Reflexão para o domingo, 7 de agosto

Época da Trindade

Referente ao perícope de Lucas 15, 11-32

Hoje lemos no Evangelho a imagem do filho mais novo que faz seu caminho, cai em si, se levanta e muda a direção da sua vida.
Há também a imagem do irmão mais velho. Ele fica com raiva e não consegue se alegrar com a volta do irmão. Porém, ele nos mostra também uma qualidade: a de servir ao pai com grande fidelidade, observando suas ordens. Para a nossa vida, as qualidades dos dois irmãos são muito importantes. Podemos aprender muito com eles.
Precisamos desenvolver a força de perceber quando estamos em um caminho errado, e a vontade de reconhecer nossos erros mudando o rumo da nossa vida. Precisamos também da força de servir com fidelidade ao que reconhecemos como verdadeiro.
Unindo as qualidades dos dois irmãos, nós nos tornaremos bons colaboradores. Bons colaboradores na grande obra do Deus-Pai.

Julian Rögge

Reflexão para o domingo, 31 de julho

Referente ao perícope de Mateus 7, 1-14

Encontramos logo a trave no olho do outro, mas não a enxergamos em nosso próprio olho. É muito mais fácil observar as necessidades de desenvolvimento do outro do que nossas próprias.
Desenvolver uma consciência de nós mesmos e enxergar onde precisamos nos  desenvolver é um caminho muito árduo. Não é fácil ver as próprias sombras, falhas e erros. Porém, é um passo necessário em nosso caminho de vida e em nosso desenvolvimento. Pouco a pouco esse caminho nos dará a possibilidade de trabalharmos nossas sombras e de fazermos aparecer nosso verdadeiro ser. Com o percorrer desse trabalho e a transformação de nossas falhas, teremos cada vez mais a possibilidade de ajudar o outro. Esse caminho de desenvolvimento nos dará as ferramentas para nos colocarmos a serviço do outro, da Terra e do mundo espiritual. Através desse caminho de autodesenvolvimento, nós nos tornaremos cada vez mais colaboradores dos céus.

Julian Rögge

Reflexão para o domingo, 24 de julho

Referente ao perícope de Marcos 8, 21 e 9, 1


Batismo: rio Jordão embaixo a esquerda, derramando águas para baixo.

