Reflexão para o domingo, 31 de maio

Referente à perícope do Evangelho de João 17, 6-11

 

No início da oração sacerdotal do Evangelho de João, Jesus ora ao Pai para que ele nos santifique na verdade. Isso chama especialmente a atenção. O caminho com o Cristo é, em sua essência, o caminho da verdade. Não é por acaso que essa passagem é lida na cerimônia de confirmação dos jovens na Comunidade de Cristãos. Eles se encontram diante de uma importante passagem da vida. Necessitam receber uma palavra que lhes indique o verdadeiro caminho que cada um deverá seguir. Mas essa indicação do caminho da verdade não é necessária apenas na juventude. Ela é fundamental em todas as crises pelas quais passamos até o fim de nossas vidas.
Mas é importante que essa verdade seja recebida por cada ser humano de modo único, de acordo com sua própria individualidade. E aqui encontramos um dos grandes paradoxos de nossa época. Como falar da verdade crística de tal maneira que ela não se converta no relativismo predominante do nosso tempo? Segundo esse relativismo cada pessoa possui sua própria verdade independente das demais, chegando facilmente à conclusão de que a verdade universal e absoluta não existe.
Depois de Pentecostes, ouvimos palavras que nos mostram que a recepção do Espírito possui, de fato, um caráter profundamente individual. Cada discípulo recebe sobre sua cabeça uma língua de fogo particular. Cada um recebe a sua porção do Espírito, segundo seu momento particular e o estágio de sua consciência. Por isso a recebemos de modo cada vez mais amadurecido ao longo da vida. Mas o essencial é que essas línguas de fogo procedem de uma única fonte. O Espírito manifesta-se de muitas formas, mas procede de uma só fonte: Deus, através do Cristo.
Por isso, a verdade cristã não é nem uma verdade imposta exteriormente, igual para todos, nem uma multiplicidade arbitrária de opiniões sem centro comum. Ela é uma fonte universal de sabedoria que deseja ser acolhida individualmente em cada coração humano. Quando recebemos essa verdade em nosso interior, fortalecemos ao mesmo tempo nosso caminho de liberdade e nossa capacidade de construir comunidade. Quanto mais profundamente encontramos aquilo que o Cristo quer revelar em nós, mais nos tornamos verdadeiramente nós mesmos. Quanto mais nos tornamos nós mesmos, mais capazes nos tornamos de encontrar os outros em comunidade.

Carlos Maranhão