Reflexão para o domingo, 17 de maio

Referente à perícope do Evangelho de João 16, 24-33

Na geometria projetiva, o ponto está relacionado com o infinito. Esses dois elementos polares formam uma unidade dinâmica. Esse pensamento pode se manifestar em ciclos de vida como o de uma planta, que a partir da semente se expande na atmosfera da Terra para novamente deixar cair a semente no final do ciclo anual de vida. Sem o calor, sem a vida e sem a luz do sol, esse ciclo não seria possível. Também o caminho do filho de Deus, do Cristo, do espírito do sol, da infinita amplidão cósmica até o ponto mais profundo do interior da Terra, ou seja, da onipotência e consciência divina até a impotência da morte e materialismo terrenos, vai renovar a ameaçada ligação da vida entre os céus e a Terra. Esta ameaça poderia levar à morte da alma humana, ao fracasso do projeto espiritual da humanidade, predestinada a alcançar a vida eterna, a existência como Espírito entre Espíritos.
Na imagem de Jesus Cristo na cruz vemos como a consciência divina se liga à morte, ao âmbito pontual da completa ausência de Deus. A consciência divina não conhece a morte, só conhece transformações, enfraquecimentos e fortalecimentos. Para que a consciência divina pudesse conhecer a morte, Deus teve que se tornar Homem, o Verbo divino se fez carne e sofreu a morte na cruz. Quando a consciência divina — com o último suspiro de Jesus Cristo na cruz — abarcou a morte, o caminho para a escuridão das camadas interiores da Terra, para o reino das trevas da morte se abriram para a luz divina que alcançou o centro da Terra para novamente ligá-lo às infinitas amplidões de vida celeste. Nesse momento, Cristo se liga eternamente com a Terra e com a alma humana; por outro lado, a alma humana passa a acolher a substância divina em si. Os céus chegam à Terra e a Terra se eleva aos céus.
Na Ascensão, celebramos esse vitorioso momento de graça em que se torna possível para a alma humana permeada pela substância divina de Cristo se elevar as fontes celestes de vida. Os elementos polares da vida transitória corporal terrena e da vida anímico espiritual celeste do caminho pós morte se ligam numa unidade. O âmbito do Pai da existência terrena se liga — pela mediação do Cristo — ao âmbito do Espírito no caminho pós morte. Como isso pode se tornar possível? Isso foi o tema (não mencionado nos Evangelhos) das conversas e ensinamentos do Cristo com os seus discípulos nos 40 dias entre a Páscoa e a Ascensão. Esse é o caminho que temos que percorrer em plena dedicação, conscientemente e livremente com Jesus Cristo ressuscitado para que ele comece a viver no nosso Eu espiritual. Essa vida em espírito transformará e espiritualizará toda a Terra e toda a natureza humana.

Helena Otterspeer