Simão se prepara com seu irmão André para a jornada, partindo da frutífera região da Galileia ao norte para a árida região da Judeia ao sul, seguindo assim o curso do rio Jordão. Jordão significa em hebraico “aquele que corre para baixo, sempre descendo”. De fato, o rio Jordão nasce ao norte nas altas encostas do Monte Hermon, forma o mar da Galileia aos pés da montanha e deságua no Mar Morto no sul da região. Como seu nome indica desce das alturas da sua nascente até as profundezas do Mar Morto, região em que se encontra o ponto mais baixo da superfície da Terra.
Chegando à Judeia, Simão ouve o chamado de João Batista: “mudai os vossos sentidos” e, com seu irmão, é batizado nas águas do Jordão. Também nessa ocasião Jesus é batizado por João Batista nas águas do Jordão. Pouco depois, André e Simão se encontram com Jesus, que logo anuncia que Simão deverá se chamar Pedro.
Jesus e também Pedro e André retornam para a Galileia. Um dia, Jesus vendo Pedro e André pescarem no mar da Galileia reconhece-os como verdadeiros pescadores, ou seja, pescadores de almas humanas e os convoca para serem seus discípulos. Assim, na atmosfera paradisíaca do mar da Galileia com suas margens verdes, André e Pedro seguem Jesus e se tornam testemunhas da Sua nova atuação. Ele cura, libera possuídos dos espíritos impuros e anuncia o evangelho. As palavras de Jesus têm poder imediato; ao serem pronunciadas, logo revelam sua força divina na cura e na transformação do mal em bem. Na casa dos dois irmãos Jesus cura a sogra de Pedro e logo afluem multidões procurando consolo e cura. Pedro também segue seu mestre quando este se retira em lugar calmo para orar…
Chega então o momento em que Jesus concede seu poder aos doze discípulos, que agora são enviados para atuarem eles mesmos em nome do Cristo. Eles poderão agora curar, livrar os possuídos de seus espíritos impuros e anunciar o evangelho.
Jesus segue enfim com seus discípulos para Cesárea Filipi, próxima à nascente pura do Jordão. O que poderia ser uma vivência da força primordial divina nas nascentes puras do Jordão, havia sido pervertido pela presença romana acentuada pela dedicação do nome do lugar ao César. O César usurpava a natureza divina para si e exigia que fosse adorado e venerado como um Deus. Nesse campo antagônico das qualidades de veneração das forças divinas por um lado, e da exaltação dos poderes terrenos por outro lado, Jesus coloca a pergunta mais significativa aos seus discípulos: “O que as pessoas dizem que Eu sou?” E logo a seguir: “E vós, que dizeis sobre quem eu sou?”
Como num relâmpago na sua consciência, abrangendo todos os momentos em que já tinha vivido com Jesus, desde a Judeia com João, até a Galileia como testemunha de Jesus, e agora em Cesárea Filipi, Pedro logo responde: “Tu és o Cristo!” Esta é a verdadeira fonte das águas, da vida pura, o reconhecimento do Cristo em Jesus! Não existe momento mais significativo para um ser humano do que este. Trata-se de um momento de transformação radical, mas também de grande desafio, pois o Cristo na Terra terá que passar pelos vales das trevas, pela morte, para conquistar a nova vida. Este momento pode ser usurpado pelas forças adversas que, evitando o percurso pelas regiões áridas do destino, reivindicam para si o poder divino. Pedro tenta convencer Jesus a não ter que passar pelas provas das trevas e morte na Terra…
Neste sentido este trecho do evangelho inaugura um caminho para a alma humana na segunda metade do ano cristão: o caminho do Jordão. Primeiro das alturas das águas puras para as regiões férteis, ou seja, do despertar da consciência espiritual individual para uma nova atuação sanadora. Depois seguindo pelos áridos vales da Terra, ou seja, pelos escuros abismos do destino até a morte, não para se subjugar as forças da morte como no Mar Morto, mas para poder conquistar a nova vida. Este caminho é percorrido todo ano em dez etapas até a época de Micael. Este caminho dos evangelhos nesta época pode nos fortalecer interiormente ao saber que neste necessário desafio estamos sempre acompanhados pelo Cristo, continuando a levar o Seu espírito na tarefa de cura e de transformação da Terra.

Helena Otterspeer

Reflexão para o domingo, 17 de julho

Época de João Batista

Referente ao perícope de Mateus 11, 1-15

Jesus inaugurou uma nova era. Os velhos tempos terminaram com João Batista. Com Jesus começa o tempo do reino dos céus. Com Jesus, todos os tipos de pessoas podem ter uma vida no reino dos céus agora mesmo. E o menor no reino dos céus é maior do que João. Ao lermos os evangelhos, aprendemos que Jesus convidou todos os tipos de pessoas para o reino dos céus. Jesus convidou a todos, incluindo pecadores. Para os judeus devotos, esse pensamento era simplesmente perverso, uma violação do reino dos céus. Mas pela graça de Jesus, todos indistintamente poderiam tornar-se cidadãos do reino dos céus. E Jesus chamou o menor deles maior do que João Batista. Porque João era um servo de Deus no sentido do Antigo Testamento, embora o maior. João não foi autorizado nem mesmo a chamar Deus pelo nome, mas esses pecadores que pertenciam ao reino dos céus foram autorizados a chamar Deus de Pai. João não era um junco balançando ao vento. Ou seja, João não era fraco e vulnerável, tampouco era influenciado pela pressão de ninguém, mas sim fiel às suas convicções e ao chamado de Deus. Além disso, João não era um homem vestido com roupas macias em palácios reais, mas se vestia rusticamente e estava entregue às forças da natureza. Finalmente, Jesus diz quem João, de fato, era. João era um profeta, mas não um profeta qualquer e sim enviado para preparar o caminho para o Messias. Jesus faz essas duas grandes declarações consecutivas que parecem contraditórias: Primeiro, não há ninguém que tenha nascido que seja maior do que João Batista. Isso é grandioso, mas depois faz esta segunda declaração: o menor no reino dos céus é maior do que João. João é o maior, e o menor no reino dos céus é maior do que João. Como assim? Aqui está o que Jesus está dizendo: a pessoa que conhece Jesus, por quem Ele realmente é e o que Ele realmente fez, tem acesso a algo maior do que qualquer outra experiência daqueles antes da obra de Jesus. A sua vinda faz mudar tudo tão completamente que o menor no reino dos céus, passa a ser, por meio de Jesus, maior do que o maior sem a sua obra. João Batista foi enorme, ele era santo, ele buscou a Deus, ele foi o maior profeta de todos os tempos, mas ele foi o último profeta, pois ele não experimentou nada parecido com o que aqueles que realmente conhecem Jesus podem experimentar. Por isso podemos dizer que já não necessitamos mais de profetas, pois nos tornamos profetas de nós mesmos. Ao estabelecermos relação com O Cristo conscientemente entramos num caminho para nos reconhecer como filhos de Deus, trabalhando para que possamos entrar em seu reino.

