Perguntas frequentes

1.  Qual é a relação de Rudolf Steiner com a Comunidade de Cristãos? A Comunidade de Cristãos é da Antroposofia?
R: A Comunidade de Cristãos é uma igreja de uma religião cristã, e como tal, sente-se unida em muitos aspectos à tradição do cristianismo em sua evolução histórica.  O Novo Testamento é uma fonte primordial e insubstituível de inspiração e orientação em nosso trabalho.  A Antroposofia é um caminho de conhecimento que busca chegar ao espiritual, não é uma igreja ou religião, seu fundador, Rudolf Steiner, deu, a pedido dos fundadores da Comunidade de Cristãos, cursos sobre novos enfoques para a teologia à luz de conhecimentos hauridos na própria Antroposofia.  Contudo R. Steiner, que nos legou os rituais e toda liturgia renovada, não é responsável direto pela fundação da Comunidade de Cristãos.

2.  Quem sustenta financeiramente a Comunidade de Cristãos?
R: A Comunidade de Cristãos é sustentada prioritariamente por contribuições voluntárias de seus membros e amigos. Outras fontes de renda podem ser venda de livros, bazares, cursos.   Heranças e doações provenientes de aluguéis de imóveis também podem temporariamente ajudar no sustento da Comunidade de Cristãos.

3. Como podemos ter mulheres sacerdotes? Como é a formação de um sacerdote?  
R: Tanto o homem como a mulher podem receber o sacramento da Consagração Sacerdotal e atuar como Pastores/Sacerdotes nas Comunidades.  A formação final acontece em um dos dois Seminários de Sacerdotes na Alemanha (Hamburgo ou Stuttgart). Há um curso de formação inicial (Pré-Seminário de Sacerdotes) realizado no Brasil (Botucatu). Informações diretamente com um dos Sacerdotes ou nas Igrejas.

4. Os sacerdotes são voluntários? do que vivem?  
R: Cada congregação é responsável de manter o sustento financeiro do(s) seu(s) sacerdotes e de sua(s) família(s). Os Sacerdotes/Pastores dedicam-se integralmente ao trabalho nas comunidades, e não desempenham fora delas nenhuma atividade remunerada.

5. Como se tornar um ministrante?
R: Nas Comunidades acontecem curso de formação de ministrantes. Informe-se na sua comunidade local.

6. Os sacramentos da Comunidade de Cristãos são válidos na igreja católica? Por exemplo, o batismo.
R: Oficialmente a igreja católica (de todos) não reconhece a Comunidade de Cristãos como uma igreja, pois ela mesma se considera a igreja para todos. Nenhum sacramento da Comunidade de Cristãos é reconhecido pela igreja católica, embora alguns sacerdotes católicos que têm uma relação com nossos sacerdotes ou com a Comunidade de Cristãos como um todo já o tenham feito.

7. Por que não há aulas de religião nas escolas?
R: A responsabilidade do ensino religioso nas escolas não é dos professores nem dos pastores e, sim, dos pais. Hoje não há muita consciência da responsabilidade da formação religiosa entre os pais e consequentemente não há muita demanda para que seus filhos tenham a aula da religião que praticam; na verdade, poucos praticam. Os sacerdotes da Comunidade de Cristãos teriam que ser solicitados pelos pais interessados e então entrar em acordo com a direção da escola para poder ministrar aulas de religião. Havendo aulas de religião da Comunidade de Cristãos deveria haver também outras aulas de religião para as famílias que pertencem a outra confissão. Se já, há muitos anos, não mais se ministraram aulas diferenciadas isto exige uma força de iniciativa maior dos pais e da escola para que as aulas de religião, segundo a confissão familiar, possam se ministradas. A implantação de aulas de religião diferenciadas exige uma complexa organização e intensa interação entre sacerdotes, professores e pais.

