Referente à perícope do Apocalipse de João 21, 1-27
Muitas pessoas vivem hoje em dia em cidades grandes. Muito concreto, altos edifícios, inúmeros veículos nas ruas… Toda nossa tecnologia criou estas cidades e tudo que nelas existe. Todas essas coisas foram construídas de baixo para cima. Primeiro os fundamentos assentados em terreno profundo e firme e, pouco a pouco, foram subindo as colunas que sustentam toda estrutura, até chegar ao telhado.
O trecho do Apocalipse desta semana nos descreve que a Cidade Santa, a Nova Jerusalém, ao contrário, é construída de cima para baixo. Seus muros descem do alto e se assentam sobre os ombros dos doze apóstolos do Cordeiro. Aqui se descreve uma construção não feita de pedra ou cimento, mas de uma qualidade espiritual preciosa (em alusão às diferentes pedras preciosas que são mencionadas no texto!). Trata-se de uma construção que simultaneamente é divina e humana!
Cristo quer colocar à disposição do ser humano sua preciosa força, aquela mesma força de vida que no domingo de Páscoa venceu a morte e desde aquele momento começou a preparar a construção de um novo mundo.
Como já mencionado no texto: “Eis que faço novas todas as coisas!” Todas as construções humanas, que foram edificadas “de baixo para cima”, mais cedo ou mais tarde caíram, desmoronaram ou serão derrubadas pelo tempo ou pelo próprio ser humano. A construção que provém do alto se baseia num princípio imperecível. Contudo para que se realize, precisa encontrar “ombros humanos” onde possa se apoiar.
Aquele que está sentado no Trono divino é quem impulsiona este processo criador, mas ao mesmo tempo é necessário que seres humanos estejam dispostos a acolher e a sustentar este impulso. Somente assim a Cidade Santa poder vir a existir: “a morada de Deus com o Ser humano”, o “EMANUEL – Deus-Conosco”.
Como o próprio Cristo no início deste livro cheio de imaginações e promessas futuras já anunciou: “Eu estou à porte e bato, quem ouvir a minha voz e abrir a porta, então eu entrarei nele, farei morada nele e cearei com ele e ele comigo!” (Ap 3,20).
A construção da Nova Jerusalém é uma promessa a realizar-se em um futuro ainda distante. Entretanto, ela começa hoje, em cada momento em que o ser humano dá atenção ao que ouve (e que realmente importa), acolhe-o e começa a construir algo que possa vir a contribuir na construção deste Novo Céu e desta Nova Terra!
Renato Gomes
Pastor da Comunidade de Cristãos de Campinas