Carlos Maranhão

Reflexão para o domingo, 3 de julho

Época de João Batista

Referente ao perícope de João 1, 19-28

João Batista é o exemplo de uma pessoa que se conhece bem e conhece a sua meta na Terra. Ele sabe quem ele não é e tem a sua tarefa: preparar o caminho para o Cristo. Ele se coloca a serviço dessa missão.
Durante a nossa vida, podemos chegar a um momento semelhante. Precisamos aprender a reconhecer quem não somos. Não somos nossos pais, não somos nossos companheiros e nem nossos amigos. Pouco a pouco descobrimos quem realmente somos. No caminho de descobrir nossa individualidade, se revela também nossa meta de vida. Cada vez mais nosso verdadeiro ser se torna visível. Ele, que tem como João Batista a possibilidade de encontrar e vivenciar o Cristo. Nele encontramos nosso verdadeiro ser, nosso guia supremo.

Julian Rögge

Reflexão para o domingo, 26 de junho

Época de João Batista
Referente ao Perícope de Marcos 1,1-11

Nineta Sombart

Há momentos em que desejamos de coração o levantar de um novo dia, um novo início, uma nova compreensão entre os homens, uma forte benção do mundo divino. Há realmente épocas em que parece impossível escapar da opressão, da destruição, de uma espiral de acontecimentos trágicos. De onde pode provir um novo início?
O nome João significa em hebraico „Deus é pleno de graças.“ Poderíamos dizer ainda Deus sempre doa graças: vida, luz, força, a cura de uma doença! Ou ainda: o Eu Sou divino é pleno de graças.
Quem senão o ser humano é capaz de receber a plenitude das graças divinas, tendo sido ele formado à imagem e semelhança de Deus!
Este ser humano enviado por Deus e portador da plenitude das suas graças é João, que vem a ser, portanto, testemunha de Deus, da Sua luz, da Sua vida.
João é aquele que sabe, que acredita que a graça divina pode transformar a natureza e a existência humana, mesmo nas mais profundas crises. João é forte em Deus, com Deus. João persevera nas intempéries. João conhece a natureza humana e sabe prepará-la para receber no momento certo a transformadora graça divina.
João, o Batista, sabia no ano 30 d.C. que era eminente a chegada do Cristo na humanidade, especificamente na alma humana, na alma de um escolhido do povo judeu. Há muito já se dedicava a preparar seus discípulos para isso, apelando pela transformação dos sentidos e batizando nas águas do Jordão. Estes discípulos viriam mais tarde a ser os discípulos de Cristo e seus enviados, seus apóstolos. O espírito do Cristo na plenitude da graça divina iria baixar sobre o escolhido, o preparado e esperado pelo povo judeu há muitas gerações. Nele o espírito do Cristo iria permanecer para sempre e com isso instituir um novo início na evolução da Terra e da humanidade.
Quando Jesus naquele dia se aproximou das águas do Jordão, João o reconheceu, reconheceu também o momento crucial para a futura evolução da humanidade e humildemente o batizou. O espírito do Cristo, do verbo divino primordial baixou como uma pomba e penetrou indissoluvelmente na natureza humana de Jesus. Ali permaneceu transformando a natureza terrena de Jesus, espiritualizando-a. Este foi o grande novo início, o início da atuação de um novo princípio divino na Terra, o princípio do EU SOU do Cristo na alma humana. Para que este princípio pudesse no futuro atuar em cada alma humana, Jesus Cristo teve que fazer nascer das trevas um novo dia, teve que fazer nascer da morte na cruz uma nova vida em espírito.
Hoje o espírito de João ainda vive nas comunidades cristãs, clamando para que transformemos os sentidos e preparemos o caminho para que o EU SOU do Cristo possa penetrar na alma humana, encontrando nela uma morada e permitindo que ela possa assim, reconhecer a realidade da ressurreição. Então, cada dia será um novo dia, um novo início de profundas transformações, superações e vitórias sobre as forças de declínio, de destruição, de ódio. O coração humano pleno das graças divinas no Eu Sou será uma fonte de vida eterna, estabelecendo assim a Paz, a Paz em Cristo.

