Reflexão para o domingo, 29 de agosto

Época de Trindade

Referente ao perícope de Marcos 7, 31-37

“E pediram que impusesse as mãos sobre ele”

Quando queremos nos proteger de um som “ensurdecedor” levamos as mãos aos ouvidos.
Como seria o gesto de levarmos as mãos aos ouvidos da alma para silenciar todos os medos que nos ensurdecem?
A cada momento onde silenciamos as impressões externas e internas, abrimos nosso ouvido interior. Podemos pressentir o despertar deste ouvir, ao cultivarmos uma escuta ativa: Ouvindo sons da natureza; ouvindo atentamente ao outro, sem permitir que nossos próprios julgamentos e pensamentos “falem mais alto”; buscando momentos de silêncio em uma oração para tentar ouvir oque ressoa em nós…
É através deste nosso esforço onde o Cristo se aproxima, impõe suas mãos sobre nossas almas e em uma vibração de voz pronuncia: “Efatá”
A cura se dará ao longo dos tempos pela expressão da nossa vontade e pela misericórdia dos planos divinos espirituais.

Viviane Trunkle

Reflexão para o domingo, 22 de agosto

Época de Trindade

Referente ao perícope de Lucas 18, 35-43

Ele está sentado à beira do caminho. Todos os acontecimentos se passam a sua frente, sem seu envolvimento. Ele não acompanha o fluxo dos acontecimentos, não pode participar no desenvolvimento porque é cego. Apesar de todos os seus esforços ninguém o percebe, ele se encontra à parte de tudo, carente em todos os sentidos. Mas ele não desiste e uma vez pergunta: “O que se passa?”
Ele ouve falar que Jesus de Nazaré está passando e a multidão O está seguindo!
Já há algum tempo ele tem aprendido a discernir o essencial do transitório. Apesar de seus olhos não estarem abertos para a luz do mundo, ele se orienta por um compasso interior, o seu coração! Em algumas ocasiões pôde perceber a verdadeira intenção de outras pessoas, as tendências da época! Ele aprendeu também a valorizar e ser grato pela sua simples existência, independente da sua pobreza e das difíceis provações do destino. Jesus de Nazaré… não é ele o Filho de Davi? Com este questionamento a luz e calor de seu coração brilham mais forte. Ele acredita na profecia de que o Messias, o Cristo, o Ungido de Deus vai aparecer e trazer o Reino dos Céus para a Terra. Ele sabe porque sente em seu coração a tênue luz interior, que considera a semente terrena do reino prometido e esperado. Ele sabe que o Messias tem o poder divino de sanar e reger sobre todo o mundo. Logo eleva ele sua voz bem alto: “Filho de Davi, tenha misericórdia de mim!”
Bem-aventurado os pobres de espírito porque deles é o reino dos céus! Isto nos ocorre com o chamado do cego, pois ele é ouvido por Jesus, que apesar da resistência das pessoas em volta vai de encontro ao cego e o leva a um lugar confidencial. Lá a pergunta de Jesus: “Que queres que te faça?” E a resposta direta do cego: “Que eu veja!” E Jesus Cristo apenas confirma o que já havia sido germinado naquele homem, ou seja, a fé, que agora aumentaria ainda mais, e a nova visão espiritual, o conhecimento da realidade da ressurreição, a única força capaz de sanar e renovar. Assim renasce o Novo Homem das alturas espirituais, como Jesus esclarecera na sua conversa com Nicodemos (João,3). Este Novo Homem reconhece e caminha com o Cristo, o segue. No seu Eu revela-se o Reino dos Céus com todas as qualidades divinas do Logos primordial. Este EU SOU pode atuar no mundo com a qualidade da Criação Divina primordial. Agora em tudo que fizer poderá se manifestar o Reino dos Céus na Terra para o evolver do mundo, para a vida no grande organismo da Terra! Agora ele não está mais isolado nem à margem dos acontecimentos, mas no seu EU Sou divino percebe o ponto em que uma alavanca poderá erguer toda a criação, salvá-la, redimindo-a.
Esta é a história de cada um de nós, pois ainda não realizamos nem reconhecemos o papel-chave do mistério do Gólgota para todo o futuro da humanidade e da Terra, para o evolver do mundo.

