Reflexão para o domingo, 5 de outubro

Referente à perícope do Evangelho de Mateus 22, 1-14

O Reino de Deus está aberto a todos: bons e maus. E, se somos sinceros, reconhecemos que em cada um de nós convivem o bem e o mal. Por isso, a entrada nessa realidade não depende de uma distinção exterior, mas da decisão interior de cada coração. A parábola das bodas nos fala dessa grande festa: o restabelecimento da união com Deus. A todos chega o convite. Mas então surge uma imagem desconcertante: um convidado é expulso porque não trazia as vestes apropriadas, é lançado às trevas, onde há choro e ranger de dentes. Parece duro demais, não corresponde à nossa imagem de um Deus de misericórdia. Como compreender isso?
Aqui é preciso recordar: Deus nos fez livres. Ele não nos força nem a entrar na festa, nem a permanecer nela. Podemos comparecer a muitas festas com o traje que quisermos; mas aqui não se trata de convenções externas. A veste das bodas não é pano, mas condição da alma. É a pureza interior, o fruto do trabalho consciente de transformação. Cada um de nós carrega em si sentimentos de raiva, inveja, rancor, incredulidade. Esses são os farrapos que trazemos na alma. O convite de Deus não exclui ninguém por causa disso. Ao contrário, Ele nos dá todo o tempo necessário para que, em liberdade, decidamos purificar-nos, trabalhar nossos sentimentos, abrir-nos à fé e ao amor.
A exclusão da festa, portanto, não é um ato arbitrário de Deus, mas a consequência natural de ainda não estarmos prontos para viver em comunhão com Ele. Somos nós mesmos que nos afastamos da luz quando ainda não suportamos vesti-la.
Assim se entende a frase: “Muitos são chamados, mas poucos escolhidos.” O chamado ressoa em todos, mas os escolhidos são aqueles que, em liberdade, respondem, cultivando o trabalho interior, buscando a Deus não apenas com palavras, mas com vida transformada.
O Apocalipse de João descreve os que perseveraram na fé, que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro. Essa é a veste nupcial: a alma purificada e fortalecida por Cristo, que redime nossas feridas e nos guia no caminho.
Portanto, não temamos a imagem da exclusão, como se fosse um castigo imposto. Antes, compreendamos que ela nos revela a seriedade de nossa liberdade. O convite está sempre diante de nós. Cabe a cada um decidir, passo a passo, se deseja preparar sua veste e entrar na festa da união com Deus.

Carlos Maranhão