8. Pode-se rezar o Credo para pessoa de fora da Comunidade de Cristãos?
R: O texto do Credo da Comunidade de Cristãos já foi publicado e é um texto acessível a qualquer pessoa, em contraposição com os textos rituais dos sacramentos, que são exclusivamente destinados às celebrações e não são publicados. Está na liberdade de cada um conhecer, ler, estudar, refletir ou rezar o Credo. Não é especificamente uma oração e nesse sentido não é o adequado para rezar para alguém. Ele consiste em doze proposições que revelam a natureza de Deus, de seu filho, de Cristo, do mistério da morte e da ressurreição e seu significado para a humanidade. A Comunidade de Cristãos em São Paulo publicou um livro que pode ajudar à compreensão e aprofundamento do Credo.

9. As pessoas que trabalham na Comunidade de Cristãos são voluntárias?
R: Tanto o trabalho quanto a contribuição financeira voluntária têm grande significado para a Comunidade de Cristãos porque são expressão do que ela representa para cada indivíduo. Espiritualmente, o voluntariado é um testemunho uma confissão, um exemplo, um apostolado. No entanto, nem sempre é possível suprir todos os encargos, sobretudo aqueles que exigem regularidade e constante presença com voluntários. Por isso, em muitas comunidades, há pessoas que são pagas pelos seus serviços à comunidade. Em geral, este pagamento não corresponde ao nível do mercado mas procura apenas suprir as necessidades do que oferece seus serviços.

10. Mesmo sendo um movimento de renovação religiosa, os conceitos da Comunidade de Cristãos estão em evolução?
R: O cerne da renovação religiosa diz respeito sobretudo aos sacramentos, à vida litúrgica. Todos os conceitos são derivados da vivência destes sacramentos. Não existe um sistema de conceitos que representam uma teologia única e específica da Comunidade de Cristãos. Muito pelo contrário os textos rituais estimulam à novas e ricas reflexões sobre as verdades do cristianismo.

11. Por que não há dizimo?
R:Novo Testamento significa um novo acordo um novo contrato com Deus. O Antigo Testamento era baseado sobre a lei conferida por Jeová a Moisés e transmitida e cumprida, sob penas, pelo povo judeu. O Messias, o Cristo não veio para revogar ou aniquilar a lei, veio para que ela seja cumprida livremente pela autoconsciência e auto responsabilidade; enfim, pelo que há de mais nobre pela força do amor. O dízimo não mais é obrigatório na Comunidade de Cristãos, nem por isso deixa de ser uma lei espiritual que somente pela doação do que é próprio, o vínculo espiritual se torna verdadeiro. Por isso, a contribuição financeira livre na Comunidade de Cristãos.

12. Há dogmas na Comunidade de Cristãos?
R: Na Comunidade de Cristãos há uma grande devoção e veneração pelos rituais dos sacramentos e pela sagrada escritura, com cujos conteúdos tentamos viver intimamente. Não existe a expectativa de que a opinião de todos, tantos membros como sacerdotes, seja já pré-estabelecida segundo a autoridade da Comunidade de Cristãos. Justamente pelo Ato de Consagração do Homem achamos importante estimular a reflexão para o desenvolvimento individual. As perguntas representam muitas vezes muito mais para o desenvolvimento individual do que as respostas prontas.

13. Qual é o papel da bíblia na Comunidade de Cristãos? Por que estudam textos em grego?
R: Dentro do Cristianismo a Sagrada Escritura é a Bíblia, o livro das revelações, a palavra de Deus. Nisto não nos diferenciamos de nenhuma outra igreja cristã, embora existam certas linhas de interpretação diferenciadas em cada confissão cristã. O Novo Testamento deve estar no foco da vida religiosa cristã. Os seus textos originais foram escritos em grego. Ao longo dos séculos foram feitas várias traduções. Uma vida religiosa viva implica também recorrer aos originais para procurar a verdadeira fonte da água da vida.

14. Por que o Ato de Consagração do Homem se chama assim?
R: No intercâmbio vivo dos candidatos a sacerdotes, os fundadores da Comunidade de Cristãos, e Rudolf Steiner, este propôs este nome para o que seria a missa renovada, a celebração da Eucaristia como faziam os primeiros cristãos. É na celebração do Ato de Consagração do Homem que se revela a verdadeira natureza espiritual do ser humano e sua missão. Através do Ato de Consagração do Homem, quando recebemos a comunhão nos tornamos verdadeiramente homens.

