Referente à perícope do Evangelho de Lucas 17, 5-10
No Evangelho de Lucas, encontramos uma palavra breve e profunda: “Aumenta-nos a fé” — dizem os discípulos a Jesus. E a resposta de Cristo é surpreende: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda…”
À primeira vista, parece até uma recusa. Como se Jesus dissesse: não é algo que posso simplesmente derramar sobre vocês. A fé não é um presente pronto. Não é como receber uma moeda ou uma veste nova. A fé é como uma semente. E uma semente, sabemos bem, não cresce porque pedimos. Ela cresce porque a cultivamos. É o nosso trabalho preparar o solo, regar, cuidar do espaço ao redor. O crescimento vem de dentro dela, mas precisa do esforço do jardineiro.
Assim é também em nossa vida espiritual. Não podemos simplesmente pedir que Deus nos aumente a fé, como quem pede um favor imediato. O que podemos pedir é coragem, perseverança, vigilância para que a semente da fé encontre em nós o solo fértil.
Cultivar a fé é tarefa nossa: no silêncio da oração, na paciência diante das provações, no esforço diário de transformar nossas ideias em ideais. E é nesse trabalho fiel, pequeno e constante, que a fé cresce. E quando cresce, mesmo pequenina como um grão de mostarda, ela se torna força viva. Torna-se confiança que move montanhas de medo, que atravessa abismos de dúvida, que sustenta o coração na noite escura.
Não esperemos que a fé nos seja dada de fora, pronta. Façamos o trabalho humilde de cultivá-la dentro de nós, passo a passo, dia após dia.
Carlos Maranhão