Este Mistério é a chave de Davi, que abre e ninguém fecha e fecha e ninguém abre! Esta chave está guardada no EU SOU do Novo Homem. Somos como cegos nesse sentido. O Evangelho anuncia que o Filho do Homem, o Redentor está entre nós e virá ao encontro de cada um. Cabe poder perceber o momento em que passará por perto, para reconhecê-lo e mesmo chamá-lo por SEU Nome para sentir a sua proximidade e ser fortalecido por suas palavras e pela sua presença! O clamor alto pelo Cristo com certeza incomodaria, não seria apropriado nesta época em que ouvimos sobretudo a voz da técnica, da evidência científica, dos imediatos interesses sociais, políticos e econômicos! A mensagem do evangelho é considerada mesmo por muitos obsoleta, capaz de instigar conflitos religiosos. No entanto, ela une aqueles que a acolhem e quem O conhece e profere o SEU nome será ouvido, estará com ELE e fortalecerá a sua fé e reconhecerá tudo sob SUA luz. E quando atuar em seu nome sanará e renovará a vida e todas as criaturas, acima, abaixo e em torno de nós irão louvá-lo!

Helena Otterspeer

Reflexão para o domingo, 15 de agosto

Época de Trindade

Referente ao perícope de Lucas 9

Nossa existência terrena deve ter um sentido, o que significa que temos uma missão aqui. Se esta missão foi estabelecida por nós mesmos e por Deus antes de nascermos, então nosso propósito aqui é identificar que missão é essa. O relato do envio dos discípulos que lemos nos Evangelhos e, em particular, no Evangelho de Lucas, é o arquétipo do envio dos sacerdotes e missionários em muitas denominações cristãs, mas num sentido mais amplo ele se aplica a todos nós, na medida em que podemos entender que todos nós fomos enviados à Terra numa missão de aprendermos a estar a serviço de nossos irmãos e esse é o aprendizado fundamental do amor. Não precisamos deixar nosso lugar de moradia, nosso emprego ou forma de atuação para agir como enviados, porque onde estamos é onde devemos estar, e com quem estamos é com quem devemos estar. Mas a coisa mais importante que levamos aonde quer que vamos ou estejamos é o poder dado por Jesus para curar doenças e tirar demônios, ou seja, agir sobre o físico e a alma de nossos companheiros, ou seja, cuidarmos uns dos outros. Ao acolhermos Cristo em nosso coração, passamos a agir por força de seu poder e em seu nome. Ou seja, por sua autoridade. Ele é o autor, nós somos suas mãos e pés. Sua força, nós a levamos conosco onde quer que tenhamos que ir. Não se trata de uma força meramente física, é força interior. Força é saber que podemos suportar os obstáculos da vida, que temos grande resistência e persistência, equilibradas com paciência e calma interior, ou seja, não necessitamos levar bastão e alforja. Estamos comprometidos com o que precisamos fazer e fazemos isso de boa vontade. Quando a força é recebida por nós de Jesus pelo simples fato de sermos filhos de Deus, somos alimentados por essa força interior, poder pessoal, forte vontade e determinação. Não atuamos tentando controlar ninguém; nós calmamente agimos com confiança na direção do mundo espiritual. Outros podem subestimar nosso poder porque é tão “invisível” – mas esse poder é uma força que cura a nós mesmos e aos que estão conosco. Estamos no lugar certo, no momento certo e com as pessoas certas, pois somos enviados pelo Cristo para a construção do novo Céu e da nova Terra.

Carlos Maranhão

Reflexão para o domingo, 8 de agosto

Época de Trindade

Referente ao perícope de Lucas 15

No evangelho de hoje ouvimos sobre o caminho de vida de dois irmãos. O mais novo saiu da casa do pai e esbanjou tudo o que recebeu. Depois de passar necessidades ele consegue fazer uma grande virada em sua vida. Ele volta para o pai com a intenção de servi-lo.
O irmão mais velho sempre obedeceu e serviu o pai. Ele aparentemente nunca saiu de casa e não passou por uma virada tão grande. Ele recebe outra tarefa: a de se alegrar com a volta do irmão. De aceitar o caminho de vida tão diferente e festejar suas conquistas.
Certamente podemos encontrar semelhança dos dois irmãos conosco. Os dois caminhos nos mostram qualidades que são importantes. Reconhecer aonde erramos e mudar o rumo da nossa vida é a primeira delas. Isso nos ajuda no desenvolvimento individual.
A possibilidade de nos alegrarmos com os caminhos e conquistas dos outros é a segunda qualidade. Ela nos ajuda no desenvolvimento social. Ela pode trazer paz para as relações sociais.
Os dois juntos nos facilitam a aprender cada vez mais a servir. Servir ao nosso desenvolvimento, ao dos outros e ao de toda a humanidade. Assim daremos também passos para servir sempre mais ao mundo espiritual.

Julian Rögge

Reflexão para o domingo, 1° de agosto

Época de Trindade

Referente ao perícope de Mateus 7, 1-14

“Entrai pelo portão estreito. Porque largo é o portão e

amplo o caminho que leva à destruição…”

O portal pelo qual todo ser humano adentra a vida terrena é estreito. Imagem para nosso caminho de busca espiritual. Somos muitas vezes, senão constantemente, levados a tudo que nos é cômodo, de fácil acesso, consumo e descarte. Eis o amplo portão e caminho que leva o humano em nós à destruição. No limiar deste portão as forças adversas nos recebem, sedentas de nosso ser.