Helena Otterspeer

Reflexão para o domingo, 19 de junho

Época da Trindade

Referente ao perícope de João 4, 1-26

A passagem nos lembra o salmo 42: “Como o cervo tem sede de água fresca, minha alma tem sede de Deus”. Todos suspeitamos que não basta administrar o dia a dia de alguma forma, que é preciso mais do que um relógio que nos desperta para um dia de trabalho e uma sopa à noite, arrumar a casa e sair de férias uma vez por ano, mais do que trabalho e festa. Mas o que é a vida real, uma vida de esperança, uma vida com sentido? A nossa sede física é momentaneamente saciada, mas a sede de Deus só pode ser saciada pela água viva que Cristo nos oferece. Podemos momentaneamente buscar novos projetos e, enquanto eles nos ocupam, talvez ter a sensação de sentido. Mas uma vez levado a cabo, volta o vazio. Os seres humanos anseiam por realização, significado e valor. Alguns o buscam no sucesso profissional, no poder, na honra, na riqueza e no reconhecimento dos outros. Outros procuram drogas ou álcool. Outros ainda acreditam que outras pessoas podem satisfazer seus anseios. Mas bebendo da fonte espiritual que emana do Cristo, não teremos mais sede no sentido de que sempre estaremos em contato com o Deus Pai através do Espírito. Todos temos sede, independente de origem racial ou condição social. A condição humana que nos faz sedentos é a de viver na Terra separados do mundo espiritual. A água viva que nos é dada por Cristo torna-se a fonte de nossa vida, se a ela nos dedicamos e buscamos. A busca por vezes oscila, é inconstante, fortalece com o sofrimento, mas se perseverarmos nela, ela nos levará inelutavelmente à fonte da água viva.

Carlos Maranhão

Reflexão para o domingo, 12 de junho

Época da Trindade

Referente ao perícope de Mateus 28, 16-20

“Eu estou em vosso meio todos os dias, por todos os ciclos dos tempos.”

Qual mensagem poderia ser mais reconfortante do que esta?

O Ser Solar está em nós. Seus raios podem nos preencher de luz e calor.

Porém, assumimos tanto nossa condição humana terrena que, através dos obstáculos da vida, permitimos que nuvens densas e pesadas encubram todo o brilho solar.
Uma névoa nos preenche de forma a não mais abarcarmos que Ele está em nós.
Faz-se necessário um forte vento para desanuviar nossas almas.
Ao recordarmos, ao longo do ano a chegada do menino Jesus e do Cristo, seus ensinamentos, curas e milagres, o acontecimento do Gólgota e sua ascensão; aquecemos nosso coração em profundo amor pelo Ser Solar. Este calor irradia em direção ao Espírito e ele pode vir em nosso auxílio como o vento sanador.
Aos poucos as nuvens se dissipam e nosso coração encontra o Sol do Cristo em nós.
São momentos em que o percebemos em nosso “meio”, centro, cerne, âmago.
Que sejam fontes de forças vivificantes!

Viviane Trunkle

Reflexão para o domingo, 5 de junho

Época de Pentecostes

Referente ao perícope de João 14, 23-31

Quando uma semente cai na terra ela fica invisível na escuridão. Se ela recebe água e calor suficientes observamos o milagre de um broto sair da terra e crescer em direção à luz. Na escuridão da terra a semente se transformou.
Um processo semelhante acontece com a palavra de Deus, quando ela adentra em nosso coração. Ela também fica invisível. Ela crescerá se assumirmos a tarefa, que para a semente, é ofertada pela natureza. A palavra de Deus precisa do calor do nosso coração aberto, da ‘água’ do nosso cuidado constante e do tempo necessário. Ela precisa do nosso amor. Assim ela se transformará em um broto que começará a crescer.
Criamos as condições para a palavra se desenvolver em nós quando cuidamos desse broto com todo nosso amor. Nesse caminho fortaleceremos nossa relação com a Palavra de Deus e com o Cristo de quem a recebemos. Assim iremos, ativamente, ao encontro da promessa do Cristo e do Pai, de fazerem sua morada em nossos corações. Temos a tarefa de cuidar desse broto e de oferecer com amor as condições para ele crescer cada vez mais.

