Sermões

Reflexão para o domingo 10 de dezembro de 2017

 

 Época de Advento

 Referente ao Evangelho: Lucas 1, 26 -38

 Neste Evangelho ouvimos o anjo Gabriel dizer a Maria:

 “… conceberás e darás à Luz um filho,

Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo (…)

e Seu reino não terá fim”

 

Esta é a forma mais comum de traduzir este versículo.

Podemos, porém, traduzi-lo também de modo um pouco diferente, usando as expressões:

 

…e Seu reino não será finalizado,

não chegará a consumar-se,

não se realizará plenamente.

 

Pode num primeiro momento parecer algo estranho que nos afastemos daquela versão tão antiga e tão tradicional, à qual estamos acostumados a ouvir ou a ler cada vez de novo nesta época do ano! Entretanto às vezes é bom olhar desde outro ponto de visto aquilo que é bem conhecido, para talvez conseguir conhecê-lo um pouco melhor!

 

O que significa então, que o Reino de Cristo (é disto que estamos falando!) não se realizará plenamente? Será que existe uma impossibilidade para Ele completar sua obra?  Certamente não é este o caso!

Reflitamos inicialmente na questão: Que Reino é este?

Todo o conteúdo do Evangelho aponta para a mensagem que Cristo veio ao mundo inaugurar um novo reino. O reino antigo foi criado pelo Pai. Este abarca todos os reinos da natureza, tudo o que foi criado, e de certa forma guarda ainda enorme sabedoria, perfeição e harmonia em suas leis e em suas inter-relações. 

Dentre todas as criaturas, porém, o Ser Humano é o único que não foi terminado. O Pai lhe deixou espaço para que ele mesmo continuasse em si a obra da criação. A isto chamamos LIBERDADE!

Por causa deste precioso dom, podemos fazer nossas escolhas na vida. 

São justamente algumas destas escolhas – em especial nos tempos modernos – que estão se manifestando como destruição ambiental, como caos social, como acentuado egoísmo…

A mensagem do Advento, a cada ano, nos recorda que Cristo veio ao mundo para ajudar o Ser Humano, para dar impulso ao surgimento de um novo reino, uma nova perspectiva, para que a evolução na Terra encontre uma direção positiva e não descambe na total destruição…

 

 

 

A este impulso podemos chamar o Reino de Cristo. A este novo reino se refere o Arcanjo Gabriel em sua boa nova à Maria.

 

“… Seu Reino não terá fim”

… não será finalizado,

não chegará a consumar-se,

não se realizará plenamente.

 

A grande diferença, contudo, entre o Reino do Pai e o Reino do Cristo é que no segundo caso a construção do novo reino conta com a participação do Ser Humano.

No princípio Deus criou tudo a partir de si próprio!

Agora nos é mostrada uma nova possibilidade de criação, onde somos chamados a ser

co-criadores. Justamente por este motivo, porque o ser humano recebeu o dom da liberdade, jamais será possível finalizar esta obra. Cristo inaugura um reino em que cada Ser Humano que se una a seu impulso terá condições de acrescentar sua parcela na nova criação. Deste modo Ele permanecerá criando sempre renovadamente, levando em consideração o que vier como impulso a partir do ser humano:

 

– Qual é nossa parcela de responsabilidade no cuidado ambiental? O que podemos fazer para compreender e ajudar a natureza?

– Que novas formar sociais e de convivência podemos desenvolver para aprimorar o convívio humano, o respeito pelo próximo, a tolerância com o diferente?

– Quanto precisamos ainda trabalhar para não seguir na vida apenas aquilo que nos trás benefício, mas que a necessidade do próximo seja tão ou até mais importante que as nossas próprias?

 

Imbuídos destas reflexões, podemos ler e ouvir com alegria, cada ano de novo, a mensagem que afirma que o Reino de Cristo não tem por meta se consumar visando a um plano definido, mas que abre espaço para nossa participação.

O Advento nos convoca a ouvir e – quem sabe – a responder, como Maria o fez,  a mensagem do Anjo:

 

– Sim, eu quero deixar que aconteça em mim algo deste inconcluso Reino, e que eu possa vir a contribuir em sua construção!

 

 

Sim, assim seja!

 

 

Renato Gomes