Referente à perícope da Primeira Carta aos Tessalonicenses 4, 13-18
A epístola do Advento nos fala do que se “torna audível no fundo da alma”. Esta época do ano nos estimula a ouvir, a praticar uma escuta atenta, uma escuta que se entrega ao silêncio e busca “pressentir”, que busca desenvolver um ouvir tão aguçado que pode vir a perceber a palavra indizível.
Aqui tocamos algo do mistério do Logos – o Verbo Divino –, que sussurra aos ouvidos do coração humano. Sussurra a palavra futura que reverbera no presente.
Na carta aos tessalonicenses, o apóstolo Paulo nos chama a atenção e acrescenta: Os que faleceram, os que antes de nós “adormeceram” em Cristo, ouvirão primeiro o chamado das trombetas dos anjos.
É necessário aproximar-se deste limiar, o limiar entre a existência terrena e a vida post mortem. Toda oração, toda meditação que busca uma vivência do espírito é, de certo modo, uma experiência de cruzar o limiar entre a existência sensorial e a vida no Espírito! “Orar é como morrer um pouco.“
É necessário “adormecer” para o mundo exterior e abrir o sentido para o que vem – o que ad-vem – ao nosso encontro. No início pode parecer que se trata apenas de um “nada”, escuro e vazio… mas a confiança naquele que nos chama, pode nos levar a pressentir no fundo da alma o Verbo futuro que se faz audível no presente!
Renato Gomes