Julian Rögge

Reflexão para o domingo, 29 de maio

Época de Ascensão

Referente ao perícope de João 16, 22-33


Detalhe do altar de Gent de Van Eyck

„Pedi de coração e ao coração vos será dado.“ Estas palavras do evangelho de João já foram lidas no Ato de Consagração do Homem duas semanas atrás. Elas se repetem, o que é extraordinário na anunciação do evangelho ao longo do ano. Com certeza um forte apelo de Jesus Cristo aos seus discípulos, mas também a todos os cristãos, desde então e por todos os ciclos dos tempos. Também nas orações da época de Ascensão do Ato de Consagração do Homem se fala da força vidente do coração e que os nossos corações louvam o Cristo, que vive no âmbito das nuvens para abençoar a Terra. Pedir de coração significa pedir em nome de Jesus Cristo, que na cruz, depois da sua morte, foi perfurado pela lança de Longinus. Essa lança penetrou no seu lado direito até o coração. Como João então, muito surpreso, descreve no seu evangelho, fluiu sangue e água da ferida. Sabemos pelas vivências visionárias de pessoas estigmatizadas que, embora depois da morte na cruz nada deveria ter fluído da ferida, o sangue e a água jorraram como de uma pura fonte de vida. Este é o sangue que seria recolhido mais tarde no cálice da Última Ceia por José de Arimateia. Este é o Graal que sana todas as dores, sana a doença do pecado.
Na imagem do sangue fluindo do coração de Jesus Cristo na cruz temos uma imagem das forças da ressurreição, das forças de vida eterna que fluem incessantemente através dos sacramentos para o mundo, para a Terra e para a humanidade. Os sacramentos aparecem, assim, como o coração do mundo, o coração que vamos formando e tornando uma realidade quando celebramos em comunidade.
Também o coração do Homem poderá perceber e reconhecer as forças de vida da ressurreição, como no testemunho de João, para então sentir o impulso de seguir o Cristo, percorrer o Seu caminho, se tornando um discípulo e um apóstolo, ou seja, um enviado para a tarefa de transformação do mundo.
Hoje, com o olhar do materialismo, muitos descrevem o coração como uma bomba muscular que provoca a circulação do sangue. Se reconhecêssemos a verdadeira função do coração, o veríamos como um órgão dos sentidos, formado pela circulação do sangue, como caracterizado na ciência espiritual de Rudolf Steiner. A força vidente do coração, um órgão que percebe o calor do mundo, a substância espiritual primordial. O coração como órgão de sentidos está em devir, em constante transformação. No futuro substituirá o cérebro na sua função de alcançar um conhecimento superior do mundo espiritual. Portanto, no futuro, o coração do Homem será um órgão de sentidos para o conhecimento da verdade. Quando isto acontecer, o coração já será um membro do corpo da ressurreição. A chave para o conhecimento da verdade, para o conhecimento superior é a compreensão do mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Portanto, a transformação do coração dependerá de cada um. Ele irá se transformando na medida em que se cultiva as qualidades de compaixão e amor como em Jesus Cristo. Assim podemos nos tornar seus discípulos e seus seguidores, como o foi João. João, que durante a Última Ceia, se inclinou sobre Jesus Cristo, como para escutar seu coração, compreender a sua vontade como vontade do Pai e se tornar seu seguidor. João se tornou então o apocalíptico, o que vivenciou a revelação do Filho do Homem através dos tempos, como escreveu no livro do Apocalipse. As 7 comunidades do Apocalipse participam também desta revelação, desta evolução. O homem vai deixando de ser criatura para ser cocriador na obra divina.
Com a transformação do coração também nós participaremos cada vez mais da obra da ressurreição da Terra e da humanidade. O que era passivo órgão de percepção se tornará ativo órgão na evolução, na geração de uma nova Terra e um novo Homem.

Helena Otterspeer