Reflexão para o domingo, 10 de agosto de 2025

Referente à perícope do Evangelho de Lucas 15, 1-32

Visão de Hildegarda von Bingen, século XII

O mundo espiritual não perde de vista a sua criação, todo o Universo! Ele deve ser preservado. Não se deve medir esforços para preservá-lo, como o palco para 

ameaça a evolução do mundo, para a vida. Hoje, urge essa responsabilidade em relação ao mundo, é mesmo indispensável diante da destruição e poluição dos recursos naturais, da injustiça social, da de morte da humanidade e do planeta Terra.

O mundo espiritual se assemelha ao bom pastor na procura da ovelha perdida e à dona de casa incansável na procura da moeda perdida. Ambos não medem esforços para encontrar o que foi perdido ou o que está ameaçado, para conseguir colocá-lo em segurança. O sol também brilha todos os dias por todas as partes, apesar de todas as aberrações humanas, revitaliza a atmosfera da Terra e a natureza. Hoje, muitas pessoas avaliam se vale a pena ser feito algum esforço, se traz vantagens. A iniciativa humana vem se enfraquecendo cada vez mais, enquanto que cresce a maneira de calcular e estimar as vantagens a serem alcançadas. 

No entanto, os critérios do mundo espiritual são outros: uma grande alegria o preenche quando uma única pessoa que o negava consegue despertar novos sentidos para o mundo divino. E então, na terceira parábola, o motivo da perda não se refere mais a uma posse – seja da moeda ou da ovelha – mas a um ser vivo, ao filho que sozinho gastou toda a sua herança num país estrangeiro e lá se encontra esfomeado e ameaçado da morte.

O mais alto patrimônio do mundo espiritual é a vida e ela, por sua vez pode, ser renovada pela consciência da humanidade sobre sua origem e meta divina, sobre a origem e meta divina de todo o Universo. O filho é o portador da consciência. Ele deve reconhecer o Pai como uma fonte de vida. Não é o Pai que vai encontrar o filho perdido, que pelo seu comportamento escapou da sua mira. O filho é o que, em liberdade, se coloca a caminho do Pai e consciente de sua culpa se confessa a ele. É assim que a vida é renovada e o mundo espiritual se coloca pronto para sacrificar e não apenas para manter a sua criação no mesmo nível, mas também elevar a vida a um nível superior. 

O homem pode se tornar o portador de uma consciência espiritual, a partir da qual jorra uma nova fonte, a da vida eterna. O mundo espiritual está esperando a iniciativa humana de querer corresponder à sua origem espiritual se reunindo e colaborando com todos os seres vivos no céu e na terra num grande projeto. Um festival para formar uma nova criação, uma nova humanidade e uma nova Terra. Um festival onde, em coro, a humanidade e as hierarquias celestes entoam um novo cântico jubiloso. Para isso, temos vindo ensaiando as celebrações das festas cristãs e contamos com a colaboração de cada um!

Helena Otterspeer