Reflexão para domingo, 21 de setembro de 2025

Referente à perícope do Evangelho de Mateus 6, 16-34

Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem a tudo corroem, e onde os ladrões cavam e roubam. Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem corroem, e onde os ladrões não cavam, nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.

Houve uma vez um rei de ferro, que construiu um castelo de ferro e treinou seus soldados a usar armas de ferro. Ele fez tudo isso pois tinha enorme medo aos ladrões que poderiam roubar seus preciosos tesouros: suas capas e mantos bordados, sua magnífica coroa de ferro.

Ele reuniu seus barões e lhes obrigou a construir muitas fortalezas em torno de seu férreo castelo. Assim imaginou se sentir protegido, seguro, superior, apenas porque carregava na sua pequena cabeça aquela férrea coroa.

O medo do rei de ferro começou um dia a contaminar seus súditos, e no reino cresceu a desconfiança, a dúvida e a mentira. Cada vizinho poderia ser um ladrão, que cava e rouba!

Cada estrangeiro um inimigo, que deveria ser eliminado! Cada um que demonstrasse pensar diferente dos ditames escritos com mão de ferro pelo rei, deveria ser banido de seu reino.

Foram tempos difíceis, foram tempos sombrios aqueles! Mas alguns perceberam que há coisas que não se deixam corromper, nem podem ser roubadas: a gentileza, o sorriso sincero, a mão prestativa… E os que o perceberam, também notaram que o que se compartilha pertence a todos. E se é de todos, ninguém precisa roubá-lo. E se é precioso é porque é útil a todos.

Aqueles que perceberam tudo isto, reconheceram então que eles possuíam muitos tesouros, nas conversas alegres ao redor e uma mesa, nas reflexões profundas que trocavam entre si, na fé que os nutria e nos propósitos que confabulavam.

Mas seu maior tesouro era o elo invisível que os unia como seres humanos e que os liberava do medo dos ladrões, do horror aos inimigos e da aversão ao estrangeiro e ao diferente. E seus tesouros cresciam e se multiplicavam no reino invisível que a partir de seus corações iam construindo.

E quanto ao pequeno rei de ferro? Talvez ainda continue por lá, trancado em seu castelo de ferro, que o tempo se encarregou de enferrujar e cujas ricas vestem já devem estar bastante corroídas pelas traças da mentira e do medo.

Renato Gomes

Pastor da Comunidade de Cristãos de Campinas