Referente à perícope do Evangelho de Mateus 20, 1-16
No Evangelho Mateus 20, lemos que, certo dia, o proprietário de uma vinha contratou alguns trabalhadores logo pela manhã; outros, mais tarde, e os últimos contratados trabalharam somente uma única hora nesse dia. Na hora do pagamento, os últimos contratados receberam o pagamento primeiro e ganharam o mesmo valor dos que trabalharam o dia inteiro: um denário. Aqueles que trabalharam mais horas ficaram revoltados com o que consideraram ser uma injustiça.
Qual seria o sentido desta parábola? Seria uma sugestão de novas leis trabalhistas e salariais?
Para entender melhor esta parábola, precisamos levar em conta o seu contexto e a quem era dirigida. No capítulo anterior (Mateus 19), um jovem rico perguntou a Jesus como se pode alcançar a vida eterna. Em resumo, a resposta é que ele deveria vender todos os seus bens. Ao ouvir essa resposta, os discípulos que testemunharam a conversa se assustaram e Pedro perguntou qual seria, então, a recompensa deles, já que os discípulos largaram tudo para seguir Jesus. Jesus prometeu que futuramente, na sua glória, todos os que abandonarem os seus bens em seu nome serão ricamente recompensados, mas acrescentou que muitos primeiros serão últimos e os últimos, primeiros. Logo em seguida, ele contou a parábola dos trabalhadores na vinha (Mateus 20), iniciando com:
“Porque o reino dos céus é semelhante a um proprietário, que sai de manhã para contratar os trabalhadores para a sua vinha (…)”.
E a parábola termina com a mesma frase (exceto que a ordem está invertida) do final de Mateus 19: Assim os últimos serão os primeiros e os primeiros, os últimos.
Ao se dirigir aos discípulos com esta parábola, Jesus não introduziu novas regras trabalhistas, mas falou do reino dos céus, em que a justiça divina é diferente da justiça humana. As leis da proporcionalidade reinam na vida terrestre, enquanto no reino dos céus, vigoram a graça e a bondade. Não é por mérito que se entra no reino dos céus. É preciso se empenhar, como os trabalhadores na vinha, mas a graça divina é plena e igual para todos os que se empenharem.
Friedhelm Zimpel