É no limiar do portão estreito que encontramos o ser que nos acolhe e se torna nosso guia auxiliador.

Este é um enigma da vida humana terrena: Somente através do caminho mais estreito, com dor e muito sofrimento nossa alma é resgatada e ascende ao espírito transmutada.

Coragem e perseverança nos acompanhem em nosso caminhar. Aceitar a dor e o sofrimento nos leva ao portão estreito. Acolher as oportunidades que trazem nos prepara para a transformação no espírito.

Viviane Trunkle

Reflexão para o domingo, 25 de julho

Época de Trindade

Referente ao perícope de Marcos 8, 27-33.

Nesta conversa com os discípulos, Jesus lhes faz duas perguntas:
“Quem dizem os outros que eu sou?”
e
“Quem dizeis vós que eu sou?”
Trata-se da mesma pergunta, com a diferença de que se direciona a dois grupos diferentes: “os outros” e “vós”, os discípulos.
Poderíamos trazê-la aos dias de hoje e reformulá-la:
Quem dizem os outros…
e
quem dizes tu …
que eu sou?
E neste “tu” cada um de nós, que nos chamamos cristãos, poderíamos nos incluir e sentir que a pergunta nós é dirigida pessoalmente.  O que responderíamos?
Talvez seja mais fácil discorrer sobre o que outros já disseram sobre Cristo: os eruditos, os estudiosos, os grandes pensadores, as pessoas que admiramos ou respeitamos como conhecedores do assunto, ou mesmo um resumo ou apanhado de informações que lemos ou aprendemos em algum lugar de alguma pessoa… Tudo isto seriam respostas acertadas sobre o que “dizem os outros”.
Mas, o que digo eu mesmo?
Que ideias, pensamentos, convicções, certezas ou dúvidas vivem em mim, que me poderiam ajudar a responder esta pergunta?
Questões como estas nos mostram como é difícil discernir o que de fato é produto de nossas próprias conjecturas e o quanto é pura repetição de ideias ou opiniões alheias, que incorporamos, mas que muitas vezes não foram o suficiente trabalhadas ao ponto de haverem se tornado ideais e pensamentos próprios.
Cristo sabe que este é um processo longo na consciência do ser humano e, como um bom mestre, ajuda seus discípulos a se aproximarem da questão. Primeiro Ele os exorta a expressar o que outros dizem e ao expressá-lo, os discípulos percebem que isto não corresponde à vivência que eles mesmo experimentam daquele que caminha com eles. A primeira pergunta é essencial pois prepara a alma para responder à segunda.
A final, depois de identificares em ti mesmo tudo aquilo que lestes ou ouvistes de outros a respeito do ser de Cristo e foste capaz de peneirar tudo isto, o que de fato sobra? O que concluíste por ti mesmo, a que convicção própria chegaste sobre o significado de Cristo em tua vida?
O bom e sábio mestre é sempre aquele que estimula o discípulo a fazer perguntas, de tal modo que as próprias perguntas comecem a apontar em direção às respostas.
Nesta conversa, Cristo não quer testas a inteligência dos discípulos, mas quer ajudá-los a que olhem com atenção dentro de si mesmos e se façam a pergunta central:
Que dizes, que pensas e que sentes em relação a mim?
No ciclo das festas do ano, acabamos de encerrar o período de João Batista, que deu o testemunho de que aquele que havia batizado no Jordão era o Cristo. Inaugura-se agora um caminho de várias semanas que nos conduzirá a época de Micael. Neste caminho temos a possibilidade de deixar ecoar na alma o clamor de João e refletir sobre o significado de, como ele, querer tornar-se testemunha da real atuação de Cristo no mundo. Isto só é possível se formos capazes de responder a nós mesmos:
O que sou capaz de dizer, a partir de minhas próprias convicções, sobre a força, a atuação e a realidade de Cristo, na minha própria vida e na vida do mundo?

Renato Gomes

Reflexão para o domingo, 18 de julho

Época de João Batista

Referente ao perícope de Mateus 14.

“É necessário que ele cresça, e eu diminua.”

João Batista resumiu sua vida e sua missão nesta frase, colocando sua vida à disposição da missão de preparar o caminho para o Cristo. No momento do batismo de Jesus, João põe suas forças a serviço do Cristo. Com sua morte isso se torna visível no físico. Ele contribuiu para que a força crística pudesse surgir no mundo. Logo após sua morte, o Evangelho a mostra na alimentação das cinco mil pessoas.
Com a imagem da vida de João Batista em nossa alma, podemos nos perguntar: O que precisamos sacrificar e transformar para que algo novo possa se manifestar? Quais dos nossos hábitos, costumes ou tradições não nos servem mais e precisam ser superados? O que em nós, precisa morrer para abrir espaço para o novo?
No processo de transformação mudaremos a nós mesmos. Essas pequenas mudanças se somarão às mudanças de outras pessoas e mudarão o mundo. Do trabalho interno individual pode surgir um movimento de transformação do mundo.