15. Qual é a importância de rezar? como se deve rezar?
R: Gandhi uma vez expressou:  Rezar é a respiração da alma! Para o cristão, rezar é buscar o diálogo com Deus, com Cristo. Pode-se usar uma “fórmula” conhecida, por exemplo o Pai-Nosso, ou segundo a intenção, o cristão orar com suas próprias palavra (oração espontânea).

16. Tenho problemas com a fé. Como resolver problemas de instabilidade espiritual?
R: A fé é uma força que como uma semente brota e cresce. A vida religiosa com os sacramentos, a oração individual e a vida comunitária fazem crescer e fortalecer a fé. Também conversas com membros e sacerdotes podem esclarecer muitas questões e abrir novas portas para uma relação viva com Cristo e o mundo espiritual. Questões são sempre chances para caminharmos alguns passos mais.

17. Qual é a importância de Cristo para nós? Por que falam Cristo Jesus e não Jesus Cristo?  
R: Jesus Cristo é o centro.  O Cristianismo surge da consciência de que o Filho de Deus se encarnou, tornou-se Homem e entrou deste modo para história de toda a humanidade.  “Jesus Cristo” ou “Cristo Jesus” praticamente significa a mesma coisa, depende de onde se deseja por mais ênfase ao pronunciar Seu Nome.

18. Quem é Buda e outros para a Comunidade de Cristãos?
R: Em geral, como já foi dito, não existe uma só opinião ou conceito do que seja o Buda para toda a Comunidade de Cristãos. Pode ser que para a Comunidade de Cristãos no Japão Buda tenha um papel diferente do que para a Comunidade de Cristãos no Brasil. Longe estaria de qualquer sacerdote da Comunidade de Cristãos duvidar dos feitos do Buda e da realidade de sua iluminação ou querer combater adeptos da religião budista. A Antroposofia se ocupou bastante com todas as culturas antigas, suas bases espirituais, seus iniciados e neste caso de Buda. No entanto, o que a Antroposofia diz sobre o Buda não é automaticamente algo que representa a opinião única de todos na Comunidade de Cristãos. Também os sacerdotes da Comunidade de Cristãos se interessam pela história das religiões, pelo legado de ensinamentos e contos de várias culturas.

19. O que são épocas? Porque não há épocas todo o tempo do ano? 
R: As épocas do ano cristão acompanham um calendário similar em praticamente todas as igrejas cristãs do mundo.  Estes períodos ou festas estão relacionados com etapas da vida de Jesus Cristo, como nos relatam os Evangelhos (ex. Natal – seu nascimento, Páscoa – sua Ressurreição) e com o caminho do ser humano como seguidor de Cristo. As épocas estão espalhadas por todo o calendário anual.  Há períodos em que se concentram certas épocas ou festas, há períodos em que são mais espaçadas. As épocas sem um conteúdo cristão específico são chamadas de épocas intermediárias e a oração introdutória do culto, a epístola, é dedicada nestas ocasiões à Trindade. Nos períodos entre uma época e outra, na Comunidade de Cristãos chamamos de Período intermediário, dedicado à Trindade.  Nestes momentos se destaca no culto as Três Pessoas da Trindade (Pai – Filho – Espírito Santo).  As épocas ou festas cristãs do ano celebradas na Comunidade de Cristãos são as seguintes: Advento, Natal, Epifania, 1ª Época Intermediária, Paixão, Páscoa, Ascensão, Pentecostes, 2ª Época Intermediária, João, 3ª Época Intermediária, Micael, 4ª Época Intermediária.

20. Há vida após a morte?  
R: Não apenas na Comunidade de Cristãos, mas em todas as igrejas que professam a Cristo, acredita-se na vida após a morte.

