Reflexão para o domingo, 24 de agosto de 2025

Referente à perícope do Evangelho de Lucas 18, 35-43

Podemos parar, “no grito”, a correnteza de um rio? Normalmente quem está sentado à margem percebe o movimento das águas, percebe como tudo flui diante de si, mas não tem poder para freia-las.

Existe, porém, um rio onde alguém à margem, num ímpeto de vontade, consegue por instantes, frear o fluxo!

Nosso sangue circula numa corrente ininterrupta durante toda nossa vida. No entanto, este, que está sentado à margem, consegue no grito – esse grito se chama sístole – interromper o fluxo e assim, ao trazê-lo para a margem, começa a dialogar com ele e no instante seguinte – que se chama diástole – o que se encontra à margem – a quem chamamos coração – interrompe seu grito e ouve o que aquele que foi tirado do fluxo tem para dizer-lhe:

Por que me interrompeste?

Que queres de mim?

E o coração, cego para tantas coisas, mas vidente para o que de fato importa, responde àquele que flui na corrente de vida do sangue, mas que, por instantes, foi retirado do seu fluxo:

Dize-me, o que contas de lá, de onde tu vens?

Conta-me, ainda, aonde vais?

E o que foi retirado do rio responde:

Vem, segue-me e tu verás!

E o cego da margem percebe que na verdade não era cego, nem nunca esteve fixado a lugar algum, mesmo que alguns de fora insistissem em dizer que ele deveria ficar quieto, imóvel no seu lugar de costume.

Pois, em verdade, o coração vidente sabe que, com seu grito, pode frear o rio; e que pode também, sempre que queira abrir os ouvidos, seguir o sutil fluxo da vida, quando aprende a olhar na direção certa.

Renato Gomes

Pastor da Comunidade de Cristãos de Campinas