso significava um processo de vivência da própria individualidade. Seus sentidos interiores começam a se abrir para essa experiência única. Jesus Cristo, ao tocar os ouvidos e a língua do surdo-mudo com a sua saliva, supera as barreiras de isolamento da percepção pelo tato que traz por um lado uma consciência da doença no surdo, por outro, uma experiência do que poderia ser a cura, ou seja, vivência da força primordial da criação no seu Eu Sou, a vivência do Cristo em si. Nesse momento, Jesus Cristo profere a palavra curadora: “abre-te“! E essa palavra cai na alma como uma semente de vida. A força divina dos céus jorra para a Terra e impregna o surdo com forças curativas! Imediatamente ele consegue falar perfeitamente.
Hoje as palavras dos meios de comunicação se espalham por todo mundo como replicadas automaticamente. No entanto, estamos surdos para ouvir a palavra divina, para ouvir a palavra do Evangelho com os sentidos da alma, não encontramos as fontes de cura e de paz.
Nos sacramentos Jesus Cristo nos leva a um lugar à parte, somos tocados de várias maneiras e podemos ter um encontro íntimo com Ele. Ele abre os nossos sentidos para o Espírito, Ele nos torna portadores da sua Palavra, da sua Vida. E hoje não podemos cansar de anunciar isso com muita alegria e dinâmica, em atos e palavras.

Helena Otterspeer

Reflexão para o domingo, 28 de abril

Referente à perícope do Evangelho de João 14, 1-16

Um caminho nos leva a um lugar onde não estamos no momento. Caminhando nele, nós nos movimentamos da nossa posição atual para o lugar que está a nossa frente, no futuro. Estamos nos movimentando em direção ao futuro.
“Eu sou o caminho.” Assim Cristo se denomina, o caminho que leva até o Deus Pai. Que leva até as moradas na casa do Pai.
Como trilhamos esse caminho do Cristo, com o Cristo? Podemos nos preencher com a sua palavra, com ele mesmo, que é a Palavra. Podemos seguir o seu exemplo no nosso dia a dia. Por exemplo, reconhecer, como ele, o ser humano em cada pessoa que encontramos e a criação divina no mundo ao nosso redor.
Assim estamos, pouco a pouco, trilhando um caminho para o futuro. O caminho do Cristo que nos leva ao mundo espiritual, às moradas na casa do Pai. Esse mundo espiritual e essas moradas se realizarão aqui na Terra, como é descrito no Apocalipse de João na imagem da nova Jerusalém. Com o tempo reconheceremos o Cristo como nosso companheiro nessa caminhada rumo ao futuro da humanidade.

Julian Rögge

Reflexão para domingo, 21 de abril de 2024

Referente ao Evangelho de João 15, 1-27

À medida que o sol se põe no horizonte, lançando tons dourados sobre a paisagem tranquila, uma videira solitária ergue-se no meio de um vasto pomar. Seus galhos, adornados com cachos de frutas, balançam suavemente com a brisa noturna. Cada cacho de uva, um testemunho das forças invisíveis que atuam dentro da árvore, traz a marca de sua fonte de vida. Na tranquilidade do pomar pode-se sentir mais do que apenas a beleza da natureza; há um sussurro de algo mais profundo, algo eterno. Assim como a videira produz frutos sem esforço, ela também oferece uma metáfora para a condição da alma humana. Pois o ser humano, tal como a videira, encontra o seu verdadeiro propósito e realização não no esforço e no trabalho com as suas próprias forças, mas na entrega ao poder interior de Jesus Cristo. Sem esta ligação divina, os seus esforços são tão fúteis como a madeira e o feno, destinados a serem consumidos pelo fogo. No entanto, no abraço gentil de Cristo, há uma transformação, um derramamento natural de vida que transcende o esforço humano. Assim como a uva não precisa lutar para amadurecer, a alma também encontra sua expressão mais verdadeira quando simplesmente permanece em Cristo. Na tapeçaria do crescimento espiritual, não há espaço para frutos forçados, nem lugar para o esforço artificial que tantas vezes caracteriza a atividade religiosa. Pelo contrário, há um chamado à entrega, à confiança na mão invisível que guia e dirige, à permanência naquele que é a fonte de toda a vida. Nesta união sagrada, a alma encontra a sua expressão mais verdadeira, produzindo frutos que não são produzidos por ela mesma, mas sim pela vida divina que flui através dela. E assim permanece o convite do Cristo: “Permaneça em mim, e eu em você. Assim como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também você, se não permanecer em mim”.

Carlos Maranhão