21. Não é uma incoerência em cristão acreditar em carma e reencarnação?  
R: Não é comum, historicamente falando, associar a ideia da reencarnação ao cristianismo. A origem desta maneira de pensar nasceu nas religiões e filosofias orientais. O cristianismo em suas origens não proibiu a ideia das vidas sucessivas. Com o desenvolvimento da consciência – em especial da consciência do mundo europeu, onde o cristianismo cresceu com maior intensidade – a relação com o divino e com o espiritual se tornou cada vez menos clara. Cada vida, em verdade, é única. Um dom precioso de Deus e não deve ser desperdiçada. Deste modo, as antigas igrejas cristãs dão cada vez mais importância a vida presente, para que o homem não se perda em especulações com as vidas anteriores ou não se esforce o suficiente nesta vida, já que há a perspectiva de uma vida posterior. A Comunidade de Cristãos tenta, na atualidade, conciliar o pensamento cristãos tradicional com a ideia das vidas sucessivas, pois entende que isto amplia mais ainda a responsabilidade do Homem em relação à própria existência.

22. Qual é a diferença entre discípulos e apóstolos?
R: No Novo Testamento são chamados apóstolos os doze discípulos de Jesus, depois que estes foram enviados a anunciar o Evangelho (Pentecostes – ver Ato dos Apóstolos capítulo 2). A palavra “apóstolo” em grego significa o enviado. De certa forma todo ser humano foi enviado do mundo espiritual para realizar sua missão na Terra. Cabe trazer a consciência que todos somos apóstolos. A palavra “discípulo” sublinha mais o caráter do aprendizado no caminho de todo o cristão; a palavra “apóstolo” mais o caráter de sua tarefa e missão.

23. Um gay pode ser membro? Pode ser feito casamento gay na igreja?  
R: A opção sexual de uma pessoa, seja ela qual for, não a impede de se tornar um cristão, neste sentido, não há restrições para se tornar membro em nossas igrejas.  O sacramento do matrimônio – na sua origem e na própria formulação da liturgia – foi concebido para ser ministrado a um casal (homem e mulher).  Frente à evolução contemporânea do tema, a Comunidade de Cristãos já realizou uma Benção para uniões estáveis de pessoas do mesmo sexo.

24. Porque não temos bispos e cardeais?  O que é o Círculo dos Sete?
R: Não se usa a terminologia bispo/cardeal pois ela pertence historicamente à igreja católica.  Existe, contudo, na Comunidade de Cristãos uma hierarquia. Os que assumem uma função dentro dela são chamados dirigentes. Sua função é visitar e conhecer   as diferentes comunidades de uma mesma região e de fomentar entre elas vínculos tanto na vida social como na vida espiritual e financeira.  Ao mesmo tempo os dirigentes se ocupam de questões que ultrapassam os limites ou as possibilidades de uma única congregação, como a decisão do envio de sacerdotes para uma determinada comunidade, a fundação de novas comunidades, construção de novas igrejas, incentivo de encontros sacerdotais, os sínodos e enfim o cuidado do legado cúltico dos sacramentos.
O Círculo dos Sete é composto de sete sacerdotes com a função de dirigentes e que se ocupam das questões ligada à Comunidade de Cristãos, a nível mundial.  É também da competência do Círculo dos Sete a decisão final sobre a consagração de novos sacerdotes.

25. Ser membro da Comunidade de Cristãos exige o vegetarianismo e não beber bebida alcoólica?
R: Não há proibições alimentares na Comunidade de Cristãos.  Alertamos nossos membros e participantes sobre os riscos do uso de bebidas alcoólicas, uma vez que o álcool altera o estado de consciência do indivíduo.  Nosso trabalho religioso se baseia sobremaneira na ampliação e desenvolvimento (e não na diminuição e entorpecimento) do estado de consciência do ser humano.  A decisão, contudo, de consumir ou não esta ou aquela bebida permanece com a própria pessoa.

26. Como posso conversar em particular com o sacerdote?
R: Basta para tanto pedir em forma direta (ou por email, telefone) para agendar um encontro para conversar.