Julian Rögge

Reflexão para o domingo, 11 de julho

Época de João Batista

Referente ao perícope de João 5, 31-40

João Batista foi um dos que testemunharam sobre o Cristo com a própria vida. O termo grego para testemunho é o mesmo que se aplica à palavra mártir, ou seja, o que morre por uma causa. Mas se traduzimos o termo para nossos tempos então isso não significa que necessitemos morrer por uma causa, mas que não testemunhamos com meras palavras, mas com atitudes na vida. Que nossas atitudes possam testificar, evidenciar, confirmar nossa ligação com o Cristo. Sua vinda e sua missão não é no sentido de ter pessoas que creiam nele e em seu Pai como uma manifestação externa, mas de ter pessoas que se transformem, se conscientizem e se ponham numa direção de realização de seu potencial como ser humano, aí elas serão verdadeiras testemunhas. Não queremos levar uma religião no sentido de reprodução de palavras, dogmas e crenças. Queremos levar uma religião que nos transforme naqueles que realmente somos. João Batista foi o precursor, preparador de caminho e testemunho. Nós somos os precursores daqueles que desenvolverão em si a consciência crística. Ele necessitou diminuir para que o Cristo pudesse crescer. Há algo em nós que necessita diminuir para abri espaço para o Cristo em nós, e este não é o ego mais nosso verdadeiro Eu.

Carlos Maranhão

Reflexão para o domingo, 4 de julho

Época de João Batista

Referente ao Evangelho João 1, 19-34

“Quem es tu?” – perguntaram-me
Quem sou eu? – pergunto-me
O que sou, não se explica, não se define, não se encaixa em umas poucas palavras.
O que sou, de fato, não dá para dizer com palavras…
Indefinível!
Indescritível!
Indizível!
Mas eu defino e descrevo tantas situações, tantas pessoas…
Sou capaz de dizer, com palavras, qualquer coisa, menos com relação ao “eu-mesmo”…
O que sou é apenas silêncio? Vácuo? Um nada?
Preciso me agarrar em algo, me ancorar em uma definição, me sustentar em algum terreno palpável…
Mas tudo isto é ilusão, não-eu…
Pois eu sou quem se agarra e não a coisa agarrada;
Eu sou quem define e não a coisa definida;
Eu sou aquele que tem a força de se sustentar e não o terreno firme.
“A final, o que dizes de ti mesmo?”, perguntaram
Eu sou…
a atividade na ação,
a razão no raciocínio,
o esforço na força,
a voz na palavra,
Eu sou apenas o veiculador, não a coisa em si.
Eu sou aquele que une força, raciocínio e ação para que a coisa se expresse na vida.
A coisa é a palavra, eu sou apenas a voz
Empresto minha voz.
Abro caminhos com minha voz.
Para que Sua Palavra aconteça no mundo.

Renato Gomes

Reflexão para o domingo, 27 de junho

Época de João Batista

Referente ao perícope de Marcos 1, 1-11

João Batista, conclamava para que os seres humanos abrissem suas almas à transição dos tempos.
Uma nova era estava na iminência de rasgar os véus que os apartavam do mundo espiritual.
Do deserto, da solidão soava o clamor. A voz no deserto anunciava o Verbo que se fez carne e se tornou a fonte de água viva para todo ser sedento de espírito.
João estava no lugar certo, na hora certa e teve a atitude acertada. Reconheceu sua pequenez, mas não fugiu à tarefa de batizar com água Aquele que viria a introduzir o batismo de fogo.
Imagem grandiosa para o ser humano. Vivemos no deserto da alma, na solidão da dor. Nossa voz ainda soa fraca e baixa, mal conseguimos perceber o Verbo que nos rodeia, quanto mais anunciá-lo. Nossa tarefa de vigiar é constantemente acometida por longos períodos de sonolência e sonho. Por onde começar nosso trajeto de mudança? Ao observar em nós aquilo que excessivamente nos prende ao passado e impossibilita nossa transição. Permitir que algo chegue ao fim nos levará a vislumbrar o sol do novo mundo. Cabe a cada um de nós darmos o passo em direção à fonte de água pura e cristalina que nos vivificará. Cabe a nós estarmos cada vez mais vigilantes para mantermos nossa presença de espírito a fim de percebermos nossa pequenez e em humildade nos colocarmos a serviço do Verbo que nos batizará com fogo.

Viviane Trunkle